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Estados Unidos e Vietnã: Uma nova era nas relações bilaterais

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Na agenda de política externa para a Ásia dos últimos Presidentes estadunidenses, uma viagem ao Vietnã sempre fora vista como um gesto de reconstrução das relações bilaterais, após um dos conflitos mais sangrentos e polêmicos do período da Guerra Fria.

O novo capítulo de inserção diplomática iniciou-se com Bill Clinton, em 2000, posteriormente, com George W. Bush, em 2006. Agora, com o anúncio feito na semana passada pela Casa Branca, será a vez de Barack Obama, enfim, dar seguimento ao aprofundamento das relações com Hanói.

O encontro entre o Presidente norte-americano com o primeiro-ministro Nguyen Tan Dung, ainda neste mês, é muito aguardado e gera um nível sem precedentes ao politburo comunista, quanto às expectativas frente aos desafios recentes que vive o Vietnã, ao optar por se aproximar mais do Ocidente, e quanto ao comportamento a adotar em relação à estratégia agressiva da China na região Sudeste da Ásia, em específico no Mar da China Meridional.

A Cimeira entre os dois Estados será parte de uma estratégia cuja oportunidade é de findar os resquícios históricos de uma guerra que prejudicou e interferiu não apenas na política e na economia do país, mas, principalmente, na saúde e no cotidiano de gerações de vietnamitas. Nesse sentido, uma das iniciativas propostas neste encontro que já é preparado previamente pelo Secretário de Defesa, Ashton Carter, seria a limpeza de imóveis cujo envenenamento causado pelas precipitações químicas das armas utilizadas no conflito ainda aflige parte da população. Ainda no seio das oportunidades, na esfera do comércio, há a possibilidade do secretário Ashton Carter iniciar o processo de levantamento das restrições sobre a venda de armas para o país asiático.

A proibição da venda de armas letais para o Vietnã foi parcialmente levantada em outubro de 2014, para auxiliar o país na reestruturação militar, objetivando fazer frente às tensões crescentes em águas do Mar do Sul da China. Nessa ótica, Washington prometeu US$ 18 milhões para a compra de barcos para guarda costeira nacional, embarcações estas fabricadas nos Estados Unidos. Contudo, há obstáculos para a consumação de uma ajuda mais efetiva neste âmbito, dentre os quais a questão dos direitos humanos, tema que provavelmente será abordado na visita de Barack Obama, conjuntamente com o histórico da Guerra naquele país, ponto sensível ainda na perspectiva diplomática, mas que deverá ter uma abordagem que privilegie a superação desse trauma.

À luz da Lower Mekong Initiative (LMI, na sigla em inglês), um bloco liderado pelos Estados Unidos para cooperação entre os países do Sudeste Asiático, fronteiriços ao Rio Mekong, haverá discussões acerca do meio-ambiente, saúde, educação e infraestrutura, como complementares aos pilares que movem esta Visita de Estado.

Na perspectiva estratégica, desde a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, instituídas pela administração do presidente Bill Clinton, as benfeitorias no país asiático foram bem assimiladas, principalmente na integração econômica, política, em segurança, educação e na busca pela estabilidade regional.

Um dos pontos mais representativos foi assumido no Acordo de Comércio Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), cuja participação de ambas as nações, bem como com os demais membros (Austrália, Canadá, Japão, Malásia, México, Peru, Chile, Brunei, Cingapura e Nova Zelândia) pode significar um incremento em um comércio bilateral que já movimentou US$ 35 bilhões, só em 2015, o equivalente a 22% do comércio norte-americano com o bloco da Association of Southeast Asian Nations (ASEAN, na sigla em inglês), inserindo o Vietnã na classificação de fornecedor único da ASEAN para o mercado dos Estados Unidos.

Com o TPP, analistas da Câmara de Comércio Americana no Vietnã (AMCHAM) creem que o comércio bilateral poderá alcançar a marca de US$ 57 bilhões até 2020, assim como o investimento dos Estados Unidos na região poderá aumentar significativamente.

Ao demonstrar um maior interesse em desenvolver as cadeias políticas e econômicas e não somente geoestratégicas, Estados Unidos e Vietnã solidificam uma parceria promissora que envolverá também a instalação de empresas do ramo de tecnologia, dentre as quais a Boeing, Westinghouse e General Electric, para desenvolver e abastecer o mercado de aviação e de energia nuclear naquela região.

Com grandes possibilidades, as premissas que ligam as atividades idealizadas ao conceito de soft power chancelam que o aprofundamento da cooperação bilateral contribuirá também contra o processo de expansão territorial chinês, que é parte de seu plano em política externa, plano este de enfrentamento ao Pivot para Ásia, desenvolvido na administração de Barack Obama. Por este motivo, talvez, ao menos no caso aqui elaborado, a condição chinesa para conquistar o terreno e as fronteiras marítimas da região não alcançará o efeito desejado por Beijing.

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Imagem (Fonte):

http://cdn.hanoitimes.com.vn/mfiles/data/2015/11/81E09AF9/1.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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