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Em meio a um Estado de Emergência, Etiópia define o seu novo Primeiro-Ministro

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Na semana passada, a Etiópia escolheu o seu novo Primeiro-Ministro. Trata-se de Abiy Ahmed, o qual ocupará o posto mais alto do Governo, após a renúncia de Hailemariam Desalegn. Entre as expectativas e as demandas que circundam o novo líder, a principal está diretamente relacionada a sua capacidade em gerir os conflitos sociais que desestabilizam significativa parte da nação.

A Etiópia vivencia um estado de emergência desde a renúncia de Desalegn, fato que ilustra a conjuntura social que aguarda o novo Primeiro-Ministro

A Etiópia vivencia um Estado de Emergência, declarado logo após a renúncia de Desalegn. Segundo dados liberados por fontes locais, mais de mil pessoas foram aprisionadas desde a sua declaração. Este é o segundo Estado de Emergência nos últimos dois anos, fato que ilustra a alta temperatura dos conflitos sociais no país e o delicado cenário que aguarda a posse do novo líder governamental etíope.

Ahmed pertence à etnia Oromo, um dos principais grupos que estiveram envolvidos na intensa onda de manifestações civis iniciadas em 2016. Sua nomeação pode ser entendida como decisão estratégica por parte da Frente Democrática Revolucionária dos Povos Etíopes (FDRPE) perante a iminente demanda de maior representatividade política por parte dos Oromo. O novo Primeiro-Ministro tem 42 anos de idade e foi eleito no mês passado como líder da Organização Democrática dos Povos Oromo (ODPO) – partido que integra a FDRPE. Antes de sua nomeação, ele ocupava o cargo de Ministro da Ciência e Tecnologia.

No que diz respeito à economia nacional, espera-se que Ahmed dê continuidade ao processo de crescimento econômico que a Etiópia vivencia nos últimos anos. Liderado pelo Growth Transformation Plan (GTP II), a política econômica etíope tem como objetivo primordial transformar a economia para alcançar nível de renda média até 2025. Para tanto, almeja-se dar amplo incentivo para o desenvolvimento das atividades industriais, substituindo a agropecuária como principal setor econômico.

Entretanto, significativa parte desta transformação se deu às custas de grandes empreendimentos que pouco contaram com a participação da população local na sua concepção – tal qual foi o caso da barragem Grand Renaissance e do projeto de expansão urbana da capital Addis Ababa. Nesse sentido, pode-se entender a implementação destes empreendimentos como ingrediente crucial para o surgimento das manifestações civis.

Por essa razão, Ahmed deverá proporcionar um projeto de desenvolvimento econômico mais inclusivo, participativo e transparente, para poder mitigar os conflitos entre alguns grupos étnicos e as forças policiais.

Analistas apontam que desde o novo período democrático no país, iniciado em 1991, pouco espaço tem sido dado à participação coletiva na construção de políticas públicas. Assim, mais além do que uma consequência direta das lutas envolvendo a representatividade política, a atual conjuntura social da Etiópia demonstra como políticas econômicas pouco inclusivas irrompem em convulsões sociais no médio e longo prazo – fato que prejudica a sustentação do crescimento econômico e do desenvolvimento social como um todo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Abiy Ahmed será o novo PrimeiroMinistro etíope” (Fonte):

http://www.africanews.com/2018/03/27/ethiopia-s-new-prime-minister-is-abiy-ahmed-head-of-eprdf-s-oromo-bloc/

Imagem 2 A Etiópia vivencia um estado de emergência desde a renúncia de Desalegn, fato que ilustra a conjuntura social que aguarda o novo PrimeiroMinistro” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hailemariam_Desalegn_in_Viena_Nov_4_2014_(1).jpg

                                                                                       

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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