LOADING

Type to search

Empresários esperam que relação Brasil/Argentina melhore, mas analistas discordam

Share

Parte do empresariado gaúcho*, reunidos na “Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul” (FIERGS) têm esperança de que a reeleição de Cristina Fernandez de Kirchner permitirá a melhora das exportações brasileiras para a Argentina.

 

O argumento se baseia no fato de acreditarem que as medidas restritivas adotadas pela mandatária ao longo do ano passado (2010) e início deste, tinha como objetivo o consumo político doméstico, visando passar para a população que o Governo adotaria todas e quaisquer medidas para proteger  a indústria local, independente dos acordos firmados.

Agora, garantida a reeleição, apostam que a governante tomará como princípio um comportamento mais equilibrado, evitando contenciosos desnecessários, pois sabe a importância do Brasil como parceiro comercial, já que somos um mercado importante para os argentinos.

O secretário-executivo do “Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior” (Mdic), Alessandro Teixeira, aposta que a mudança de cargo de Débora Giorgi, atual ministra da Indústria argentina, também será positiva já que serão relevados os problemas que ocorreram em 2010.

O presidente da “Confederação Nacional da Indústria” (CNI) do Brasil, Robson Braga de Andrade, levanta, contudo, a dúvida principal na questão: “Tratar com a Argentina é sempre difícil, mas na economia está pior. (…). Do lado empresarial, encontramos certas dificuldades, mas sempre estamos buscando uma negociação. (…) É difícil negociar quando não se acredita que as medidas serão implementadas”*. Ou seja, apresenta a desconfiança que existe em tratar com o Governo do país vizinho.

Se, da perspectiva de um grupo de empresários gaúchos e para membros do Ministério brasileiro há esperança, os analistas pelo Brasil são céticos. Parte deles levanta o fato de que a equipe de governo continuará no essencial e será promovida, caso de Débora Giorgi que afirmam irá para a pasta da Economia. Por isso, a tendência será manter a mesma política e radicalizá-la, já que vem dando certo até o momento e está de acordo com o princípio populista do “esquerdismo peronista kirchnerista”, que prega a maior participação do Estado na economia, substituição das importações, mais assistencialismo, logo maior endividamento público, exigindo mais impostos e buscando estratégias alternativas para atrair investimentos externos. Segundo apontam os analistas, uma das chaves está em fazer migrar a indústria brasileira para o território da Argentina.

Os observadores destacam que o jogo do Governo Cristina Kirchner (com todas as medidas restritivas, os constrangimentos para levar à perda de carga, a demora na liberação da autorização, as dificuldades de negociação etc.) foi tornar a exportação para os argentinos tão custosa que o melhor alternativa será transferir a indústria brasileira, ou instalada no Brasil para lá, com todos os benefícios possíveis, incluindo o acesso que é dado ao mercado brasileiro, já que o Brasil, para garantir os princípios da integração regional, tem custeado os déficits da balança comercial com o vizinho, garantindo as exportações dos argentinos para o Brasil.

Apesar de haver relação comercial proveitosa e importante para o empresariado do Rio Grande do Sul, que está pensando numa estratégia política de ação conjunta do Governo estadual com o federal brasileiro para impedir que os argentinos não cumpram os Acordos, ou continuem dificultando as negociações, o cenário ainda está aberto e, como tem apontado os especialistas, a tendência é que, dificilmente, o quadro será mudado, ou se tornará proveitoso ao Brasil, nem equilibrado.

————

* Forma como é conhecido aquele que nasce no Estado do “Rio Grande do Sul”, extremo sul do Brasil.

Fonte:

** Ver:

http://www.dci.com.br/Nova-conjuntura-argentina-anima-empresarios-brasileiros-6-395820.html

Ver também:

http://www.revistavoto.com.br/site/noticias_detalhe.php?id=2804&t=FIERGS_espera_melhora_das_exportacoes_gauchas_apos_eleicoes_argentinas

Ver também:

http://www.aviculturaindustrial.com.br/PortalGessulli/WebSite/Noticias/brasil-redefine-relacao-comercial-com-argentina,20111024082851_M_548,20081118093812_F_643.aspx

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.