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Na última sexta-feira, dia 28 de outubro, a Comissão Europeia aprovou o aumento do uso do gasoduto de OPAL, pela Rússia. Com a chegada do inverno no hemisfério norte a demanda na região duplica, gerando uma importante fonte de recursos para os países produtores.

A gigante russa Gazprom é a empresa responsável por fornecer gás para o norte da Europa, principalmente Alemanha, França e Itália, sendo um importante fator no equilíbrio regional, pois representa os interesses de dois importantes centros de poder, a União Europeia, por um lado, e a Federação Russa, por outro.

Grande parte do continente europeu não possui recursos energéticos necessários para garantir sua autonomia energética, sendo necessário importar gás e outros recursos. Essa dependência coloca em evidencia o poder da União Europeia no cenário internacional e sua real capacidade de atuar de forma hegemônica no contexto regional.

A crise da Crimeia refletiu a dependência energética do Bloco, que, mesmo havendo aprovado uma série de sanções econômicas contra a Rússia – como uma forma de retaliação –, manteve os acordos energéticos e até mesmo aumentou sua demanda. Certo é que não todos os países da União Europeia são a favor de aumentar o consumo de energia russa, mas as principais economias da Europa (exceto a Espanha) dependem do gás russo para manter o fornecimento regular de energia.

Essa situação promove um duplo discurso no seio da União Europeia.  Por um lado, o Bloco, movido por seus interesses expansionistas, pressiona a Rússia, que mantém influência em diversos pontos da Europa do Leste; por outro, o Bloco deve negociar a compra de um dos principais recursos da economia russa e uma de suas principais ferramentas geopolíticas, devido a sua falta de autonomia energética dos países europeus.

O Governo russo, ciente da necessidade das principais economias da Europa, utiliza seus recursos energéticos para controlar o avanço da União sobre sua área de interesse e também para redesenhar uma nova ordem global, na qual o centro de poder regional se movimenta em direção ao Oriente. A União Euroasiática usa como elo, não somente características culturais e políticas, mas também a capacidade produtiva dos países implicados.

Mas não é somente no setor energético que a Europa não possui autonomia. O Bloco comum não a possui em termos de segurança internacional e depende da OTAN para manter o equilíbrio geopolítico da região. Certo que alguns países da União Europeia são potências nucleares e participam do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas seus arsenais em nada se comparam aos das duas grandes potencias bélicas da Era Bipolar.

A dualidade no discurso europeu se transformou em uma ferramenta estratégica para a manutenção dos interesses da União. Se, por um lado, a Europa pressiona a Rússia, pelo outro ela cede, devido a sua dependência energética, sendo esta uma política que reflete o constante conflito de interesses inerentes da integração de países com perfis diferenciados e matrizes elétricas, econômicas e sociais diferentes. Nesse sentido, o bandwagoning* se transformou em um modelo diplomático e político que mantém viva no panorama internacional uma Europa cada vez mais debilitada e fragilizada em termos geopolíticos.

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* Fazer como a maioria.

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Imagem (Fonte):

https://www.principiamarsupia.com/wp-content/uploads/2014/03/gas-ruso-pasa-por-ucrania-paises-consumen.jpg

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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