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Encontro entre FARC e Governo colombiano inicia com grandes antagonismos e pouco avanço

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O encontro para iniciar o diálogo de paz entre as “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC) e o Governo colombiano mostrou muitas divergências entre as partes e é possível interpretar que com significativa probabilidade de não ser concluído, caso os representantes não concentrem a atenção nos pontos comuns para levar à produção de um caminho para a pacificação do país.

A reunião inaugural ocorreu em Hurdal, ao norte de Oslo, Capital da Noruega, e teve a participação de representantes da Noruega, de Cuba, da Venezuela e do Chile, que são os observadores e mediadores do diálogo.

 

De acordo com o divulgado na mídia internacional, o primeiro e principal problema apresentado foi a diferença de interpretação sobre os temas que devem ser debatidos para se chegar ao cessar fogo. O representante da guerrilha centrou críticas ao modelo da economia colombiana, tornando o debate um discurso político em defesa da ideologia das FARC, combatendo à política econômica do Governo, à reforma agrária proposta e realizada até o momento, discursando contra as alegadas ações favoráveis às multinacionais, posicionando-se contra os “Tratados de Livre Comércio” (TLCs) assinados pelo país, acusando o “Plano Colômbia” adotado em parceria com os EUA e denunciando a corrupção no país*.

O número dois da Guerrilha, conhecido como “Ivan Márquez”, que é o seu principal representante no encontro, tentou sintetizar a posição de grupo afirmando: “A paz não significa o silêncio dos fuzis, mas consiste em transformar a estrutura do Estado e as estruturas econômicas”*.

O discurso incomodou o representante do Governo, Humberto de la Calle, que declarou não se tratar naquela reunião do debate sobre o modelo econômico do país, mas sim os temas estipulados em Havana, quando se acertou a reunião, quais sejam: desenvolvimento rural, garantir a oposição política, o fim do conflito armado, a solução para o tráfico de drogas e os direitos das vítimas.

Em resposta, o representante das FARC afirmou que é uma questão de interpretação e leu que no preâmbulo do Acordo assinado está a questão do desenvolvimento econômico e social. Ao que recebeu como réplica que “Se as conversas não avançarem, o governo não será refém deste processo”*.

Além dessas diferenças, várias outras divergências foram postas à mesa, começando a se constituir um impasse, o qual os analistas apontam que poderá levar ao encerramento do diálogo, caso as FARC não recuem na postura ideológica e assume o comportamento de buscar os pontos pacíficos para chegar ao objetivo maior que é o encerramento do conflito armado.

Por isso, vários outros analistas estão céticos em relação a um resultado positivo das reuniões, apesar de haver a constatação de que a Guerrilha tem perdido espaço e pode estar no caminho de seu esgotamento. Mas, como ela tem recebido apoio político e ideológico dos governos de esquerda da America Latina, é difícil calcular a sua sobrevida, podendo, inclusive, vir a reacender em algum momento.

Alguns observadores levantam também a possibilidade de se chegar a um Acordo, pois poderão ser dadas garantias para as FARC fazerem oposição no país e muitos acreditam que estas receberão assessoria internacional para adotarem a metodologia usada até o momento pelos demais grupos de esquerda no continente: participar da competição democrática e trabalhar na disseminação de seu conteúdo teórico, ou seja, sua visão de mundo entre o povo, para conquistar o governo e, paulatinamente, aparelhar o Estado adaptando-o às exigências da sua ideologia. Segundo afirmam os especialistas, esta tem sido a fórmula vencedora neste momento.   

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Fontes Consultadas:

* Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/10/18/governo-colombiano-e-farc-abrem-dialogo-de-paz-na-noruega-com-divergencias.htm

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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