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[:pt]Estados Unidos e Alemanha: novos tempos na política de cooperação bilateral[:]

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O recente encontro entre o presidente estadunidense Donald J. Trump com a chanceler alemã Angela Merkel, em Washington, foi considerado um dos encontros mais aguardados e importantes do recente governo republicano e marcou uma reaproximação entre os dois Estados, uma mensagem positiva frente as intempéries da cooperação bilateral.

Desde a ascensão do Presidente republicano, os laços profundos entre Estados Unidos e Alemanha sofreram abalos sistemáticos devido aos distintos posicionamentos em questões fundamentais, como a União Europeia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), imigração, comércio, Rússia, acordo nuclear com o Irã e mudanças climáticas.

Embora Berlim seja considerada líder do Bloco Europeu e um dos principais parceiros dos Estados Unidos, para esta visita não foi delimitada pela Chanceler uma agenda estratégica de cunho abrangente visando abrandar todos os desequilíbrios atuais da relação. As duas chancelarias tinham entendimentos de que a agenda desse encontro bilateral deveria ser pautada em assuntos comerciais.

Em concordância ao princípio da missão, Merkel inseriu em sua comitiva o CEO da Siemens, Joe Kaeser, e o diretor da BMW, Harald Krüger, iniciativa esta costurada pelo vice-presidente Mike Pence durante a Conferência de Segurança em Munique, no mês de fevereiro, e foi fundamental para que ambos os executivos pudessem explicar a Trump aspectos quanto aos benefícios e empregos que as respectivas empresas promovem dentro dos Estados Unidos.

O encontro entre os dois líderes abriu a possibilidade de discutirem também sobre a política imigratória. Trump e Merkel, que possuem grande distanciamento interpretativo sobre o tema, poderão atuar em conjunto acerca das melhores práticas para gerenciar os deslocados de guerra, perseguição política e religiosa, bem como para aqueles que sofrem com catástrofes naturais.

Após a Chanceler aceitar mais de um milhão de imigrantes desde 2015, um controle de fronteiras mais eficaz, assim como fiscalização abrangente e transparência no compartilhamento de informações de inteligência na Europa e do outro lado do Atlântico possivelmente contribuirá para Berlim e Washington cooperarem nos possíveis benefícios que uma política inclusiva poderá gerar para a economia de ambos os países.

Em questões econômicas, Trump e Merkel discutiram novas tendências para implementar crescimento. Apesar de há tempos a política alemã promover à austeridade e disciplina fiscal que contribuíram para um crescimento lento e desemprego em todo Bloco Europeu, há entendimentos de que uma nova condução macroeconômica com viés corretivo aos efeitos da austeridade, com aumento de gastos, principalmente em segurança e infraestrutura, poderia ser parte integrante do resgate econômico-financeiro da Europa e dos Estados Unidos.

Com essas novas medidas, Berlim deverá estimular a demanda também com importação de bens e assim corrigir os desequilíbrios comerciais, ao impulsionar o crescimento, aliado à possibilidade de beneficiar a atual administração contra o crescente levante populista que ameaça o centro político da Europa.

Em contrapartida, é de interesse da Alemanha reaver com Donald Trump a reabertura das negociações de livre-comércio EUA-UE e reforçar os laços multilaterais, que, em uma perspectiva geoestratégica poderia estabilizar o continente, em detrimento de políticas com tendências protecionistas e, assim, evitar um desmantelamento da ordem comercial vigente.

Por fim, para especialistas consultados, o caminho que Merkel tem a percorrer para não distanciar a Europa e principalmente a Alemanha dos Estados Unidos é mais árduo e requer muito mais que apenas seu reconhecido pragmatismo.

A opinião pública alemã terá papel crucial nesse movimento: primeiro, pela eleição do novo Parlamento, que ocorrerá em setembro deste ano (2017), algo que pode alçar um novo Chanceler, caso Merkel não consiga alavancar a economia do país; e, segundo, por Trump, que, de acordo com pesquisa feita por instituto alemão, é extremamente impopular, com apenas 13% dos entrevistados apoiando as políticas do Presidente estadunidense.

Nesse sentido, a viagem de Angela Merkel a Washington teve também como pano de fundo entendimentos sobre quão próximo da Casa Branca deve ser sua administração. Ao conseguir atingir os objetivos principais de reforçar a cooperação econômica e a segurança transatlântica, ganhará condições de manter sua coalizão a frente nas decisões da Alemanha, do contrário, se esse esforço falhar, Angela Merkel terá que determinar quanta distância política precisará colocar entre sua administração e Trump para proteger seu futuro político.

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Imagem 1 Composição de Bandeiras- Estados Unidos e Alemanha” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/ce/Flag_of_the_United_States_and_Germany.png

Imagem 2 Pedidos de asilo na UE e EFTA e rotas migratórias na primeira metade de 2015 segundo a Eurostat” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_migratória_na_Europa#/media/File:Map_of_the_European_Migrant_Crisis_2015.png

Imagem 3 Secretario de Defesa James Mattis e seu homônimo alemã Ursula von der Leyen em um encontro em Washington” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Germany%E2%80%93United_States_relations#/media/File:James_Mattis_Ursula_von_der_Leyen_2017-02-10_01.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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