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EUA buscam desenvolver nova defesa antimísseis cruzadores para seu território

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O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) tem procurado desenvolver uma complexa rede de defesa com intuito de proteger suas cidades de mísseis cruzadores, particularmente oriundos da Rússia. Segundo declarações, o Pentágono planeja construir um sistema de radares que facilitem a ativação de aviões F16 da Guarda Nacional com capacidade para detectar e derrubar mísseis. Além disso, alguns generais norte-americanos assinalam a possibilidade de que balões aerost com sistemas de radares pairem sobre algumas cidades dos Estados Unidos. Adicionalmente, essa rede deve contar também com navios posicionados ao longo da costa, munidos com sensores e interceptadores de mísseis[1].

A Rússia, de acordo com alguns militares norte-americanos, está desenvolvendo mísseis cruzadores de longo alcance, os quais podem representar uma ameaça aos Estados Unidos[2]. Nesse aspecto, William Gortney, chefe do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD), ressalta que o Governo russo tem aumentado a assertividade de suas práticas militares, haja vista que, por exemplo, diversos bombardeiros russos patrulharam e adentraram no Sistema de Identificação para Defesa Aérea (ADIZ, sigla em inglês) na região do Alasca  ao longo do último ano[3]. O Governo russo vem progredido significativamente no desenvolvimento e aprimoramento de mísseis cruzadores de longo alcance[4] e o próprio chefe do NORAD reconheceu que a Rússia possui um sistema de mísseis cruzadores eficiente[5].

Adicionalmente, um dos argumentos feitos pelos apoiadores do projeto refere-se à capacidade dos Estados Unidos defenderem seu território de ameaças externa. No ano passado, durante uma Conferência sobre Sistemas de Defesa Antimíssil, o general Charles Jacoby, excomandante NORAD, afirmou que o desenvolvimento de mísseis cruzadores vem crescendo em países adversários, como aRússia e a China, e essa tecnologia representa um problema real para as atuais defesas estadunidenses[6]. Logo, tendo em vista a premissa de que um país é capaz de impor danos à sociedade estadunidense, o projeto automaticamente ganha força.

Em meio a esse quadro, o projeto para o desenvolvimento de uma complexa rede de defesa antimíssil cruzadores nos Estados Unidosvem ganhando força, sobretudo, dos setores militares. No começo do presente ano (2015), William Gortney apresentou um pedido de caráter urgente para a colocação de novos radares sobre os caças F16 que patrulham o espaço aéreo sobre Washington[7].

Recentemente, o general Gortney afirmou que o Pentágono irá encontrar uma forma de neutralizar a ameaça do míssil cruzador Kh101[8], que está sendo desenvolvido pela Rússia. Em 1992, Boris Yeltsin, então Presidente russo, anunciou a fabricação do mísseis Kh101(ogivas convencionais) e Kh102 (ogivas nucleares) que é uma variação do Kh55, podendo alcançar uma velocidade de 957 km/h e transportar uma ogiva convencional de 400kg, além disso, sua precisão é de 10 metros ao alcance de 10 mil km[9].

Tendo em vista as tensões no leste europeu, no Mar Negro e ainda as questões em torno do Ártico, as capacidades de defesa de longo alcance tem caráter essencial para as definições de estratégias do país. Todavia, autoridades do Governo russo afirmam que está se criando um ambiente de histeria antiRússia.  Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado declarando que essa histeria tem um objetivo propagandista de espalhar o mito da existência de uma ameaça militar promovida pela Rússia[10].

Por fim, compete ressalvar ainda que essa rede antimíssil tem como objetivo captar mísseis com menor porte, mas funciona em conformidade com sistemas balísticos de defesa antimísseis. Essas complexas e robustas redes de defesa antimíssil possuem um alto custo de investimentos financeiros do Estado. No início deste ano, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos havia solicitado em torno de 8,8 bilhões de dólares para o orçamento de 2016, que deve abarcar os investimentos e aprimoramentos de todos os sistemas de defesa de mísseis do país. Estima-se que uma parte desse montante possa ser destinada ao projeto de defesados mísseis cruzadores[11].

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Imagem (Fonte):

http://www.davidicke.com/headlines/pentagon-building-cruise-missile-shield-to-defend-us-cities-from-russia/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.defenseone.com/threats/2015/06/pentagon-building-cruise-missile-shield-defend-us-cities-russia/115723/

[2] Ver:

http://freebeacon.com/national-security/northcom-russian-cruise-missile-threat-to-u-s-grows/

[3] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/eua-afirmam-que-bombardeiros-russos-invadiram-seu-espaco-aereo/

[4] Ver:

http://www.defense.gov/news/newsarticle.aspx?id=128355

[5] Ver:

http://sputniknews.com/us/20150619/1023606597.html

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

http://www.infowars.com/pentagon-building-cruise-missile-shield-to-defend-us-cities-from-russia/

[8] Ver:

http://www.washingtontimes.com/news/2015/jun/19/advanced-russian-cruise-missiles-prompts-pentagon-/

[9] Ver:

http://missilethreat.com/missiles/kh-101-102/

[10] Ver:

http://sputniknews.com/us/20150619/1023606597.html  

[11] Ver:

Idem.

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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