LOADING

Type to search

Em meio à crise econômica, Angola sela nova parceria com o Banco Mundial

Share

Na semana passada, uma missão do Banco Mundial finalizou a sua visita a Angola. O encontro fez parte de uma rodada de negociações entre o Governo angolano e a instituição financeira para a promoção de novas linhas de crédito e assistência orçamentária. O país africano vivencia a pior crise econômica desde o término da guerra civil, em 2002.

Mais de 90% das receitas externas angolanas advém da exportação de petróleo. A queda internacional nos preços dessa commodity vem causando sérios problemas ao Governo desse país para a administração dos gastos públicos. O presidente João Lourenço, empossado há aproximadamente dois meses, já declarou que conduzirá profundas reformas na economia, a fim de estimular o setor secundário e, com isso, reduzir a dependência da exploração de hidrocarbonetos.

Makhtar Diop concluiu a sua visita a Angola na semana passada

Para Makhtar Diop, vice-Presidente do Banco Mundial para a África, um dos principais objetivos da cooperação selada seria o fortalecimento da assistência técnica ao Banco Nacional de Angola (BNA). O BNA é a instituição financeira responsável pela política monetária angolana, controlando a oferta de dólares na economia para evitar maiores desvalorizações do Kwanza* mediante o arrefecimento das exportações.

Diop se encontrou com importantes autoridades angolanas, tais como o Presidente Lourenço e o Ministro das Finanças, Archer Mangueria. Detalhes sobre o novo montante financeiro a ser liberado pelo Banco Mundial ainda não foram liberados. No entanto, o próprio vice-Presidente afirmou que para além de assistências orçamentárias ao Estado, os setores da educação, saúde, agricultura e energia elétrica serão o foco principal do montante a ser desembolsado. Atualmente, o Banco Mundial consta com 37 projetos no país e um total gasto de 332 milhões de dólares. As principais áreas investidas pela instituição são em projetos de desenvolvimento rural, na prevenção de conflitos e na administração macroeconômica.

A consolidação de uma nova rodada de apoio do Banco Mundial a Angola ocorreu justamente em uma semana onde a crise econômica demonstrou novas implicações. Foi anunciado em veículos especializados que a Sonangol, principal empresa do país e responsável pela exploração e exportação de petróleo, detém uma dívida de aproximadamente 2 bilhões de dólares junto a companhias do setor da construção civil.

Tais empresas participaram ativamente em projetos de exploração petrolífera e declaram atrasos em receber os valores referentes as suas quota-partes sobre os projetos realizados. Para especialistas, o montante da dívida é significativo, mesmo para uma companhia de porte amplo como a Sonangol. Segundo a administração da empresa, o atraso nos pagamentos é explicado pelas dificuldades encontradas com a queda nos preços internacionais do petróleo nos últimos dois anos. Acima de tudo, o episódio ilustra as dificuldades econômicas atuais em Angola, as quais impulsionam o Governo a buscar parcerias internacionais – tais como a com o Banco Mundial – para a diversificação da economia interna.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* Kwanza: moeda de Angola.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Banco Mundial aumentará a assistência financeira ao Estado angolano” (Fonte):

https://openknowledge.worldbank.org/terms-of-use

Imagem 2Makhtar Diop concluiu a sua visita a Angola na semana passada” (Fonte):

http://www.worldbank.org/en/about/people/m/makhtar-diop

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta