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[:pt]Em meio à crise, Sonangol suspende venda de ativos[:]

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Principal empresa angolana e fonte de divisas ao país, a Sonangol anunciou, na semana passada, a suspensão da venda de uma série de ativos detidos pela companhia. A medida trouxe insegurança entre a comunidade internacional quanto ao futuro da empresa, uma vez que se esperava que a venda de ativos se consolidasse como importante estratégia para o influxo financeiro, com vista ao pagamento de dívidas e empréstimos a bancos internacionais. Na verdade, ao assumir o cargo de presidente do conselho de administração, Isabel dos Santos, filha do atual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, afirmou que a Sonangol iria se concentrar meramente na exploração e produção de petróleo, não mais vinculando a companhia a atividades em outros setores, como o setor imobiliário e de aviação civil.

Uma série de fatores mitigam, atualmente, a confiança de investidores internacionais na principal empresa angolana. O primeiro deles é a contínua redução nos lucros da organização, dado a expressiva queda nos preços internacionais do petróleo. Os reflexos imediatos na queda das receitas da Sonangol são sentidos diretamente na economia de Angola e no bem-estar da população, pois as receitas advindas com a exportação de petróleo representaram, em 2015, cerca de 95% de toda a pauta de exportação do país.

O segundo fator de desconfiança é a falta de transparência das atividades da empresa. Em 2011, veio à tona as transferências monetárias de aproximadamente 32 bilhões de dólares feitas pela empresa ao Estado angolano, denominadas como “dívidas ao Estado”. Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), em investigação posterior ao fato, tais manobras foram feitas na realidade para esconder dos investidores os déficits gerados por parte das operações de exploração e produção de petróleo.

Por fim, o atual montante de, aproximadamente, 13 bilhões de dólares em dívidas com Bancos internacionais traz desconfiança quanto à responsabilidade fiscal da empresa. Tais empréstimos foram realizados com a condição de a Sonangol reduzir o tamanho das dívidas contraídas frente ao capital social da empresa, fato que não aconteceu. No mês passado (junho), o banco britânico, Standard Chartered Bank, ofereceu um prazo máximo de 45 dias à empresa para apresentar um plano de solvência fiscal de longo prazo.

Com uma capacidade de gerar receitas em risco, devido à queda no preço internacional do petróleo, e com um cenário de estagnação à frente, devido ao crescente afastamento de investidores internacionais, a Sonangol encontra, hoje, uma série de desafios para consolidar-se como uma das principais empresas do setor do petróleo no cenário internacional. Longe de afetar somente a companhia e seu quadro de funcionários, a atual crise enfrentada pela empresa traz temores de recessão à economia angolana, podendo esfriar as elevadas taxas de crescimento econômico que Angola presenciou na última década.

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Imagem (FonteNova Gazeta):

http://novagazeta.co.ao/?p=9472

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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1 Comments

  1. paulo athayde 23 de julho de 2016

    Ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, em documentação entregue à Procuradoria-Geral da República, antes de fechar acordo de delação premiada, afirmou que a campanha do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, em 2006, recebeu R$ 50 milhões em propina.
    De acordo com informações, o delator revelou que o dinheiro teria saído de uma negociação para a compra de US$ 300 milhões em blocos de petróleo na África, em 2005.
    O ex-diretor da Petrobras atribui a informação a Manuel Domingos Vicente, que presidiu o Conselho de Administração da Sonangol, estatal petrolífera angolana. “Manoel (sic) Vicente foi explícito em afirmar que desses US$ 300 milhões pagos pela Petrobrás a Sonangol, companhia estatal de petróleo de Angola, retornaram ao Brasil como propina para financiamento da campanha presidencial do PT valores entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões”.

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