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[:pt]EUA atinge meta de reinstalação de refugiados sírios: 0,2% do total de deslocados no mundo[:]

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Nesta última segunda-feira, 29 de agosto, a Casa Branca afirmou ter cumprido sua meta de reassentar 10.000 refugiados sírios neste ano (2016). O total equivale a cerca de 0,2% do número total de refugiados sírios registrados junto às Nações Unidas. Muitos organismos de direitos humanos urgem aos Estados Unidos que aceitem mais refugiados da Síria. De acordo com o Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR, ou UNHCR, na sigla em inglês), atualmente, 4,808 milhões de sírios estão nesta condição.

A admissão deles em território norte-americano é parte de um programa de reassentamento anunciado pelo presidente Obama, em outubro de 2015. Sob pressão da Europa e de outros países que vem enfrentando a crise migratória global, Obama prometeu conceder status legal a pelo menos 10.000 refugiados sírios no ano fiscal de 2016. Também alocando US$ 4 bilhões para grupos humanitários que trabalham com refugiados. A meta foi atingida um mês antes do cronograma, mas a maioria dos refugiados foi admitida somente nos últimos três meses de 2016. Os meses de Junho, Julho e Agosto registraram o recebimento de cerca de 2.500 refugiados cada. Em 2015, a média mensal não passou de 250, e em anos anteriores beirava a zero.

De acordo com o Jornal The New York Times, os refugiados que chegaram da Síria desde 2012 foram alocados em 231 vilarejos e cidades. Michigan e Califórnia tomaram a maioria, com 570 e 500, reportou o The Atlantic. Alguns deles chegaram a grandes cidades como Chicago e Houston, mas a maioria foi enviada para cidades médias mais acessíveis e com maiores índices de emprego. Os refugiados recebem ajuda para encontrar trabalho e moradia, mas espera-se que se tornem autossuficientes dentro de um ano. Eles também foram instalados em localidades que já contemplassem outros imigrantes sírios – 150.000 deles já vivem no país. Boise, em Idaho, aceitou mais do que Nova York e Los Angeles juntos; Worcester, Massachusetts, aceitou mais que Boston.

Desde o início da Guerra Civil síria, em 2011, os EUA admitiram um total de quase 12.000 refugiados em solo nacional, somente 2.000 deles sendo recebidos entre 2011 e 2015. No ano fiscal de 2015, apenas 2% dos 70.000 refugiados admitidos eram sírios. A maioria era de Mianmar, Iraque e Somália.

Após parabenizar o anúncio da Casa Branca, Tarah Demant, diretora sênior da Anistia Internacional norte-americana declarou que “muitos sírios ainda estão presos em circunstâncias terríveis em campos de refugiados ou em zonas de guerra”. E que “os Estados Unidos devem fazer mais para manter sua responsabilidade de fazer todo o possível para proteger aqueles que fogem de abusos aos direitos humanos”.

Os refugiados sírios totalizam 4.808.229 no estrangeiro e 6,6 milhões de deslocados internos na Síria. Somente na Turquia vivem 2.724.937; no Líbano, 1.033.513 sírios formam cerca de um quinto da população total do país; enquanto 656.198 estão registrados da Jordânia, outros 114.911 no Egito e 249.395 no Iraque, conforme dados da ACNUR.

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ImagemSírios caminham em direção à região do Curdistão Iraquiano em 17 de agosto de 2013” (FonteACNUR/G. Gubaeva):

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/syria.php

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Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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