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Empresas petroleiras buscam novas oportunidades no México e no Brasil

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Companhias de petróleo e gás se reuniram durante a semana passada no México e no Brasil para poderem aproveitar o que podem ser as últimas chances de competirem por algumas das maiores reservas do mundo, antes das eleições e das possíveis reformas energéticas que virão a ocorrer nos dois países.

Na ultima terça-feira (dia 27 de março), ocorreu um leilão de direitos para explorar e produzir petróleo em águas rasas no México e na última quinta feira, dia 29 de março, uma rodada de leilões onshore e offshore no Brasil, meses antes das eleições presidenciais nas duas principais economias da América Latina. Atualmente, os candidatos de esquerda se comprometeram a reverter ou retardar o fluxo de dinheiro privado para a indústria do petróleo em ambos os países, levando preocupação aos investidores.

A incerteza das eleições levou algumas empresas a buscarem oportunidades para garantir acesso a novas áreas de exploração. Durante os leilões, um executivo de uma empresa registrada para licitar nos dois países, que preferiu o anonimato, declarou que “existe de fato a sensação de que estes podem ser os últimos (leilões) por um tempo”.

O candidato esquerdista do México, Andres Manuel Lopez Obrador, que lidera atualmente as pesquisas de opinião para as próximas eleições, disse que revisará mais de 90 contratos assinados desde que o México aprovou a legislação em 2013, pondo fim ao monopólio de 75 anos da estatal de energia Pemex.

Obrador planeja pedir ao presidente Enrique Peña Nieto que cancele dois leilões planejados para o segundo semestre deste ano (2018), caso Nieto vença a eleição de julho. O apoio a Obrador está em torno de 29,5%, contra 21,2% de seu rival mais próximo, Ricardo Anaya, segundo pesquisas.

Produção de petróleo por país, 2013

No Brasil, o candidato esquerdista mais provável na disputa presidencial, Ciro Ferreira Gomes, advertiu aos potenciais licitantes de companhias de petróleo que ele expropriaria ativos de energia comprados por investidores privados se vencer a eleição de outubro próximo. Gomes, ex-governador do estado brasileiro do Ceará, está próximo do candidato à direita, Jair Bolsonaro, nas pesquisas, logo atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá ficar inelegível, a depender das decisões que serão tomadas na justiça brasileira.

A maioria dos executivos e analistas de petróleo declarou que não esperam que as reformas sejam totalmente revertidas em nenhum dos dois países, mas muitos vislumbram um calendário de lances mais lentos e mudanças nos termos do contrato como possibilidades reais. “As empresas podem agora querer maiores taxas de retorno ou podem chegar a um ponto em que não vão querer esse nível de risco (de investimento)”, afirmou Alfredo Alvarez, chefe do grupo de energia norte-americana para a consultoria EY no México.

A geologia de qualidade superior do Brasil e o histórico de honrar contratos superaram as preocupações com a instabilidade política. As licitações na rodada de um leilão subsequente, em junho próximo, para blocos do Pré-sal, podem ser tão grandes que prejudicariam a lucratividade de qualquer empresa, segundo a consultora Wood Mackenzie.

Em setembro de 2017, a Exxon Mobil (XOM.N) pagou um recorde de 678 milhões de dólares por um bloco brasileiro com a parceira Petrobras (PETR4.SA) em um leilão de concessão. Em outro sinal de forte demanda, as empresas que concorrerão em outubro para comprar participações nos cobiçados campos de petróleo do país prometem dar ao governo até 80% do petróleo produzido após cobrir os custos.

Reservas de petróleo por país, 2013

No leilão brasileiro de quinta-feira passada (dia 29 de março), 21 empresas, incluindo a Chevron (BPX.N), a BP (BP.L), a Exxon, a Royal Dutch Shell (RDSa.L), a Statoil (STL.OL) e a Total (TOTF.PA), se registraram para participar de uma rodada onde 70 blocos seriam oferecidos.

Entretanto, foram arrematados 22 dos 47 blocos marítimos leiloados, após o Tribunal de Contas da União (TCU) do Brasil retirar os dois blocos mais valiosos localizados na Bacia de Santos, que representariam 80% da arrecadação desta rodada. Mesmo assim, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) arrecadou até agora oito bilhões de reais em bônus com o leilão, batendo um novo recorde nas rodadas de concessões.

Já no México, 14 empresas e 22 consórcios, compostos por empresas de médio porte, qualificaram-se para concorrer no leilão da semana passada, que ofereceu 35 blocos nas águas rasas do Golfo do México. A previsão do governo é de que pelo menos sete sejam concedidos, segundo o Secretário da Energia do México, Pedro Joaquín Coldwell. A Pemex é provavelmente a concorrente dominante da rodada porque possui a infraestrutura e um vasto conhecimento da geologia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataforma Offshore” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Offshore_oil_and_gas_in_California

Imagem 2Produção de petróleo por país, 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_oil_production

Imagem 3Reservas de petróleo por país, 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Oil_reserves

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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