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Na semana passada, durante um evento organizado pela Embaixada de Israel no EUA em comemoração ao Dia da Independência de Israel, Joe Biden, vicepresidente dos Estados Unidos da América (EUA), declarou que o Governo norteamericano pretende entregar caças F35 para os israelenses no próximo ano, a fim de ajudar o país a manter sua vantagem militar no Oriente Médio. De acordo com Biden, “no ano que vem vamos entregar a Israel o jato Joint Strike F-35, o nosso melhor, tornando Israel o único país do Oriente Médio a ter esta aeronave de quinta geração[1].

O discurso de Biden busca amenizar as tensões oriundas da reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã, promovidas através das negociações sobre o Acordo Nuclear.  O Governo israelense tem declarado fortemente seus receios acerca dessa reaproximação. No mês passado, Benjamin Netanyahu, PrimeiroMinistro de Israel aceitou um convite dos republicanos para discursar no Congresso dos Estados Unidos, onde protestou contra a tentativa de o presidente Barack Obama estabelecer um Acordo Nuclear com o Irã[2]. Na ocasião, Netanyahu chegou a afirmar que o acordo negociado entre o G5+1 (Alemanha, China, França, EUA, Reino Unido e Rússia) e o Governo do Irãsó tornará o Oriente Médio pior[3], pois, na sua visão,  “o atual regime de governo iraniano sempre será um inimigo para a América. Nós devemos permanecer juntos para impedir a marcha iraniana de terror. Aiatolá Khamenei vomita o ódio mais antigo do antissemitismo com a mais nova tecnologia[4] .

Em vista disso, a participação de Biden no evento procurou aliviar as tensões entre o Governo de Obama e Israel. Conforme ressaltou o vicepresidente norteamericano, nenhum presidente dos Estados Unidos apoiou mais Israel do que Barack Obama, o que fica evidente ao se observar os US$ 20 bilhões que o Governo estadunidense destinou a Israel, através da ajuda militar[5]. Adicionalmente, Biden afirmou que qualquer acordo nuclear com o Irã terá como base a segurança israelense, ressalvando que, se o Irã trapacear, os EUA manterão todas as opções sobre a mesa[6].

Os caças F-35 Joint Strike são caças multiuso do Exército dos EUA, de um só acento, com monomotor potente, que é dificilmente detectável por radares. Conforme destacou Steve Over, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais do F-35, ele “tem o radar mais avançado e um sistema capaz de confundir capacidades defensivas do inimigo. Além disso, o F-35 identifica automaticamente as ameaças a centenas de quilômetros, oferecendo a decisão do piloto de fugir ou atacar[7]. Segundo o Ministério da Defesa de Israel, está prevista a entrega de dois caças F35 até o final de 2016 e outras 23 aeronaves deverão ser entregues até 2021[8]. Há 5 anos o Governo israelense adquiriu 19 caças do modelo F-35 por US$ 2,75 bilhões e, em fevereiro deste ano (2015), assinou um contrato de US$ 3 bilhões para comprar mais 14 caças da Lockheed Martin Corp[9], sendo que cada um possui o custo de aproximadamente US$ 110 milhões[10]. Assim, a Força Aérea de Israel pretende estabelecer dois esquadrões de caças, cada qual contendo 25 aeronaves[11].

Alguns analistas assinalam que a decisão de enviar caças F35 a Israel é uma resposta à decisão da Rússia em fornecer Sistemas de Defesa Aérea S300 ao Irã e à Síria[12]. Nesse sentido, conforme argumentou Steve Over, “o sistema antiaéreo S-300 é exatamente o tipo de ameaça que o F-35 foi projetado para combater[13]. No início de abril, um simulador de voo para o F-35 chegou na base aérea de Negev, ao sul de Israel, e até o próximo ano está prevista a chegada de novos simuladores, capazes de forjar uma simulação em um plano quase real no treinamento dos pilotos[14].

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Imagem (Fonte):

http://www.ynetnews.com/Ext/Comp/ArticleLayout/Proc/TalkBacks_iframe/0,9657,L-4650160-68,00.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0NF01720150424

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/39683/netanyahu+discursa+no+congresso+dos+eua+se+ira+quiser+ser+tratado+como+um+estado+normal+deve+agir+como+tal.shtml

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150424/844438.html#ixzz3Yk2EgjcB

[6] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0NF01720150424

[7] Ver:

http://www.aurora-israel.co.il/articulos/israel/Titular/64366/

[8] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150424/844438.html#ixzz3Yk2EgjcB

[9] Ver:

Idem.

[10] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.653345

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0NF01720150424

[13] Ver:

http://www.aurora-israel.co.il/articulos/israel/Titular/64366/

[14] Ver:

Idem.

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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