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EUA aprova exportação de tecnologias dos caças F-15 para Coreia do Sul

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Recentemente, o Governo dos Estados Unidos da América (EUA) aprovou a exportação de tecnologias da 5ª geração do caça F-15, para o desenvolvimento da geração 4.5 do Caça Coreano Experimental (KF-X), na Coreia do Sul. A transferência de 25 tecnologias confirma o eixo central do Acordo de Compensação de Defesa anexado à venda de caças Lockheed Martin F-35 à Força Aérea da Coreia do Sul. Em setembro de 2014, o Governo sul coreano assinou a compra de 40 jatos F-35 pelo valor de US$ 7 bilhões.

Entre novembro e dezembro daquele ano, alguns funcionários do Ministério de Defesa Nacional, o DAPA (Defense Acquisition Program Administration), e do Ministério de Negócios Exteriores mantiveram uma série de negociações com a empresa norte-americana Lockheed Martin e com o Governo estadunidense acerca da transferência de tecnologia dos caças F-15. No entanto, no início de dezembro os norte-americanos concederam autorização para a exportação de 21 tecnologias sensíveis, após ter trancado em abril de 2015 a transferência de 4 tecnologias centrais para o desenvolvimento das aeronaves.

O Projeto KF-X foi proposto por Kim Dae-jung, ex-presidente da Coreia do Sul, na cerimônia de formatura da Academia da Força Aérea, em 2001, no qual propôs o desenvolvimento de aviões de combate nacionais a fim de substituir os KF-16, principais aeronaves de combate do país, que foram importados na década de 1980. O programa visava desenvolver e produzir entre 120 a 250 jatos até 2013. Em 2010, a expectativa era que o programa fosse capaz de produzir jatos para atuar na guerra centrada em rede (que integra sistema de dados terra, ar e mar) a partir de 2020, bem com comercializá-las.

Ao longo dos últimos quatorze anos o programa sofreu diversas críticas e mudanças. Em dezembro de 2007, o Instituto de Desenvolvimento da Coreia (KDI) apontou que o programa KF-X não seria viável, pois o seu desenvolvimento custaria no mínimo US$ 10 bilhões, mas geraria pouco mais que US$ 3 bilhões em benefícios econômicos, tornando-o, portanto, insustentável.

Conforme anteriormente assinalado, diversas mudanças e reformulações ocorreram. Uma delas refere-se ao fato de que o país passou a receber as principais tecnologias dos Estados Unidos, sendo a entrega dos caças nacionais alterada para 2025. No presente, alguns analistas apontam que os processos dos EUA de barrar as exportações de tecnologias podem afetar e postergar a entrega desses jatos para muito além de 2025.

Nesse aspecto, vale lembrar que, em 15 de outubro deste ano (2015), Ash Carter, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, rejeitou o pedido feito por Han Min-Koo, Ministro da Coreia do Sul, que acompanhava Park Geun-hye, atual Presidente sul coreana, em uma visita aos EUA, para a liberação da transferência das tecnologias. Naquela ocasião, foi notificado que o Governo estadunidense pretende preservar a tecnologia dos caças F-35, mas que proporia formas de cooperação conjunta na área tecnológica e que isso incluiria a criação de novo órgão consultivo entre os dois países na área de tecnologia de defesa e cooperação industrial.

A principal questão diz respeito a 4 tecnologias centrais dos caças F-35, que incluem, por exemplo, o sistema de radar de varredura eletrônica e ativa (Active Electronically Scanned Array – AESA), desenvolvido para detectar alvos rapidamente em intervalos curtos de forma mais precisa que a tecnologia de outros caças. Conforme afirmado por um funcionário do DAPA e destacado pela Global Security, em outubro deste ano (2015), ao longo do processo de desenvolvimento dos caças, o país poderia enfrentar uma série de obstáculos, mas teria condições e capacidade de superá-las, ao passo que daqui a 10 anos a Coreia do Sul poderia ser um dos principais países do setor no mundo, juntamente com os Estados Unidos, Rússia e China.

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Imagem (Fonte):

http://www.globalsecurity.org/military/world/rok/fx-2.htm

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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