LOADING

Type to search

[:pt]Em prisões israelenses, mais de 1.500 prisioneiros palestinos fazem greve de fome[:]

Share

[:pt]

Em um dos maiores protestos nos últimos anos, mais de 1.500 prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses iniciaram uma greve de fome no último 16 de abril, domingo retrasado. Os prisioneiros demandam melhores condições de vida e de encarceramento, maior contato com parentes, melhor acesso a tratamento médico e o fim da prática de detenção sem julgamento, informa o Independent. As greves ocorrem de forma concomitante em oito prisões israelenses e foram iniciadas após a publicação de um op-ed no New York Times sobre as razões para a greve de fome nas prisões em Israel. O texto foi publicado pelo líder e parlamentar palestino Marwan Barghouti, atualmente preso no país, condenando o sistema como ilegal por negligência médica, detenções arbitrárias em massa e maus-tratos a prisioneiros palestinos, ao que caracterizou como “tratamento desumano e degradante”.

Tendo passado os últimos 15 anos em uma prisão, Barghouti afirma que depois de esgotar todas as outras opções para obtenção de concessões, decidiu que não havia escolha senão resistir aos abusos, entrando em greve de fome ao lado de outros milhares de palestinos no dia 16 de abril, que marca o Dia do Prisioneiro na Palestina. Barghouti, líder sênior do Fatah, foi condenado em 2004 por liderar a segunda intifada, por cinco acusações de assassinato e por pertencimento a uma organização terrorista. Em retaliação a ação, oficiais prisionais israelense moveram Marwan Barghouti da prisão de Hadarim para a prisão de Kishon, perto de Haifa, e o confinaram à prisão solitária. O porta-voz do serviço prisional israelense, Assaf Librati, afirmou ao Times of Israel que “o serviço prisional começou a tomar medidas disciplinares contra os grevistas e, adicionalmente, diversos prisioneiros foram transferidos para alas separadas”, e continuou: “deve-se enfatizar que o (serviço prisional) não negocia com prisioneiros”.

Barghouti escreve, pulicado pelo The New York Times, que “décadas de experiência provaram que o desumano sistema de ocupação colonial e militar de Israel visa romper o espírito dos prisioneiros e da nação a que pertencem, infligindo sofrimento sobre seus corpos, separando-os de suas famílias e comunidades e fazendo uso de medidas humilhantes para compelir a subjugação”. E que “Israel, a potência ocupante, violou o direito internacional de várias maneiras por quase 70 anos, e ainda tem sido concedida impunidade para suas ações. Foram cometidas violações graves das Convenções de Genebra contra o povo palestino; os prisioneiros, incluindo homens, mulheres e crianças, não são exceção”. Barghouti ainda condenou Israel de ter estabelecido “um duplo regime jurídico, uma forma de apartheid judicial, que concede impunidade virtual aos israelenses que cometeram crimes contra palestinos, ao mesmo tempo em que criminaliza a presença e resistência palestinas. Os tribunais de Israel são uma farsa de justiça, claramente instrumentos de ocupação colonial e militar.

Conforme esclarece o portal G1, estão detidos em Israel, atualmente, 6.500 palestinos, incluindo 62 mulheres e 300 menores de idade. Quase 500 deles se encontram sob regime extrajudicial de detenção administrativa, o que permite uma prisão sem processo ou acusação. Adicionalmente, 13 deputados palestinos, de diferentes partidos políticos estão presos, informa. O Independent reportou que a controversa política de “detenção administrativa” de Israel registra um grande número de palestinos mantidos sem acusação nas prisões, frequentemente suspeitos de ligações com o grupo militante Hamas. Israel negou que os prisioneiros palestinos sejam maltratados e o ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, afirmou que o protesto liderado por Barghouti foi “impulsionado pela política interna palestina e, portanto, inclui exigências irracionais”. Erdan disse à rádio do Exército que “eles são terroristas e assassinos encarcerados que estão recebendo o que merecem e não temos nenhuma razão para negociar com eles”, reportou o Arutz Sheva

Riyad Mansour, embaixador palestino nas Nações Unidas, chamou as manifestações de “expressão pacífica de oposição à ocupação”, enquanto o serviço prisional israelense declarou em comunicado que as greves de fome e os protestos eram atividades ilegais que enfrentariam uma “penalização resoluta”. Em apoio ao movimento, manifestantes marcharam em várias cidades importantes da Cisjordânia, como Belém, Hebron e Ramallah, assim como em Gaza. O Democracy Now reporta que os manifestantes foram atacados por forças de segurança israelenses.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1Retrato de Marouane Barghouti pintado no muro de separação no checkpoint de Kalandia entre Jerusalém e Ramallah” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marwan_Barghouti_painting.jpg

Imagem 2Marwan Barghouti, político e líder militante palestino” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Marwan_Barghouti.jpg

Imagem 3Bandeira do serviço prisional de Israel (Sherut Batei HaSohar ou Shabas), agência estatal responsável por supervisionar as prisões no país” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Israel_Prison_Service#/media/File:Flag_of_Israel_Prison_Service.svg

Imagem 4Dr. Riyad H. Mansour, Embaixador e Observador Permanente da Palestina na Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 e, desde 29 de novembro de 2012, embaixador e Observador Permanente ao Estado da Palestina na Organização das Nações Unidas” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Riyad_Mansour_2014.jpg

[:]

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!