LOADING

Type to search

[:pt]A escolha do Vice-Presidente na eleição norte-americana[:]

Share

[:pt]

A agenda política dos Estados Unidos ao longo de todo o restante do ano de 2016 estará centrada no sufrágio que definirá o novo comandante-em-chefe do país. Pelo Partido Republicano, o candidato Donald Trump superou todos os prognósticos, consolidou a maioria dos delegados e irá para a Convenção Partidária apenas para ser oficializado pelos superdelegados como o candidato opositor ao atual Governo. No lado governista do espectro político estadunidense, após uma longa batalha nas primárias contra o Senador por Vermont, Bernie Sanders, a Ex-Primeira Dama e Ex-Secretária de Estado, Hillary Clinton, confirmou o favoritismo e ganhou a nomeação do Partido Democrata para suceder o presidente Barack Obama na gestão da Casa Branca.

Com a definição dos candidatos, as etapas vindouras do processo eleitoral ganham novas articulações e estratégias e, para chancelar um plano governamental e atrair o máximo de eleitores para seus respectivos núcleos políticos, tornou-se fundamental no cálculo de uma eleição a escolha do Vice-Presidente.

Na história dos Estados Unidos, a Vice-Presidência era compreendida como algo que resultaria em pouco poder e prestígio e cujas principais responsabilidades estariam centradas na Presidência do Senado, com oportunidade de voto apenas em casos de empate e, por ocasião rara de morte, substituir o Presidente.

Em contrapartida, em especial no atual século, o cargo de Vice-Presidente dos Estados Unidos ganhou um status ao menos mais participativo na administração, com envolvimento direto na elaboração das políticas de Estado, tanto no âmbito interno como no externo.

Hoje, por conta da atuação em conjunto com o mandatário, alguns analistas políticos definem os “running mates” também como “assistente do presidente”, ou “super conselheiro”, dado seu alto grau de importância no centro de poder na Casa Branca, além do papel fundamental, e por vezes decisivo, nas eleições, haja vista que sua principal função está intimamente ligada a característica política, pois preenche uma lacuna na qual o candidato presidencial não foi capaz de preencher, diante do potencial eleitorado.

Ao relacionar o papel do companheiro de chapa com a função de Vice-Presidente, três nomes aparecem na história dos Estados Unidos como sendo aqueles que desbravaram e deram uma nova conotação para o cargo.

O Presidente George H. W. Bush (1989-1993) escolheu Dan Quayle (1989-1993) como running mate em 1988. O então Senador pelo Estado de Indiana era jovem e conservador e, por conseguinte, absorvia um percentual considerável de eleitores do meio-oeste, além de ter servido no Comitê de Serviços Armados do Senado.

Em contrapartida, não exerceu grande influência nas discussões de política externa na administração Bush Sênior, exceto quando as negociações se voltavam para o Congresso, onde Quayle tinha trânsito bipartidário relevante. Por exercer influência em Capitol Hill, conseguiu, por exemplo, emplacar legislação que autorizava o uso de força militar para expulsar forças iraquianas no Kuwait, em 1991.

Outro Vice-Presidente, Dick Cheney (2001-2009), também teve papel decisivo na articulação e tomada de decisões durante as duas administrações de George W. Bush (2001-2009). Para alguns especialistas consultados, Cheney foi o responsável pelo ápice do poder de um Vice-Presidente na história dos EUA, uma vez que dirigiu todo o processo de transição política da Era Clinton, bem como incentivou a nomeação de alguns de seus principais colaboradores no alto escalão do novo Governo de Washington, a incluir: Donald Rumsfeld (no primeiro mandato de Bush – 2005-2009), para a pasta de Secretário de Defesa; Paul O’Neill, como Secretário do Tesouro; e John Ashcroft, como Procurador-Geral.

As políticas de segurança nacional também receberam forte influência de Cheney, particularmente após o 11 de Setembro. As interferências na estratégia militar e de inteligência ao longo das duas gestões de Bush o colocaram como mais importante ator em política externa, superando Condoleezza Rice, então Secretária de Estado, e Colin Powell, o Secretário de Defesa.

O Vice-Presidente ainda respondeu pelas políticas de contraterrorismo que incluíam as técnicas de detenção e interrogatório, assim como os programas de vigilância eletrônica, este último origem de grande crise diplomática com países como Alemanha, França e Brasil.

Já o atual Vice-Presidente, Joe Biden (2009-2017), remete a uma atuação distinta em comparação aos outros dois citados. Biden, Senador por Delaware, entrou para a campanha de Obama com a promessa de ser um dos principais assessores e articulador do Chefe do Executivo.

Ao longo dos dois mandatos de Obama, o Vice-Presidente se destacou nos debates em política externa, principalmente sobre o aumento de tropas no Afeganistão, medida esta que era totalmente contra.

Diante de características voltadas mais para o seio das Relações Internacionais, o atual presidente destacou o gerenciamento e a interação com países estrategicamente importantes a Joe Biden. Em muitos desses esforços diplomáticos as relações foram proveitosas, em especial com o novo Governo do Iraque, do Primeiro-Ministro Haider al-Abadi; com o ex-presidente do Afeganistão, Hamid Karzai; e com autoridades ucranianas, após a anexação da Criméia pela Rússia.

Para as eleições de novembro, apenas Donald Trump já definiu seu companheiro de chapa, o Governador por Indiana, Mike Pence, de 57 anos, um ator, cujas características são justamente aquelas que não fazem parte do escopo de Donald Trump, ou seja, um ultraconservador cristão e que atende tanto a parte do eleitorado ainda reticente com suas propostas de campanha, como o núcleo duro do Partido Republicano.

Hillary Clinton por sua vez ainda não definiu seu par para as próximas etapas de campanha, mas, certamente, irá escolher um candidato com guinada mais à esquerda, para amenizar as críticas a sua candidatura. Já que este é o elo fraco da candidata democrata.

———————————————————————————————–                    

Imagem (Fonte):

https://www.telegraph.co.uk/content/dam/video_previews/4/x/4xzmu0edogi5ev1_sob5kgudi9pyoyrb-large.jpg

[:]

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.