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EUA celebra acordo de exportação de carne bovina para a China

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No último dia 11 de maio, os Estados Unidos da América (EUA) e a República Popular da China anunciaram os resultados iniciais do “Plano de Ação de 100 Dias”, acordado no início de abril deste ano (2017). Os líderes dos dois países estabeleceram acertos comerciais que envolvem alguns pontos centrais de disputas entre EUA-China, os quais envolvem setores de serviços financeiros, energia e comércio agropecuário. O acordo visa reduzir o déficit comercial dos norte-americanos com os chineses, que no ano passado (2016) foi de aproximadamente 350 bilhões de dólares. Ademais, o mercado chinês é o principal destino das exportações de produtos agrícolas dos Estados Unidos, que em, 2016, totalizaram cerca de US $ 21,412 bilhões, e vem crescendo 1.100% desde 2000.

No início de abril, Xi Jinping, Presidente da China, reuniu-se na Flórida com Donald Trump, Presidente estadunidense, quando definiram pautas a serem estipuladas dentro de 100 dias. Os dois Presidentes destacaram na ocasião a importância da relação bilateral entre as duas maiores economias do planeta. Naquele momento, Trump atenuou as severas críticas feitas à China durante sua campanha presidencial, quando acusava o Governo chinês de adotar políticas comercias injustas, além de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para beneficiar as exportações do seu país. Apesar das críticas, o Governo Trump afirmou mais recentemente a possibilidade de usar questões de disputas comercias com a China como espécie de moeda de troca, caso o Governo chinês se disponha a cooperar na ameaça representada pela Coreia do Norte.

Nesse aspecto, contudo, Zhu Guangyao, Vice-Ministro das Finanças chinês, segundo a BBC, ressalvou que as questões econômicas não deveriam ser politizadas, e que sua equipe se concentrou apenas na relação comercial e econômica. Ademais, assim como os Estados Unidos, a China também busca ampliar seu acesso ao mercado. Nesse âmbito, analistas argumentam que tanto os Bancos quanto o segmento de aves chinesas, que sofre uma série de restrições à importação, deverão ser beneficiados pelo acordo.

Fonte: Brahman Baby – Wikipedia

Alguns analistas assinalam, entretanto, que essa flexibilização para a importação de aves chinesas visa uma reciprocidade quanto à carne bovina estadunidense. De acordo com o comunicado da administração Trump, o acerto prevê que Pequim autorizará até 16 de julho as importações de carne bovina, data que marca o centésimo dia das negociações. Desde 2003, a China suspendeu a compra de carne bovina oriunda dos EUA, em virtude da descoberta de um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “mal da vaca louca”. A doença foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985. A EEB provoca a degeneração do sistema nervoso central, que provoca a morte dos animais. A ingestão de alimentos ou derivados contaminados pode resultar na perda da coordenação motora, demência e morte.

O primeiro caso de EEB nos Estados Unidos foi registrado no Estado de Washington (Oeste do país) há 13 anos. Na ocasião, Japão e Coreia do Sul, que consistiam nos dois maiores mercados consumidores de carne bovina estadunidense suspenderam a importação. A medida foi seguida por outros países como Tailândia, Malásia, Austrália, Rússia, África do Sul, China entre outros. O episódio provocou a queda nas exportações norte-americanas em todo mundo, que passaram de US$ 3 bilhões, em 2003, para 1,1 bilhão de dólares, no ano seguinte.

Assim, há anos existe uma forte pressão do setor dentro dos EUA para o restabelecimento do comércio de carne bovina com a China. No ano passado (2016), o Governo chinês chegou a levantar a proibição de importação da carne de procedência norte-americana, entretanto o intercâmbio comercial foi baixo. Em pronunciamento à imprensa, Wilbur Ross, Secretário de Comércio dos Estados Unidos, conforme destacou The Guardian, a relação EUA-China está alcançando um novo patamar, particularmente no que tange ao comércio. Para Ker Gibb, presidente da Câmara Americana de Comércio de Xangai, as medidas representam um bom começo, mas não um avanço, segundo ressaltou a Reuters. No mesmo sentido, Christopher Balding, professor de finanças da Universidade de Pequim, também segundo The Guardian, destacou que, embora não seja um grande anúncio, ele também não é irrelevante. Balding pontua ainda que é difícil precisar se as relações entre os dois países estão em outro patamar, haja vista o comportamento inconstante do Presidente estadunidense.

Fonte: Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina – Wikipedia

Assim como ocorreu com os Estados Unidos, em 2012 o Brasil teve suspensa a importação de carne bovina pela China, em virtude de casos de Encefalopatia Espongiforme Bovina. Naquele ano, as exportações brasileiras para o mercado chinês totalizaram cerca de US$ 37,7 milhões. Em 2014, o Brasil aceitou receber uma missão técnica chinesa que iria reavaliar as condições da carne brasileira. No ano seguinte, os dois países assinaram um acordo sanitário que viabilizaria a retomada da importação de carne bovina brasileira.

Neste ano (2017), após a Operação Carne Fraca, que apontou a fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, a China havia anunciado a restrição temporária da importação de carne, mas, no dia 25 de março, o Governo chinês anunciou a reabertura dos mercados à carne brasileira. Segundo Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (ABIEC), conforme o Notícias Agrícolas, a perspectiva é de que o Brasil aumente suas exportações de carne bovina que no ano passado foi de 300 mil toneladas, isso porque outros fornecedores como, por exemplo, Austrália e Estados Unidos, não serão capazes de atender a evolução do mercado chinês.

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Fontes Imagens:

Imagem 1Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Estados_Unidos#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Brahman Baby(Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bovinos#/media/File:Brahman_Baby.jpg

Imagem 3 Gado com Encefalopatía Espongiforme Bovina” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Encefalopat%C3%ADa_espongiforme_bovina

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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