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[:pt]Estado Islâmico: possível novo objetivo territorial[:]

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No dia 21 de junho de 2016, um ataque terrorista promovido pelo Estado Islâmico (EI) com um carro bomba na área remota de Rukban, no nordeste da Jordânia, próxima à fronteira com a Síria e o Iraque, deixou sete militares mortos e treze feridos. Rukban é um dos principais pontos de fronteira por onde milhares de refugiados sírios buscam asilo no país.

A Jordânia é um dos Estados da região do Oriente Médio que fazem parte da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos da América contra o EI e tem colaborado com bombardeios aéreos em áreas de ocupação da organização fundamentalista islâmica há cerca de dois anos.

A agressão ao seu território suscita a questão se Jordânia seria o próximo alvo para uma possível ocupação dos jihadistas do EI, pois os quilômetros de fronteira que possui em áreas inóspitas do deserto com a Síria e o Iraque poderiam facilitar a ocupação de determinados territórios, bem como a aderência de simpatizantes jordanianos à organização, que, atualmente, já são em torno de dois mil. Somado a isto, a Jordânia faz parte do plano do EI para formação do califado islâmico na região do Levante, que se estende desde o sul da Turquia até o Egito, no Mediterrâneo oriental, abrangendo os Estados de Israel, Líbano, Síria e a parte ocidental jordaniana.

Entre as principais razões enunciadas pelos jihadistas para atacar o Reino da Jordânia estão as boas relações diplomáticas com o Ocidente e com Israel, além do suporte do rei Abdullah II à coexistência pacífica entre muçulmanos e cristãos no país, defendida até mesmo em seu pronunciamento na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2014. Ele declarou: “Os ensinamentos do verdadeiro islã são claros: O conflito sectário e a contenda são absolutamente condenados. O islã proíbe a violência contra os cristãos e outras comunidades que compõem cada país. Deixem-me dizer mais uma vez: Os árabes cristãos são uma parte integrante do passado, presente e futuro da minha região”.

Segundo o Global Index Terrorism 2015, a Jordânia é considerada um Estado com baixo impacto de terrorismo, apesar disso, a presença física de um comando estratégico do EI em território de sua soberania poderia ser o ponto de partida para provocar um cenário de desestabilização no país, cujas consequências poderiam transcender possíveis ataques terroristas e prejudicar a atividade econômica nacional, o turismo e o comércio internacional. Ademais, um cenário mais dramático poderia colocar em xeque a integração inter-religiosa defendida por Amã e gerar uma nova onda de refugiados no Oriente Médio.  

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Imagem (Fonte):

http://www.al-monitor.com/pulse/afp/2016/06/jordan-unrest-syria.html

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André Figueiredo Nunes - Colaborador Voluntário Júnior

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.

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