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Etiópia, Obama destaca a importância da cooperação para combater Terrorismo

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Na segunda-feira, 27 de julho de 2015, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), salientou durante seu encontro com alguns países membros da União Africana (UA), na sede da Organização, em AdisAbeba, na Etiópia, a importância da cooperação com países africanos para combater o terrorismo na região. Barack Obama foi o primeiro Presidente NorteAmericano a visitar o país, bem como a sede da UA. Ao longo de sua visita, ele discutiu acordos bilaterais e ainda questões relacionados ao terrorismo promovido pelo grupo radical islamita Al Shabaab, que atua no Chifre da África, particularmente na Somália.

No início da semana, o Barack Obama afirmou durante uma coletiva de impressa que o grupo Al Shabaab não tem nada mais a oferecer do que destruição e mortes[1]. O Al Shabaab, que, em árabe significa “A Juventude”, é um grupo extremista islâmicoque se originou na década de 1990, na Somália. Esse grupo controlou boa parte do território deste país entre 2008 e 2011. Em 2012, anunciou em um vídeo que devia obediência a AlQaeda, estabelecendo assim o vínculo e suporte para suas ações transnacionais, além de conseguir captar integrantes de outras regiões da África e do Oriente Médio[2].

O Al Shabaab é considerado um grupo terrorista desde 2008.  No entanto, ainda em 2006, os Estados Unidos apoiaram as forças da Etiópia, quando essas invadiram a Somália com a finalidade de combater o domínio do grupo extremista no país. O Governo da Etiópia recebe aproximadamente 800 milhões de dólares, anualmente, em ajuda para combater o Al Shabab[3].

Com a expansão do grupo, e devido aos atentados efetuados em países como Uganda e Quênia, as forças etíopes que atuavam na Somália foram substituídas pelas tropas da Missão da União Africana para a Somália (Amisom), que, em conjunto com as tropas da Organização das Nações Unidas (ONU), tem lutado para combater a insurgência do grupo. Em 2011, essas forças aliadas conseguiram recuperar o controle sobre Mogadíscio, a capital do país, e, no ano seguinte, o controle de um dos principais portos do país[4].

Na última segunda-feira, dia 27, a Casa Branca emitiu um comunicado destacando que os Estados Unidos estão comprometidos em estabelecer parcerias com países africanos para aumentar suas capacidades de enfrentar ameaças imediatas, impostas porgrupos terroristas[5]. Em sua visita ao continente africano, o Presidente NorteAmericano passou também pelo Quênia, que faz fronteira com a Somália. O Quênia e a Etiópia possuem tropas que integram a União Africana e contam com o apoio dos EUA para combater o grupo. Na semana passada, por exemplo, os Estados Unidos realizaram seis ataques aéreos contra esse grupo em território somaliano[6].

A visita de Obama ao Quênia e a Etiópia foi bastante criticada por ativistas e políticos, especialmente no que se refere às questões vinculadas aos direitos humanos, ou melhor, à garantia desses direitos por parte desses Estados. No Quênia, o Presidente estadunidense chegou a comentar publicamente questões vinculadas aos direitos das mulheres e também dos homossexuais.

Na Etiópia, a organização Human Rights Watch (HRW) vem afirmando que a legislação “Proclamação Antiterrorismo” introduzida pelo Governo visa apenas atingir adversários políticos. Em relação a esse aspecto, Barack Obama argumentou durante coletiva de impressa que recomendou em seu encontro com Hailemariam Desalegn, PrimeiroMinistro Etíope, o incentivo aos direitos humanos, à democracia e a boa governança[7]. Em contrapartida, Desalegn afirmou que o seu país tem uma visão diferente dos Estados Unidos, mas que tem promovido a democracia, contudo de maneira mais gradual[8]. No entanto, Barack Obamaprocurou focar o encontro nas questões pertinentes à segurança, destacando, por exemplo, o papel relevante do país etíope na luta contra o Al Shabaab.

No Quênia, durante a Conferência Global de Empreendedorismo, Obama ressaltou a importância do empreendedorismo para o combate à corrupção e a melhoria do Estado de Direito[9]. Alguns analistas argumentam que visita de Obama a Etiópia deve-se, particularmente, à relevância econômico-comercial do país, uma vez que este possui uma das maiores econômicas do continente africano[10]. Nesse âmbito, é válido destacar que, atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior investidor na Etiópia. O primeiro lugar é ocupado pela China, que tem investido em diversos segmentos. Os EUA, entretanto, criticam a forma como ocorre o investimento chinês nos países africanos.

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Imagem (Fonte):

http://fotospublicas.com/obama-pede-que-governo-etiope-ajude-no-combate-ao-terrorismo/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/obama-visita-etiopia-e-discute-seguranca.html

[2] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150402_quenia_ataque_universidade_fd

[3] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/25/internacional/1437789464_715031.html

[4] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150402_quenia_ataque_universidade_fd

[5] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0Q112U20150727

[6] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/07/25/internacional/1437789464_715031.html

[7] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0Q112U20150727

[8] Ver:

http://www.dw.com/pt/obama-foca-em-seguran%C3%A7a-em-visita-%C3%A0-eti%C3%B3pia/a-18609913

[9] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0PZ0EB20150725  

[10] Ver:

http://www.dw.com/pt/seguran%C3%A7a-no-topo-da-agenda-de-obama-na-eti%C3%B3pia/a-18609466

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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