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Em entrevista coletiva, Putin dá o tom da disputa presidencial

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Em entrevista coletiva concedida às redes de TV e rádio da Rússia, o atual Primeiro-Ministro, Vladmir Putin, começou a dar o tom da disputa eleitoral para a “Presidência da Federação Russa” que ocorrerá em 4 de março de 2012.

 

A entrevista tem sido hábito do “Primeiro-Ministro” que ao final do ano faz um balanço geral da administração e responde aos jornalistas e ao público que lhe contata no momento do programa.

De forma resumida, Putin deixou claro que considera o resultado das eleições legislativas de 4 de dezembro justas e não aceitará nova contagem de votos, algo que, segundo os opositores, levaria a maior queda dos membros do “Partido Rússia Unida” na Duma, a “Câmara Baixa” do Parlamento.

Conforme declarou: “Não vi nada demais nos comícios realizados no país depois das eleições para a Duma. Para mim, eles resultaram da democracia vigente na Rússia. Os resultados das eleições refletiram, sem dúvida, a situação política atual no país. São claras as razões do descontentamento da oposição em relação aos resultados das eleições e esta é uma situação comum em todos os países”* e, para amenizar a situação, pensando em sua eleição do ano que vem, anunciou que vai solicitar monitoramento em todas as seções eleitorais do país, no dia 4 de março.

Declarou: “Sugeri à Comissão Eleitoral Central instalar câmeras em todas as 90 mil seções eleitorais durante o pleito presidencial de 4 de março de 2012. A oposição deve ter a possibilidade de controlar plenamente tudo o que acontece no decorrer da votação. Estas câmeras, transmitindo imagens em tempo real, tornarão ainda mais claro o nosso processo eleitoral e político”*

A política externa foi um ponto central, pois também deixou claro que manterá o país na mesma linha adotada até o momento, contrapondo-se aos posicionamentos das potências ocidentais (europeus e norte-americanos) no Oriente Médio, no Norte da África, nos casos específicos do Irã, da Síria e do “Escudo Antimísseis Europeu”, embora os analistas econômicos estejam indicando que os russos irão investir na Europa para recuperar a economia da “Zona do Euro”, já que tem 40% de suas reservas nesta moeda e são um dos principais parceiros comerciais do continente.

Ao falar da questão do sistema político, sobre o qual houve propostas constantes de reforma durante o mandato do atual presidente Dmitri Medvedev, Putin foi evasivo, repetindo o discurso de expansão da democracia e estabilidade do sistema com maior entrosamento entre as esferas federais, regionais e municipais, algo que não altera significativamente a realidade atual, já que, de acordo com os analistas internacionais, as manifestações que estão ocorrendo se dão em busca de uma reforma política no país já que a classe média que emergiu reivindica maior participação nas esferas políticas e não tem acesso ao poder com a estrutura atual.

De acordo com o analista político Viktor A. Shenderovich, em comentário feito na rádio “Ekho Moskvy” sobre os protestos ocorridos na semana passada, “Este não é um protesto de panelas vazias. (…). Isso é uma questão política, não econômica. Os mineiros protestaram porque não foram pagos. Já as pessoas que tomaram as ruas de Moscou vivem muito bem. Estas pessoas protestam porque foram humilhadas. Elas não foram questionadas quando foi tomada a decisão de que Putin voltará”**.

Ou seja, caso esta interpretação esteja correta, destacando-se que avaliação do comentarista é compartilhada por grande parte dos analistas internacionais, nada indica que Putin responderá a essas demandas, que fará alterações na ordem política, nem que apresentará reformas em termos de aperfeiçoamento da Democracia, já que considera como sendo necessário expandi-la, mas não esclarece o que isso significa, nem apresenta como será feita esta expansão, caso se tome como imediatamente compreensível que a expansão representa o respeito e aceleração do pluripartidarismo e o desenvolvimento do processo eleitoral, algo que é condição necessária, mas não suficiente para constituir toda a Democracia em seu corpo e espírito.

Ao que tudo indica, Putin pretende garantir sua vitória eleitoral para depois pensar nos projetos políticos adequados. Como a Rússia está em crescimento econômico e tem relação estreita coma Europa, apesar das desavenças atuais, não se acredita que ele, caso seja eleito, se esforce em realizar muitas alterações na política interna.

De acordo com os observadores, o mais provável é que reforce o comportamento atual da política externa e trabalhe para consolidar da forma que for necessária o poder internamente, já que este começa a sofrer perdas significativas.

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Fontes:

* Ver:

http://www.diariodarussia.com.br/fatos/noticias/2011/12/15/putin-analisa-politica-economia-eleicoes-e-o-futuro-da-russia/ 

** Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/beneficiada-por-putin-classe-media-russa-se-vira-contra-ele/n1597410423139.html

Ver também:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/12/putin-rejeita-proposta-de-refazer-eleicao-parlamentar-russa-1.html


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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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