LOADING

Type to search

Erdogan declara não haver espaço para diálogo no conflito curdo

Share

Nesta segunda-feira, 4 de abril, o presidente turco Tayyip Erdogan descartou retomar as negociações de paz com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Ele prometeu encerrar o conflito de forma definitiva. O banido PKK, que busca maior autonomia política há três décadas, abandonou o cessar-fogo de dois anos em julho de 2015, reacendendo um conflito que já custou mais de 40.000 vidas, sobretudo de curdos, desde 1984. A violência destruiu um processo de paz, liderado por Erdogan, que era visto como a melhor chance de encerrar uma das insurgências mais longas da Europa.

O conflito está em sua fase mais mortal em duas décadas. Na segunda-feira, autoridades reportaram que mais dois membros das forças de segurança foram mortos, em combate no sudeste do país, que tem maioria curda. Quase 400 soldados e policiais e milhares de militantes morreram desde julho, declarou Erdogan na última semana, enquanto 5.359 militantes teriam sido “neutralizados(ou “mortos”) no vocabulário do Presidente turco. Partidos políticos de oposição dizem que entre 500 e 1.000 civis também morreram nos combates, sobretudo em vilas e cidades no sudeste, região que abriga a maior parte dos curdos vivendo na Turquia.

Em pronunciamento transmitido ao vivo pela TRT, Erdogan declarou: “Nós dissemos ‘processo de resolução’ e eles nos enganaram, não podemos confiar nas palavras deles. Agora está encerrado, vamos acabar com isso. (…). Os terroristas podem escolher dois caminhos: se entregar à Justiça ou serem neutralizados, um por um. Não há terceira via na Turquia”. Falando a um grupo de advogados em Ancara, afirmou: “[O Governo não tem] nada a discutir com os terroristas. (…). A Turquia deve considerar despir apoiadores do terrorismo de sua cidadania. (…). Essas pessoas não merecem ser nossos cidadãos. Nós não somos obrigados a transportar nenhuma pessoa envolvida na traição de seu Estado e de seu povo”.

Em março último, Erdogan apelou à expansão da definição de terrorismo para incluir jornalistas, ativistas e outros que “exploram suas posições, canetas e títulos e colocam-nos à disposição dos terroristas”. Também tem pressionado para que deputados do partido pró-curdo HDP sejam despojados de sua imunidade, para que possam ser processados por “propaganda terrorista”, pois, para ele, “Os defensores [do terror] que posam como acadêmicos, espiões que se identificam como jornalistas, um ativista disfarçado de político… não são diferentes dos terroristas que lançam bombas (…). Mas, como um lobo em pele de cordeiro, eles servem ao mesmo propósito que os membros da organização terrorista. Como nação, precisamos ter cuidado. Ninguém deve cometer traição contra o Estado e a nação nas nossas costas”.

O PKK Partido dos Trabalhadores do Curdistão pegou em armas em 1984, em busca de mais autonomia política para os curdos, maior grupo minoritário do país. O grupo é designado como uma organização terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia. O Estado turco ainda nega a existência constitucional dos curdos, que compõem estimados 15 a 22,5 milhões da população de 78 milhões de habitantes do país.

A região sofreu sua pior onda de violência em mais de duas décadas depois ter colapsado em julho de 2015 uma trégua de dois anos, acordada em 2013. Dois atentados fatais em Ancara foram reivindicados por rebeldes curdos, em março deste ano, 2016. A violência também tencionou as relações entre Turquia e EUA, pois os norte-americanos apoiam a milícia curda YPG em seu combate ao Estado Islâmico na Síria, enquanto a Turquia considera a milícia como um ramo do PKK no Levante.

———————————————————————————————–

ImagemO presidente turco Tayyip Erdogan fala no Instituto Brookings, em Washington, em 31 de março de 2016” (FonteREUTERS / Joshua Roberts):

https://www.yahoo.com/news/turkeys-erdogan-says-no-room-dialog-kurdish-conflict-144354135.html

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!