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Em visita histórica à Grécia, Presidente turco sugere rever o acordo fronteiriço entre os dois países

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Nos dias 7 e 8 de dezembro, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, esteve em Atenas, onde foi recebido por sua contraparte grega, o presidente Prokopis Pavlopoulos, além do Primeiro-Ministro, Alexis Tsipras. Embora Erdogan tenha anteriormente estado na Grécia por duas ocasiões como Primeiro-Ministro, esta é a primeira vez após 65 anos que um Chefe-de-Estado turco presta visita oficial ao país vizinho. A esperada reaproximação de dois rivais históricos, no entanto, foi abalada pela sugestão do mandatário turco de reexaminar a demarcação fronteiriça entre os países, estabelecida pelo Tratado de Lausanne, em 1923.  

Bandeiras turcas em Lefkoşa (Nicósia), Chipre do Norte

A solidariedade mútua decorrente de um terremoto que atingiu os dois países, em 1999, ajudou a aliviar as tensões que marcaram as relações greco-turcas ao longo de boa parte do século XX. Contudo, antigos elementos de discórdia ainda estão presentes e voltaram à tona durante a curta visita de Erdogan. Temas como a discriminação sofrida pela minoria muçulmana no norte da Grécia e a presença militar turca na parte leste da ilha de Chipre, habitada majoritariamente por população de origem grega, foram assuntos debatidos entre os líderes.

Contudo, foi o tópico da revisão das fronteiras o maior responsável pelo atrito diplomático. Antes mesmo de desembarcar em Atenas, Erdogan já havia comunicado à imprensa que o Tratado de Lausanne, que perdura por quase um século, precisaria ser revisitado, o que causou mal-estar instantâneo entre os gregos. Na cerimônia de boas-vindas, o presidente Pavlopoulos garantiu que as fronteiras não serão alteradas. “[O Tratado] não tem falhas, não precisa ser revisado ou atualizado”, disse. Já em uma entrevista coletiva, o primeiro-ministro Tsipras se mostrou desconfortável com a proposta ao afirmar estar “um pouco confuso sobre se o que ele está colocando na mesa é modernizar, atualizar, cumprir o Tratado de Lausanne”. Ambas as ocasiões contaram com a presença do líder turco.

Ainda que deixadas em segundo plano, questões relacionadas às relações econômicas estiveram presentes na agenda oficial, com enfoque especial no setor comercial, energético e de transportes. Três grandes projetos já estão em fase de desenvolvimento, a construção de uma ponte entre os países, a implementação de conexões marítimas e a instalação de uma linha férrea de alta velocidade. Entretanto, foi tímida a atenção dada às propostas que estimulam o aumento da cooperação, relevantes sobretudo em um momento em que a Grécia ainda luta para recuperar sua economia e a Turquia se vê cada vez mais isolada dos círculos ocidentais. É possível que, ao se concentrarem em velhas rusgas do passado, gregos e turcos tenham perdido uma oportunidade de pavimentar um futuro comum mais próspero.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ilha grega de Samos, na costa da Turquia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Samos#/media/File:Samos_049_2009.JPG

Imagem 2Bandeiras turcas em Lefkoşa (Nicósia), Chipre do Norte” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Northern_Cyprus#/media/File:Pro-TRNC_demonstration_in_Saray%C3%B6n%C3%BC_North_Nicosia.jpg

Rodrigo Monteiro de Carvalho - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em História também pela UFRJ. Atua na área de Política Internacional, formação de alianças e segurança regional. Desenvolve pesquisas com enfoque específico no estudo dos países do Cáucaso do Sul, Eurásia e espaço pós-soviético. É membro do Grupo de Pesquisas de Política Internacional (GPPI/UFRJ) e do Laboratório de Estudos dos Países do Cáucaso (LEPCáucaso).

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