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Em meio ao G20, EUA e Rússia discutem cooperação na Guerra da Síria

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Em meio a Cúpula do G20, em Hamburgo, na Alemanha, o longo encontro bilateral ocorrido entre Donald Trump e Vladimir Putin expôs a necessidade de ambos produzirem interesses convergentes diante das principais instabilidades da agenda geopolítica, em especial na Guerra Civil síria.

Com a iminente derrocada do autoproclamado califado islâmico nos enclaves de Mossul, no Iraque, e também em Ar-Raqqa, na Síria, capital do Califado, Washington e Moscou firmaram um acordo confidencial de cessar-fogo no sudoeste da Síria, com o objetivo inicial de atender as demandas de Israel e Jordânia para que não sejam permitidos sobressaltos de forças iranianas, bem como de seu eixo de apoio com a milícia xiita Hezbollah, além de enfrentar os combatentes ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico (EI) nas imediações das Colinas de Golã, que são ocupadas pela Força de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), e ao longo da fronteira com a Jordânia.

Soldados Pershmergas nas cercanias de Mossul, Iraque

O pacto detalhado em um Memorando de Princípios para De-escalação no sudoeste sírio exige da região abaixo de Quneitra e Suwayda a manutenção da governança existente e a confecção de arranjos de segurança em áreas de oposição ao regime sírio.

Com a elaboração de um quadro adjacente ao conflito de mais de seis anos, observadores internacionais acreditam que o acordo poderá ajudar permanentemente, fortalecendo uma iniciativa que poderia culminar em outras partilhas na região.

O acordo também prevê o acesso livre para os trabalhadores de ajuda humanitária e para a criação de condições de retorno dos refugiados. Somente a Jordânia registrou ao longo da guerra o recebimento de mais de 650 mil sírios nos campos de Azraq e Al-Zaatari.

Embora a iniciativa estadunidense e russa vise um plano estratégico de curto prazo para estancar eventual expansão do conflito, um funcionário do Departamento de Estado em condição de anonimato externou à revista Foreign Policy preocupação quanto aos detalhes do pacto bilateral, uma vez que Estados Unidos e Rússia ainda não discutiram como se dará o monitoramento do cessar-fogo, as regras que irão reger o quadro de de-escalação e a presença de monitores internacionais.

O desejo de Trump de alinhar seus interesses com Putin em uma coalizão global é conhecido, dada sua admiração explícita pelo líder russo. Nesse sentido, Putin, em uma condição melhor de negociação, pode trocar esse apoio pelo levantamento de sanções contra o Kremlin, assim como para as principais personalidades do regime e empresários locais ligados ao Presidente.

Crianças sírias coletando água de poço instalado no campo de refugiado Al-Zaatari na Jordânia

Contudo, as vantagens da união de forças entre Washington e Moscou devem ser ponderadas, uma vez que as metas russas incluem obtenção e expansão de bases, bloqueando o uso de forças estadunidenses para remover um regime pelo qual não nutrem apreço, elevando, assim, o status da Rússia na região, o que permitiria a manutenção de Bashar Al- Assad no poder.

Nesse imbróglio, a determinação do Presidente norte-americano em legitimar um acordo com a Rússia poderá ainda servir como ferramenta de persuasão a Trump, uma vez que a visão de mundo de Vladimir Putin tomou projeção no avanço desse realinhamento, mas endossando quase em sua totalidade a narrativa trabalhada pelo líder russo.

A leitura do longo encontro durante a Cúpula em Hamburgo consolidou, por fim, uma vitória significativa no campo diplomático a Putin, pois enfraqueceu as ferramentas dos EUA para defender seus interesses e cedeu espaço de batalha no tabuleiro geoestratégico ao Kremlin (no aspecto físico, virtual e moral), pois, além da associação majoritária na guerra civil síria, Moscou avançou também em duas outras questões: do hacking eleitoral, alegando total isenção na formação do novo quadro político estadunidense, e sugerindo cooperação em segurança cibernética para evitar novos abalos; bem como em um acordo, por ora ainda tácito, em que os dois presidentes concordam em não interferir nos assuntos domésticos do outro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Trump e Presidente Putin no primeiro encontro de ambos na Cúpula do G20, em Hamburgo, na Alemanha” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/euronews/34966171183/in/photolist-VgQLup-Csrarv-WrQKN9-VgQL44-WrQ1fs-WvrDb2-WuWPjs-WvCG5Y-WrQ25o-Vhi9Vq-VjWsjM-Wj6bwc-Vkca1D-VYaHxb-VeU7yE-Wq6R8Q-Wizbaw-WuV7Fq-VZcnWY-VYbNRf-WiyG9G-VjWnH2-WsrUmS-ViiHiz-WotLwQ-Wjv3ae-VYamqw-Vihs13-VYaMVu-Vihr6s-WvXxdw-VihpSq-WyxzSt-WjfWVA-WjuZnR-WacbuS-Vihqa9-WvXx7j-Vihpgq-WvXxhj-WvXxjU-Vihq2o-VkXJmi-Vihqso-VihqXS-VZcnT1-VYUaEh-WywjWD-VYbbJL-ViDVkF

Imagem 2Soldados Pershmergas nas cercanias de Mossul, Iraque” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/kurdishstruggle/14826295722/in/photolist-p2JxrA-oCE778-P4NK91-NahB7U-o7FZyX-oEdNF1-oGTAqw-itiQRE-okbu8c-oMANWy-oJXAjp-puPn9b-pjr7tF-oUpMgg-oT6srR-oHmE8y-opXeyX-iupGH8-oPkxSh-orSC3z-oD6cGv-opWVTh-oEpuNN-odgRJF-oBWc78-oA9Dbj-NqMj3p

Imagem 3Crianças sírias coletando água de poço instalado no campo de refugiado Al-Zaatari na Jordânia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Zaatari_refugee_camp#/media/File:Children_filling_water_in_Al-Zaatari_Camp.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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