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Etiópia aprofunda as relações bilaterais com as nações do Globo Sul

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Importantes fatos relacionados às relações bilaterais etíopes ocorreram na semana passada. Em certa medida, ilustram a tentativa do país em ampliar os seus parceiros comerciais e diplomáticos em um contexto desenvolvimentista adotado pelo Estado, bem como a relevância das relações Sul-Sul neste projeto.

Programa transfronteiriço para paz sustentável e desenvolvimento socioeconômico

Na última quinta feira (22 de junho), representantes dos governos do Quênia e da Etiópia, bem como representantes das Organizações das Nações Unidas e da União Europeia, encontraram-se para debater os termos do Cross Border Programme for Sustainable Peace and Socio-Economic Development. Forjado em 2015  pelo Presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e pelo Presidente etíope, Hailemariam Desalegn, o acordo constitui-se hoje em um dos principais programas de integração econômica entre duas expressivas economias da África Oriental.

Tendo como objetivo apaziguar duradouros conflitos sociais e étnicos na fronteira, ele promete instaurar a paz a partir do incremento do fluxo de mercadorias e de pessoas entre ambos os países. No encontro desta última quinta, o representante da União Europeia, Stephano Dejak, declarou que uma quantia de aproximadamente 70 milhões de dólares foi aprovada pelo Bloco para apoiar o projeto ao longo de quatro anos. Para os organismos internacionais, assegurar a paz entre ambas as nações se torna crucial para a estabilidade social, política e mercantil na região.

Uma outra tradicional e bem estabelecida relação é entre a Etiópia e a China. São inúmeras as parcerias comerciais e diplomáticas entre ambos os países, conforme já foi apresentado em outras notas neste jornal. No sentido de reiterar e aprofundar as relações que a China tem estabelecidas com o país africano, o ministro chinês das relações exteriores, Wang Yi, recebeu na semana passada o seu homólogo etíope, Workneh Gebeyehu.

Na ocasião, foram discutidas possibilidades de novos acertos entre os dois países, bem como avaliados os existentes. As pautas sobressalentes foram: o acordo de construção da ferrovia que irá da capital Addis Ababa ao porto de Djibouti, no qual a China atua como parceira na construção; e a participação da Etiópia no projeto gigante “Um cinturão, uma estrada”, encabeçado pelo presidente chinês Xi Jinping.

Neste sentido, é a partir do posicionamento da Etiópia como importante parceiro comercial e diplomático entre as nações africanas e as de outros continentes que o Governo etíope procura, a sua maneira, fixar a Etiópia como uma das principais economias do mundo emergente. No entanto, questões como liberdades civis e desigualdades socioeconômicas ainda não ocupam a mesma centralidade na agenda governamental, fato que pode minar o afã desenvolvimentista.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da África com a posição da República Democrática Popular da Etiópia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/People%27s_Democratic_Republic_of_Ethiopia

Imagem 2Programa transfronteiriço para paz sustentável e desenvolvimento socioeconômico” (FonteOrganização das Nações Unidas):

http://et.one.un.org/content/unct/ethiopia/en/home/presscenter/news/ethiopia-and-kenya-join-hands-on-cross-border-initiative.html

 

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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