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Em meio a recordações do passado, Obama projeta futuro de inovação e crescimento ao Quênia

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A recepção do povo queniano ao presidente Barack Obama foi feita sob um clima de campanha política: balançando bandeiras norte-americanas ao redor de Nairóbi, enquanto assistiam pela televisão a cobertura total do encontro de Obama com Uhuru Kenyatta, Presidente do Quênia, os quenianos animavam-se em ver um filho de queniano ocupar o posto político mais importante do mundo[1].

Obama é, de fato, um exemplo bem-sucedido de mobilidade intergeracional. Somente duas gerações separam Barack Obama, pai, imigrante que rumou aos Estados Unidos em busca de melhor educação, e Barack Hussein Obama, o filho, Presidente dos Estados Unidos da América.

Resgatar o seu passado era um fato consumado dessa viagem, dada a intrínseca conexão entre Obama e o Quênia. A visita a familiares, como a sua meia-irmã[2][3], e discursos exaltando as suas raízes com esse local[1][2] são exemplos de momentos em que o passado se fez presente, como nunca.

No entanto, houve outros momentos do passado que Obama fez questão de esquecer. Não no que diz respeito a sua relação com o Quênia, mas como os Estados Unidos, bem como as outras nações desenvolvidas, acostumaram a se relacionar economicamente e politicamente com os países africanos. “Imaginem o que poderia ser feito se mais dos nossos líderes globais e do capital internacional visitassem a África e realmente levassem a cabo uma conversa com a população local, ao invés de manterem-se cegos por alguns estereótipos[1], afirmou o Presidente norteamericano.

De fato, a visita de Obama ao Quênia – a primeira de um Presidente estadunidense a esse país – foi marcada não somente pelo resgate de seu passado, mas também por uma projeção de como o futuro desse continente, e de suas relações com o resto do mundo, deverão ser.

A defesa de Obama por maiores investimentos estrangeiros e por uma maior participação do capital internacional na economia africana tratou-se um fato novo. Ao passo que a maior parte dos líderes internacionais privilegia temas como doações, poucas autoridades políticas de fato mencionam a questão dos investimentos estrangeiros.

A taxa de investimentos ainda é baixa, principalmente se levarmos em consideração o rápido crescimento de muitas economias subsaarianas e os altos índices populacionais. Ambos os fatores representam, acima de tudo, um grande atrativo a empresas internacionais, tendo em vista a sua capacidade mercadológica. No entanto, a plena sustentação do boom econômico recente demanda maiores investimentos estrangeiros, diversificação da pauta exportadora e avanço da indústria, a fim de reduzir a dependência da exploração de commodities.

Eu quis estar aqui porque a África está mudando. Este continente precisa ser um futuro polo de inovação global[3], afirmou Obama, ciente da necessidade da diversificação da economia africana. É somente esta medida que possibilita que testemunhemos, nas próximas décadas, um maior desenvolvimento econômico e social do continente, bem como mais exemplos bem sucedidos de mobilidade intergeracional, como é o caso do próprio Presidente NorteAmericano.

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Imagem (FonteABC News):

http://www.abc.net.au/news/2015-07-25/barack-obama-begins-landmark-kenya-visit/6647618

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/us-news/2015/jul/25/barack-obama-message-hope-kenya-africa-speech

[2] VerNew York Times”:

http://www.nytimes.com/2015/07/26/world/africa/in-kenya-obama-hails-africas-growth-and-potential.html?_r=0

[3] VerThe Washington Post”:

http://www.washingtonpost.com/blogs/post-politics/wp/2015/07/24/in-kenya-an-obama-family-reunion-for-the-president/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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