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Estados Unidos e Coreia do Sul realizam manobras militares

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Os Estados Unidos da América (EUA) e a Coréia do Sul iniciaram na segunda-feira, dia 2 de março, uma série de manobras militares conjuntas que são realizadas anualmente desde 2010. Segundo os Governos dos dois países, os exercícios militares tem um caráter puramente defensivo, contudo os mesmos são vistos pela República Popular Democrática da Coreia (RPDC) como uma ameaça à integridade do seu território[1].

As duas Coreias mantém uma tensa relação desde o encerramento dos combates da Guerra da Coreia (1950-53). Vale ressaltar que a relação entre ambas, que já era tensa, tem se deteriorado desde março de 2010, quando ocorreu o torpedeamento de uma embarcação da Marinha da Coreia do Sul[2] pelos norte-coreanos, além do bombardeamento de uma ilha sul-coreana no mesmo ano[3].

Em seguida, o Governo NorteAmericano anunciou uma série de exercícios militares que seriam realizados em conjunto com Seul. Na época, Bryan Whitman, PortaVoz do Departamento de Defesa dos EUA, afirmou que teriam como objetivo melhorar a capacidade dos dois países de detectar a presença de submarinos inimigos e bloquear a passagem de embarcações com carga nuclear[4].

Assim, anualmente, os dois países têm promovido uma série de exercícios militares. Neste ano (2015), chamados de Foal Eagle, eles abrangem manobras marítimas, terrestres e aéreas, contando com, aproximadamente, 3.700 soldados norte-americanos e cerca de 200 mil soldados sul-coreanos[5]. A previsão é de que as atividades tenham duração de 8 semanas. No início de fevereiro, um submarino de propulsão nuclear norte-americano havia chegado à Coreia do Sul com 120 tripulantes que participariam dos exercícios[6]. Além disso, teve início simultaneamente a Key Resolve, uma série de atividades conjuntas que integram cerca de 10 mil soldados sul-coreanos e 8.600 norte-americanos[7].

Em represália a essas ações, a Coreia do Norte disparou, no final de semana retrasado, dois mísseis de pequeno-alcance em direção ao mar. Assim, de acordo com o Governo NorteCoreano, “a situação na península coreana está, mais uma vez, muito próxima de uma guerra[8]. Os mísseis caíram no mar entre a península coreana e o sul do Japão, após viajar quase 500 quilômetros. Para Kim Min-seok, PortaVoz do Ministro da Coreia do Sul, os disparos foram uma represália aos exercícios, contudo, “se a Coreia do Norte tomar ações provocativas, nosso Exército vai reagir firme e fortemente para fazer com que o Norte se arrependa[9].

O Governo dos Estados Unidos fez um apelo ao Governo NorteCoreano, para que “se abstenha de ações provocativas que elevem tensões na região[10]. Outro país que protestou publicamente contra os disparos foi o Japão. É válido lembrar que em dezembro de 2014 os Estados Unidos anunciaram que estavam negociando com a Coreia do Sul e o Japão um acordo para a troca de informações sobre Programa Nuclear da Coreia do Norte e também a respeito dos mísseis norte-coreanos[11]. Na ocasião, o PortaVoz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul afirmou que “o acordo vai ser eficaz para dissuadir provocações da Coreia do Norte, e esperamos que ele ajude as três nações a responder rapidamente às ameaças nucleares e de mísseis norte-coreanos[12] .

Na última terça-feira, 3 de março, Ri Su Yong, Ministro do Exterior norte-coreano declarou que “à República Popular Democrática da Coreia resta aumentar sua capacidade de dissuasão nuclear para lidar com a crescente ameaça nuclear dos EUA. Agora, a RPDC tem o poder de conter os EUA e conduzir um ataque preventivo, se necessário[13]. Assim, para o Governo NorteCoreano, as manobras militares realizadas anualmente pelos Estados Unidos em conjunto com a Coreia do Sul são uma ameaça à segurança do país. Em contrapartida, para o Governo SulCoreano, são exercícios preventivos necessários para a sua segurança.

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Imagem (Fonte):

http://www.defesaaereanaval.com.br/?m=201402&paged=24&print=pdf-page

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-dispara-m%C3%ADsseis-de-curto-alcance/a-18288401

[2] Ver:

http://www.naval.com.br/blog/2010/05/24/eua-anunciam-exercicios-navais-conjuntos-com-coreia-do-sul/

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/12/101223_coreia_exercicio_quinta_rw.shtml

[4] Ver:

http://www.naval.com.br/blog/2010/05/24/eua-anunciam-exercicios-navais-conjuntos-com-coreia-do-sul/

[5] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-dispara-m%C3%ADsseis-de-curto-alcance/a-18288401  

[6] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/02/submarino-nuclear-dos-eua-chega-coreia-do-sul-para-exercicio-conjunto.html

[7] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-dispara-m%C3%ADsseis-de-curto-alcance/a-18288401  

[8] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0LY27420150302?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0  

[9] Ver:

Idem.

[10] Ver:

http://www.dw.de/eua-jap%C3%A3o-e-coreia-do-sul-assinam-acordo-de-intelig%C3%AAncia/a-18153098

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

Idem.

[13] Ver:

http://www.dw.de/coreia-do-norte-se-diz-capaz-de-conter-amea%C3%A7a-dos-eua/a-18290627

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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