LOADING

Type to search

Em visita ao Brasil, congressistas bolivianos reforçam criticas a Morales

Share

Em passagem pelo Brasil, deputados bolivianos criticaram a postura do presidente da Bolívia, Evo Morales, pela postura que este vem adotando em relação à concessão de “salvo conduto” ao senador de oposição Reger Pinto Molina, que está abrigado na embaixada brasileira ha 87 dias.

Ontem, dia 22 de agosto, enquanto estiveram no Congresso brasileiro os deputados para conhecer a Instituição a convite do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), os bolivianos apontaram a incoerência de Morales ao apoiar Julian Assange, exigindo que os britânicos lhes concedam o direito de viajar para o Equador, de onde recebeu Asilo, e no entanto nega  a autorização para o senador Molina vir para o Brasil.

 

O deputado Adrián Oliva Alcazar, juntamente com Luis Felipe Dorado e Alex Orozco Rosas[1] declarou: “O governo boliviano diz ao Reino Unido para respeitar a soberania do Equador e garantir salvo-conduto a Assange, que está na embaixada equatoriana, mas não respeita a soberania do Brasil e nem garante salvo-conduto a Pinto Molina, que recebeu asilo político do Brasil”*.

De acordo com o deputado Alcazar o Senador está sendo perseguido a mais de um ano porque entregou documentos que provam as relações entre membros do seu Governo e o narcotráfico e destacou  as relações econômicas entre os dois países, algo que vem sendo ignorado por Morales. Afirmou: “O Brasil é o principal sócio da Bolívia, que manda para o país vizinho 30% de suas exportações. Mas o governo boliviano não privilegia essas relações”*.

O senador brasileiro Sérgio Petecão, não apenas concordou com o boliviano, como aproveitou para ressaltar negativamente a postura passiva do Brasil em relação ao que considera abuso de Evo Morales. Destacou que o Brasil “faz muito pela Bolívia sem contrapartida”*, citando ainda os conflitos com os brasileiros residentes na Bolívia na faixa de fronteira e as perdas que tivemos para manter as relações positivas entre os dois países e sem exigir muito.

Declarou: “Há uma insegurança enorme na fronteira do Acre. A polícia boliviana colocou fogo em dois brasileiros acusados de assalto. As casas de brasileiros na fronteira, onde o clima é extremamente ruim, foram incendiadas. A Petrobrás foi expulsa, pecuaristas e plantadores de soja ficaram sem suas terras. Temo pelos milhares de estudantes que estão na Bolívia. Está na hora de o Brasil reagir. (…). …a diplomacia já passou dos limites. (….). Tá na hora de o governo brasileiro ser mais rígido em relação à Bolívia, que, junto ao Peru, é responsável por 90% da droga consumida no Brasil”*.

Com relação ao Asilo concedido a Molina afirmou que “O presidente Evo Morales mais uma vez distrata e afronta o Brasil. Sem querer interferir na questão política interna, eu registro que os senadores bolivianos de oposição correm risco de morte e temem voltar para seu país”*.

Segundo, Luis Felipe Dorado, que é líder da bancada do “Partido da Convergência Nacional” na “Assembleia Nacional” boliviana, os bolivianos vieram ao Brasil para agradecer a postura da Presidente Dilma a respeito de Molina e reforçar a luta contra o narcotráfico. Ressaltou: “É preciso que todos saibam que há deputados na Bolívia lutando contra o narcotráfico. É uma luta férrea em nosso país, onde somos submetidos a processos e perseguições políticas”*.

Eles pretendem entregar um documento a Marco Aurélio Garcia, “Assessor especial da Presidência da República”, onde consta a acusação de perseguição, pois a oposição é “penalizada e perseguida, facilitada pela submissão do Judiciário e Ministério Público”** e a necessidade de ambos os países combaterem o tráfico, já que “O narcotráfico conta com o apoio e o silêncio do governo boliviano e isso traz consequência para o Brasil, que consome a cocaína boliviana”**, sendo que os processos e acusações contra Molina são ações do “Governo Morales” para puni-lo: “São uma resposta ao exercício da função parlamentar de fiscalização e das denúncias públicas do vínculo do atual governo com o narcotráfico”**.

Analistas apontam que os vínculos ideológicos do Assessor brasileiro com o presidente boliviano Evo Morales levarão a que se porte de forma neutra e mesmo contrária a inciativa, mas acreditam que o documento será levado adiante para a presidente Dilma Rousseff, que, apesar de também ter proximidades ideológicas, vem sentido necessidade de adotar postura técnica para manter o equilíbrio político em seu Governo, já que o Brasil vem sofrendo efeitos da “Crise Econômica Internacional”, com várias e expressivas perdas, e necessita reconfigurar sua conduta externa para manter o crescimento econômico e o respeito internacional, algo que não vem ocorrendo da Bolívia para com o Brasil devido a grande tolerância brasileira com Morales, concordando estes analistas com o aspectos da declaração do senador brasileiro Sérgio Petecão.

Ademais, segundo tem sido divulgado na mídia, os Governo boliviano é o único dos fronteiriços que não tem colaborado com a “Polícia Federal do Brasil” para o combate ao narcotráfico, já que Peru e Paraguai, por exemplo, permitem a entrada de policiais brasileiros em seu território para combater a plantação de coca em seus países, além de lhes darem suporte e participarem de ações, produzindo resultados significativos no combate

Essa postura da Bolívia vem reforçando as denúncias contra o “Governo Morales”, como as feitas pelos deputados que vieram ao Brasil, as feitas por vários senadores da Oposição dentro da Bolívia e também a realizada pelo jornalista Douglas Farah, ex-correspondente do “Washington Post” que declarou: “Altas esferas desses governos estão patrocinando o crime, em vez de combatê-lo”*.

De acordo com observadores, o foco estratégico da ação neste momento será a conquista de uma postura mais rígida do Brasil para obter o salvo conduto para Molina, pois isso abriria espaços para avançar nos demais pontos citados, já que poderia levar ao debate mais intenso  sobre estes problemas envolvendo o narcotráfico e o “Govenro Morales”, não excluindo o reconhecimento oficial por parte do Brasil de que as denúncias são reais e devem ser considerados em esferas de Estado.

———————————————- 

[1] Os três integram a bancada do “Partido da Convergência Nacional”, com a segunda maior bancada da “Assembleia Nacional da Bolívia”, com 37 membros. O partido é visto como sendo de centro.

———————————————-

Fonte Consultada:

* Ver:

http://www.sondabrasil.com.br/new.asp?cod=15606&dpto=1

** Ver:

http://www.boainformacao.com.br/2012/08/oposicao-da-bolivia-agradece-dilma-e-ataca-evo/

*** Ver:

http://www.rondoniaovivo.com/noticias/opiniao-de-primeira-bolivia-precisa-apoiar-o-combate-as-drogas-por-sergio-pires/91799#.UDVlIo4lZSU

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!