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Desde que assumiu o poder, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), tem cumprido suas promessas de campanha sob o discurso de tornar a “América grande” novamente. Assim, pôs fim ao ObamaCare, retirou o país do Acordo de Paris, da Parceria Transpacífico e, agora, chegou a vez de Cuba. Alguns analistas apontam que uma das únicas certezas quanto ao Governo Trump é a sua política de pôr fim ao legado construído pela administração do antecessor, Barack Obama.

No último dia 16 de junho, Donald Trump afirmou que irá rever o acordo de reaproximação com Cuba. A declaração ocorreu durante um comício realizado em Little Havana, na cidade de Miami, uma região formada por morados latino-americanos, entre eles cubanos. O Presidente estadunidense ressaltou que estava cancelando o acordo completamente unilateral da administração Obama com Cuba. Argumentou que o acordo era terrível e equivocado, pois o alívio das restrições de comércio e viagens apenas enriquece o que ele qualifica como “brutal” regime da família Castro. Assim, salientou durante seu discurso que os Estados Unidos estão dispostos a negociar um acordo que faça sentido. Ademais, conforme o anúncio de Trump, serão reestabelecidas algumas restrições sobre o país caribenho, tais como: proibição de negociações entre empresas americanas com as Forças Armadas Revolucionárias e viagens de cidadãos estadunidenses à Cuba, embora sejam mantidos voos comerciais entre os dois países. No entanto, Donald Trump afirmou que as relações diplomáticas serão mantidas, pontuando que a “embaixada permanece aberta, na esperança de que nossos países possam forjar um caminho muito melhor”.

Além disso, Trump também pediu que sejam realizadas eleições livres e supervisionadas pela comunidade internacional, bem como a libertação dos presos políticos. A Casa Branca emitiu comunicado solicitando apoio às restrições por parte dos Estados aliados e salientou que o futuro das relações entre EUA-Cuba dependerá de ações concretas que forem tomadas quanto às reformas econômicas e políticas do país insular. O comunicado procurou destacar que a revisão visa alcançar quatro objetivos: melhorar o cumprimento da legislação, em particular questões que regem o embargo a Cuba; questões de direitos humanos não respeitados que foram ignorados pela administração de Obama; questões que envolvem interesses de segurança nacional e de política externa dos EUA; e, por fim, estabelecer bases para que o povo cubano desenvolva uma maior liberdade política e econômica.

Obama e Raul Castro em um encontro oficial, em 2015

O movimento de aproximação entre Estados Unidos e Cuba iniciou em meados de dezembro de 2014, quando os dois governos anunciaram oficialmente a retomada das relações diplomáticas, após meio século de rivalidades. Naquela ocasião, como destacou o CEIRI NEWSPAPER, ambos anunciaram que pretendiam estabelecer algumas ações visando à normalização do comércio, as viagens entre os dois países e, ainda, a abertura das Embaixadas. Assim, em janeiro de 2015, deram início às negociações e estabeleceram os pilares para a reaproximação. Uma das primeiras medidas acordadas foi a libertação de Alan Gross, detido como um preso político em 2009 pelo Governo de Cuba. Em contrapartida, a administração Obama libertou três dos cinco agentes cubanos presos nos EUA. Em maio daquele ano, os norte-americanos retiraram Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, na qual foi incluída em 1982. A retirada da lista de apoiadores do terrorismo era um dos principais entraves dessa relação, outro era o embargo econômico, questão que não foi resolvida até o fim do mandato de Barack Obama. Outro passo histórico na tentativa de reaproximação foi a visita de Obama a Havana, que foi a primeira vez que um Presidente dos EUA esteve na Ilha em 88 anos.

Desde que as rivalidades iniciaram em 1959, quando se deu a Revolução Cubana que derrubou o Governo pró-EUA, Cuba sofreu com embargo econômico. Assim, o acerto com os Estados Unidos e o relaxamento das restrições marcaram a abertura para o diálogo, inclusive com outros países. Em dezembro de 2016, por exemplo, Cuba e a União Europeia (UE) assinaram seu primeiro acordo bilateral de cooperação e diálogo político. Naquele momento, Federica Mogherini, Chefe da diplomacia da UE, ressalvou que o Bloco Europeu reconhecia que há uma mudança em curso em Cuba e quer levar esse relacionamento a novo nível.

Selo do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos

Para o Governo russo, conforme destacou a DW, essa revisão da relação entre estadunidenses e cubanos traz de volta a retórica da Guerra Fria. Já o Independente, destacou que alguns críticos da decisão de Trump argumentam que essa deliberação não passa de um estratagema para fortalecer os votos conservadores na Flórida, uma vez que o Governo dos EUA mantém estreitas relações com países denunciados por violar os direitos humanos, como é o caso da Arábia Saudita. Nessa mesma ordem de ideias, o El País pontuou que a decisão é um triunfo da linha dura, dos setores anticastristas da Flórida que apoiaram Trump durante sua campanha presidencial.

Embora o Tesouro Nacional tenha ponderado o discurso do Presidente, assinalando que as novas medidas não possuem efeito imediato, e também tenha ressalvado que elas apenas preveem uma aplicação mais rigorosa das leis que foram abrandadas pela administração Obama, o duro discurso de Trump, no entanto, fomenta a retórica “anti-Cuba”, pois ele acusa-a de amparar criminosos fugitivos, de terrorismo internacional, de vínculos com a Coreia do Norte, entre outras ações. Nesse sentido, o discurso respalda a interpretação russa, que afirma servir ao propósito de justificar uma “nova política”, aos moldes da Guerra Fria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O presidente Donald J. Trump fala com o secretário de defesa James Mattis e outros líderes seniores das forças armadas no Pentágono em Washington, DC, 27 de janeiro de 2017” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_Pentagon_2017.jpg

Imagem 2Obama e Raul Castro em um encontro oficial, em 2015” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_Cuba_e_Estados_Unidos#/media/File:President_Obama_Meets_with_President_Castro.png

Imagem 3 Selo do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Departamento_do_Tesouro_dos_Estados_Unidos

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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