LOADING

Type to search

Share

No último dia 7 de maio, o Pentágono comunicou que os Estados Unidos da América (EUA) iniciaram oficialmente o treinamento das forças rebeldes moderadas da Síria para auxiliar no combate contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). Desde o ano passado (2014), o Governo norteamericano vem liderando uma força de coalizão internacional que iniciou em agosto com ataques aéreos no Iraque e se estendeu no mês seguinte para a Síria para combater o grupo jihadista. O treinamento das forças rebeldes será realizado na Arábia Saudita, Jordânia, Qatar e Turquia[1].

No começo de 2015, os Estados Unidos anunciaram um programa para formar e treinar os rebeldes moderados sírios e, para tanto, o Congresso NorteAmericano aprovou um orçamento de US$ 500 milhões para financiar este programa de treinamento e enviará cerca de 5 mil combatentes ao longo do próximo ano[2]. Atualmente, cerca de 350 dos 450 soldados da coalizão envolvidos na condução do treinamento são norte-americanos.

De acordo com Ash Carter, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, os grupos para treinamento serão formados por indivíduos previamente investigados. Assim, Carter reforçou que o Governo estadunidense está fazendo um esforço cauteloso, em parte para limitar riscos de que combatentes treinados pelos Estados Unidos possam cometer violações aos direitos humanos[3]. O Secretário de Defesa ressaltou também que “primeiro de tudo, estes são indivíduos altamente controlados. Isso é uma parte importante do programa. Segundo, o treinamento ocorre em um local seguro. E, terceiro, é claro, os nossos homens que estão participando do treinamento são muito experientes neste tipo de formação, incluindo em procedimentos de segurança[4].

Segundo o Governo norteamericano mais de 3.750 rebeldes se voluntariaram para receber o treinamento, entretanto, apenas 400 passaram pela primeira triagem. O Pentágono pontuou que serão necessários 3 anos para treinar 15 mil rebeldes sírios[5]. No entanto, alguns membros do Congresso dos Estados Unidos e alguns grupos de rebeldes sírios expressaram dúvidas quanto à eficiência do programa, afirmando que o mesmo é demorado e muito pequeno.

O Secretário de Defesa Estadunidense reconheceu, entretanto, que serão necessários vários meses para que se possa enviar o primeiro grupo para as zonas de combate[6]. O primeiro grupo será composto por 90 sírios, que serão remunerados e receberão treinamento, equipamento militar e habilidades básicas, que incluem armas de fogo, comunicação e comando de capacidades de controle. Além disso, quando os rebeldes moderados sírios retornarem para o território sírio, eles deverão receber algum tipo de apoio, ainda não definido, nas operações de combate. Nesse aspecto, Carter argumentou que “nós ainda não determinamos todas as regras de engajamento […] mas reconhecemos que temos alguma responsabilidade em apoiá-los[7].

O Governo da Jordânia confirmou que o treinamento dos rebeldes iniciou há vários dias. De acordo com declarações de Mohammed Momani, PortaVoz do Governo Jordaniano, a “Jordânia confirma que a guerra contra o terrorismo é a nossa guerra, e é a guerra dos muçulmanos e árabes, em primeiro lugar, para proteger os nossos interesses e a segurança dos nossos países, povos e para o futuro dos nossos filhos, e para defender a nossa religião tolerante[8].

O programa para treinar os rebeldes sírios assinala o aprofundamento do envolvimento do Governo norteamericano na guerra civil Síria. Esta deslocou milhões de suas casas desde 2011 e matou em torno de 220 mil pessoas. Para Martin Dempsey, General-chefe das Forças Armadas, “eu acredito que a situação está tendendo menos favorável para o regime. E se eu fosse ele, eu iria encontrar a oportunidade de olhar para a mesa de negociações[9]. No entanto, a postura adotada pelo Governo norteamericano recebeu críticas de alguns aliados da coalizão, por quererem dirigir as ações dos rebeldes contra o EI em detrimento do combate ao Governo de Bashar alAssad[10].

——————————————————————————————-

Imagem (Fonte):

http://www.france24.com/en/20150507-us-military-starts-training-syrian-rebels-islamic-state-is

——————————————————————————————-

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/us-begins-training-syrian-fighters-in-jordan-to-tackle-islamic-state/a-18438009

[2] Ver:

 

[3] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0NS2KF20150507

[4] Ver:

http://www.dw.de/us-begins-training-syrian-fighters-in-jordan-to-tackle-islamic-state/a-18438009

[5] Ver:

http://www.dw.de/us-begins-training-syrian-fighters-in-jordan-to-tackle-islamic-state/a-18438009

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

http://uk.reuters.com/article/2015/05/07/us-syria-crisis-usa-idUKKBN0NS1SF20150507

[8] Ver:

http://www.dw.de/us-begins-training-syrian-fighters-in-jordan-to-tackle-islamic-state/a-18438009

[9] Ver:

http://uk.reuters.com/article/2015/05/07/us-syria-crisis-usa-idUKKBN0NS1SF20150507

[10] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/05/eua-comecam-a-treinar-rebeldes-sirios-moderados-20150507152004910466.html

 

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.