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[:pt]Em meio à crescente instabilidade social, Governo etíope inocenta jornalistas[:]

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Uma das principais facetas do Estado etíope que é criticada por observatórios dos direitos humanos e por analistas globais é a defesa dos direitos individuais e da livre expressão. Nos últimos anos, observadores internacionais, diante do número expressivo de prisões a jornalistas, trataram de demonstrar o pouco espaço para a livre veiculação de ideias e críticas por parte da sociedade civil ao seu Governo.

Não à toa, a Etiópia ocupa as piores posições nos rankings globais de livre expressão. Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas, no último censo, o país ocupava a terceira posição como o local de maior aprisionamento de jornalistas em todo o continente africano.

Embora, até o momento, não tenha sido evidenciada a importância das críticas da comunidade internacional sobre a política interna do Governo, a libertação de uma série de jornalistas na última sexta-feira (dia 10 de setembro) pode ser lida como estratégia, com vistas a atenuar as críticas efetuadas em âmbito internacional. Na ocasião, centenas de condenados pelos protestos a favor dos direitos religiosos dos mulçumanos em 2012 foram inocentados pela justiça, um dia antes do ano novo etíope – prática recorrente todos os anos.

Tais indivíduos foram condenados, segundo os governantes, por participarem na concepção de práticas terroristas, sendo assim, a condenação a eles está enquadrada conforme os termos da Lei antiterror nesse país. Entretanto, os defensores dos acusados e parte da sociedade civil sustentam a inocência dos acusados, alegando que muitos participavam pacificamente dos protestos a favor da livre expressão religiosa, ou cobriam jornalisticamente os fatos ocorridos.

A decisão da justiça etíope, por sua vez, não pode ser lida como uma estratégia que objetiva unicamente atenuar as críticas internacionais. Nos últimos anos, o cenário interno desestabiliza-se gradativamente, à medida que florescem ao redor do país manifestações a favor dos direitos civis de parte dos grupos étnicos aí existentes. O Governo etíope, longe de contar com a estabilidade social que necessita para conduzir o seu projeto desenvolvimentista, vê no horizonte cada vez mais um cenário instável, em partes fruto da própria ausência de liberdades ofertadas e garantidas por si.

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Imagem Posicionamento da Etiópia no mapa” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ethiopia_(Africa_orthographic_projection).svg[:]

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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