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[:pt]Energia nuclear na Arábia Saudita[:]

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Conhecida internacionalmente por seus grandes poços de petróleo e como uma liderança regional no Oriente Médio e no mundo árabe, a Arábia Saudita não possui oficialmente um programa nuclear com fins militares e se tornou signatária do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares desde 1968, ano em que o mesmo foi aberto para assinatura, muito embora não tenha aderido ao Protocolo Adicional de 1997. Apesar disso, em dezembro de 2006, os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), entre eles os sauditas, anunciaram planejamento para o uso da energia nuclear para fins pacíficos.

Em abril de 2010, o Governo da Arábia Saudita emitiu através de Decreto Real um comunicado informando os principais motivos pelos quais o país tem necessidade de recorrer à energia nuclear: “O desenvolvimento da energia atômica é essencial para atender às crescentes necessidades do Reino para geração de energia elétrica, produção de água dessalinizada e redução da dependência dos finitos recursos de hidrocarbonetos”. Há alguns anos, Riad tem concentrado esforços na utilização da energia nuclear como fonte energética substitutiva do gás natural e de combustíveis derivados do petróleo em plantas de dessalinização da água do mar para baratear o custo de operação. Atualmente, o país conta com a maior usina de dessalinização do mundo, que foi construída na cidade de Ras Al Khair, localizada na costa oeste do país, com a capacidade de produzir cerca de 728 milhões de litros de água dessalinizada por dia.

No que diz respeito à geração de energia elétrica, de acordo com a World Nuclear Association, a crescente demanda desse tipo de energia por uma população estimada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em aproximadamente 31 milhões de pessoas, em um país com escassez de recursos hídricos, tem direcionado o Governo nacional a investir na energia nuclear como uma alternativa viável e mais barata que os combustíveis fósseis para geração de eletricidade.

Recentemente, a Arábia Saudita anunciou que planeja construir 16 reatores nucleares ao longo dos próximos 20 anos, a um custo superior a 80 bilhões de dólares, o que tem levado Riad a se abrir à compromissos de cooperação internacional. Atualmente, o Reino possui acordos com países como a França, Coreia do Sul, Argentina e China para pesquisa, compra e construção de reatores nucleares. A Rússia, por sua vez, já demonstrou interesse no plano saudita e também pretende investir no país.

O desenvolvimento da tecnologia nuclear para fins pacíficos na Arábia Saudita tem se mostrado como uma solução importante para os problemas energéticos do Reino, que tem procurado investir no setor para garantir sua segurança hídrica e energética com maior eficiência, diversificando a matriz nacional para geração de energia.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_program_of_Saudi_Arabia

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André Figueiredo Nunes - Colaborador Voluntário Júnior

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.

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