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EUA destruíram seus próprios aviões no Afeganistão

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No último domingo, 26 de outubro de 2014, a tropa de fuzileiros navais dos Estados Unidos da América (EUA) e as últimas tropas da Grã-Bretanha deixaram a base de Helmand no Afeganistão[1]. Essa foi a guerra mais longa da qual os EUA participaram, que teve início há 13 anos, com a derrubada do regime do Talibã em 2001, na chamada “Guerra ao Terror”.

Ainda no começo do ano o Governo norte-americano anunciou a retirada total das tropas no Afeganistão. Assim, a presença militar dos Estados Unidos no território afegão, após 2014, deverá ser contingenciada pela assinatura de um Acordo de Segurança Bilateral entre os dois países. Contudo, deverão permanecer até 2015 cerca de 9.800 soldados, sendo que até o final do próximo ano esse número deverá ser reduzido à metade, para que em 2016 a presença militar dos EUA seja limitada à de uma embaixada normal, com o auxílio de um escritório de segurança em Cabul, como foi feito no Iraque[2].

Vale destacar que os EUA gastaram em longo prazo entre 4 e 6 trilhões de dólares com as guerras do Afeganistão e no Iraque[3]. Com a retirada das tropas, o Exército norte-americano deixou em Helmand cerca de US$ 230 milhões em equipamentos e armas[4]. No entanto, no início de outubro, notícias apontavam que cerca de US$ 1,5 bilhão dos impostos dos cidadãos norte-americanos foram “jogados no lixo”.

De acordo com peritos, foram destruídos 16 aviões militares de transporte (o G.222, de fabricação italiana) em um aeródromo de Cabul. As aeronaves haviam sido adquiridas pelo Pentágono para o Exército afegão, mas nunca foram entregues. Apenas 4 dos 20 aviões comprados ficaram intactos e encontram-se numa base da Força Aérea na Alemanha.

Esses aviões G.222 adquiridos pelos norte-americanos praticamente não voaram devido à falta de peças sobressalentes e, desde março de 2013, ficaram completamente parados. De acordo com John Sopko, Inspetor Militar dos EUA, as aeronaves foram destruídos por escavadoras próximo do aeródromo de Cabul[5].

Segundo Nikita Mendkovich, Perito do Centro de Estudos do Afeganistão Contemporâneo, essa não foi a primeira vez que ocorreu esse tipo de escândalo com os serviços de retaguarda norte-americanos em Cabul. Anos atrás foi descoberto o roubo de combustível pelo pessoal norte-americano. Para Mendkovich, “trata-se de um fenômeno por si só desagradável para os EUA, mas dificilmente provocará quaisquer convulsões políticas. Este exemplo parece mostrar mais a ineficácia da gestão, mostrada por atos tão estranhos[6].

Outro fato que chama a atenção sobre o caso dos aviões G.222 refere-se ao fato de que o exército do Afeganistão não tinha pilotos preparados para pilotar esse tipo de aeronave, razão pela qual alguns analistas questionam o motivo real do Pentágono fornecê-los às tropas afegãs. Para alguns estudiosos, o caso pode estar relacionado à corrupção quanto a falsa promessa de auxílio, haja vista que ao longo dos anos o Governo norte-americano não estendeu para o Exército afegão o acesso a armamentos pesados[7].

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Imagem (Fonte):

http://noticiasmilitares.blogspot.com.br/2014/10/norte-americanos-destruiram-seus.html#.VE8PYvnF_-s

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0IF0FT20141026

[2] Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-05-28/obama-planeja-encerrar-presenca-militar-dos-eua-no-afeganistao-ate-2016.html

[3] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2013/03/29/interna_mundo,357484/guerras-do-iraque-e-afeganistao-vao-custar-entre-us-4-e-6-trilhoes-aos-eua.shtml 

[4] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_10_28/Retirada-de-tropas-do-Afeganistao-depressa-demais-e-cedo-demais-8814/

[5] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_10_19/Norte-americanos-destru-ram-seus-pr-prios-avi-es-no-Afeganist-o-7326/

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

Idem.

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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