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Em meio às turbulências internas, Nyusi sela acordo estratégico com a China

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Em sua mais recente viagem à China, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, selou um Acordo de Parceria Estratégia Global com o presidente chinês Xi Jinping. O Acordo traz uma série de pontos relacionados ao investimento estrangeiro chinês no país, à diplomacia e à cooperação técnica para o desenvolvimento social.

Um dos principais pontos é a previsão de transferência de uma série de indústrias chinesas para Moçambique, nos próximos anos. Não se sabe ao certo quais indústrias e de quais setores seriam aquelas que migrariam para o país africano, uma vez que a nota oficial sobre o encontro apenas afirmou que se trata de indústrias que “a China pretende eliminar, na sequência da reestruturação de sua economia”. Conforme afirmou o Presidente chinês: “A China está pronta para aprofundar e ampliar a cooperação amigável e recíproca com Moçambique em diversas áreas no âmbito dos dez principais planos para a cooperação China-África, para melhor beneficiar os povos dos dois países”.

Para Nyusi, o Acordo aparece como oportunidade de capitalizar a sua imagem política em Moçambique, pois ele gradativamente perde popularidade entre a sua população e também desgaste no cenário internacional, principalmente na Europa e nos Estados Unidos.

Os recentes escândalos relacionados às dividas de aproximadamente 1,4 bilhão de dólares, ocultadas da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), companhia estatal, diminuiu o prestígio de Moçambique entre os investidores externos. Soma-se ainda que a recente desvalorização abrupta do metical, moeda nacional, trouxe consideráveis pressões inflacionárias à economia do país.

Outro indicador que veio à tona na semana passada e que tende a reduzir a popularidade de Nyusi é a taxa trimestral de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo os dados oficiais recém divulgados, a economia moçambicana cresceu 5,3% no primeiro trimestre de 2016, 0,8% a menos, se comparado ao trimestre anterior. Além disso, no dia 18 de maio, a taxa de juros exigida pela dívida moçambicana bateu o recorde histórico, atingindo um total de 17,41% ao ano, o que demonstra que medidas de curto prazo devem também ser tomadas pelo Governo moçambicano, com o intuito de evitar uma futura recessão econômica.

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Imagem (Fonte – Xinhuanet):

http://news.xinhuanet.com/english/2015-12/04/c_134882790.htm

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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