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Estados Unidos pretendem reavaliar seu papel no Conflito Israel-Palestina

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Na última sexta-feira, 4 de abril de 2014, o “Secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA)”, John Kerry, afirmou que o Governo norte-americano pretende reavaliar seu papel noConflito Israel-Palestina”.  A declaração de John Kerry aconteceu alguns dias após a decisão do “Estado de Israel” de anular a libertação do último grupo de prisioneiros palestinos e da consequente represália, segundo a “Autoridade Nacional Palestina” (ANP), em buscar o reconhecimento do “Estado Palestino” em 15 “Tratados internacionais[1].As declarações do Governo norte-americano, que é mediador desse processo de paz, revelam em certa medida o descontentamento e até mesmo a impotência diante dos impasses e entraves que envolvem essas negociações.

Nesse sentido, compete relembrar que a retomada das negociações de paz entre Israel e Palestina reiniciou em meados de 2013, após 3 anos de paralisação. O fracasso das negociações entre ambos em 2010 teve entre os motivos a interrupção dos diálogos acerca dos “assentamentos israelenses” em partes da Cisjordânia e no “Leste de Jerusalém”, território que é reivindicado pelos palestinos[2].Com a retomada do procedimento e o papel de mediador adotado pelos EUA, alguns analistas como Allen Weiner, “Diretor do Programa de Direito Internacional e Comparado de Stanford”, apontavam na época que apesar de não haver garantias do sucesso na reativação do processo de paz, mesmo com a mediação do Governo norte-americano, sem a presença deste, ele certamente estaria quase que fadado ao fracasso[3].

Posto isso, a fim de assegurar o processo efetivo das negociações, foram estabelecidos três pontos chave: a duração do processo de paz; o conteúdo do debate e um pacto de absoluto sigilo, no qual apenas o Secretário de Estado Norte-Americanoestaria autorizado a comentar o andamento do que está ocorrendo entre israelenses e palestinos[4]. Em vista disso, foi fixado o prazo de 9 meses, tendo portanto como data limite, 29 de abril de 2014[5]. No que tange ao conteúdo das negociações, entre outros temas foram previstas as discussões sobre a divisão de Jerusalém; a segurança do “Estado de Israel”; a segurança das fronteiras da Palestina e uma compensação aos “refugiados palestinos” de 1967, bem como aos refugiados de 1948[6].

Segundo Allen Weiner, “a construção da paz exige que as partes comecem a estabelecer padrões de comportamento que lhes permitam acreditar que a confiança mútua é possível. As partes devem reconhecer as perdas que um acordo imporá a ambos os lados para que possam garantir os benefícios da paz[7]. No entanto, com o prazo final para uma  resolução no processo de paz se aproximando, os impasses e entraves impostos pelas partes nas negociações enfatizam as dificuldades desse diálogo.

Na última semana, o Governo norte-americano deixou claro seu descontentamento com a atual situação do processo de paz, ao ponto de John Kerry assinalar que os Estados Unidospodem facilitar, estimular, dar um pequeno empurrão, porém ressaltou que são as partes que devem tomar as decisões fundamentais para chegar a um compromisso de fato[8].

Dado os últimos eventos entre israelenses e palestinos com acusações mútuas, Kerry afirmou na última sexta-feira, dia 4 de abril, que “há limites para a quantidade de tempo e esforços que os EUA podem dedicar, se as duas partes não estão dispostas a tomar medidas construtivas para que possam existir progressos[9]. Concomitantemente a esse posicionamento, Josh Earnest, “Porta-Voz da Casa Branca”, reiterou que os EUA não podem investir esforços de forma ilimitada no “Oriente Médio”, até mesmo porque Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos”, tem uma série de importantes desafios em sua agenda[10]. Em vista disso, Nabil Shaath, um Alto Oficial da Autoridade Palestina”, declarou que a intenção em estabelecer o reconhecimento doEstado da Palestinapor meio dos tratados internacionais, tem por intuito responder à decisão de Israel de não libertar os 26 prisioneiros palestinos. Nesse âmbito, Shaath assinalou que a ANP continuará “com as negociações, conforme o combinado. Espero que a paciência dos americanos chegue ao fim com os israelenses e não com os palestinos[11].

No entanto, o “Governo dos EUA” deixou claro que, apesar desse proscênio, ainda está na mesa de negociação. Destacou, no entanto, que “esse não é um esforço sem fim, nunca foi. É hora de checar a realidade e nós pretendemos avaliar com muito cuidado quais serão os próximos passos[12]. Já Marie Harf, Porta-Voz Adjunta do Departamento de Estado”, ponderou que “nos últimos dias, infelizmente, ambas as partes tomaram passos que não ajudam. Vamos analisar muito cuidadosamente onde se encontra o processo e para onde poderá se encaminhar[13]. Recentemente, em 5 de abril, os “Ministros das Relações Exteriores” da “União Europeia” (UE) afirmaram apoiar  os esforços do “Secretário de Estado Norte-Americano” e, segundo  Frank-Walter Steinmeier, “Ministro Alemão”, “não há dúvida de que a iniciativa de Kerry atravessa uma fase crítica[14]e, ainda, “parece que em ambas as partes os radicais se impuseram. Devemos tentar evitar isso[15].

Por fim, tais declarações norte-americanas se propõem a enfatizar que, tendo em vista o atual cenário, osEstados Unidospodem reavaliar o seu papel nesse processo de paz, e, portanto, seria mais vantajoso que os dois lados estabelecessem um acordo. Contudo, essas declarações revelam de certo modo a impotência da política externa norte-americana de promover um Acordo de Pazentre Israel e palestinos, pois, apesar das diversas visitas e reuniões ocorridas, as negociações podem terminar sem resultados concretos.

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Imagem (Fonte):

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20140403-negociacoes-israelo-palestinas-estao-em-momento-critico-diz-kerry 

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/israel-acusa-palestinos-de-obstruir-di%C3%A1logo-de-paz-e amea%C3%A7a-com-retalia%C3%A7%C3%B5es/a-17547552

[2] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/kerry-anuncia-retomada-de-dialogo-entre-israel-palestinos-9101411

[3] Ver:

http://codinomeinformante.blogspot.com.br/2013/03/por-seu-papel-de-mediador-eua-sao.html

[4] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/eua-querem-estado-palestino-em-nove-meses-9292503

[5] Ver:

http://www.dw.de/eua-diz-que-vai-reavaliar-seu-papel-no-processo-de-paz-no-oriente-m%C3%A9dio/a-17546076

[6] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/eua-querem-estado-palestino-em-nove-meses-9292503

[7] Ver:

http://codinomeinformante.blogspot.com.br/2013/03/por-seu-papel-de-mediador-eua-sao.html

[8] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20140403-negociacoes-israelo-palestinas-estao-em-momento-critico-diz-kerry

[9] Ver:

http://www.dw.de/eua-diz-que-vai-reavaliar-seu-papel-no-processo-de-paz-no-oriente-m%C3%A9dio/a-17546076

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

Idem.

[12] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/34690/apos+semana+turbulenta+entre+israel+e+palestina+eua+vao+reavaliar+papel+no+processo+de+paz.shtml

[13] Ver:

http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2014/04/04/eua-negam-que-negociacoes-entre-israelenses-e-palestinos-tenham-concluido.htm

[14] Ver:

Idem.

[15] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/04/05/interna_mundo,421526/ue-renova-apoio-a-eua-em-negociacoes-de-paz-entre-israelenses-e-palestinos.shtml

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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