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Na segunda-feira passada, dia 1º de agosto, representantes dos Estados Unidos da América (EUA) e da República de Angola reuniram-se em Washington, capital estadunidense, para o III Diálogo Energético Estratégico entre os países. O encontro teve como propósito discutir e renovar a relação bilateral no setor de energia entre EUA e Angola, que não teve grandes avanços desde 2011.

34e521b8-6616-4040-9a6e-3dd37aae1c7b_lOs dois Estados estabeleceram relações diplomáticas em 1993, apesar de Angola ter se tornado independente de Portugal em 1975. Em julho de 2010, norte-americanos e angolanos assinaram o Diálogo de Parceria Estratégica. Quatro anos mais tarde, em dezembro de 2014, Georges Chikoti, Ministro das Relações Exteriores de Angola, reuniu-se com John Kerry, Secretário de Estado dos EUA, quando discutiram temas de ordem regional e global, além de questões relacionadas ao comércio, investimentos em energia, cooperação militar, segurança, direitos humanos, entre outros.

De acordo com um comunicado emitido na semana passada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, Amos Hochstein (do Departamento de Estado norte-americano e coordenador de Assuntos Energéticos Internacionais), juntamente com Christopher Smith (o responsável pelo setor de Combustíveis Fosseis do Departamento de Energia dos EUA) encontraram-se com os representantes angolanos José Maria Botelho de Vasconcelos, Ministro do Petróleo, e com João Baptista Borges, Ministro de Energia e Águas, a fim de debater iniciativas e investimentos no setor.

Além disso, os representantes discutiram questões relacionadas à segurança operacional e também sobre o impacto das instalações petrolíferas no meio ambiente. O comunicado ressalta ainda a necessidade de mudar regulamentações do setor petrolífero angolano, de forma a atrair mais investimentos privados. Por fim, as delegações destacaram a necessidade de promover mais encontros, e de forma regular, para que se possa estabelecer e avaliar os progressos.

Estimativas do Departamento de Energia dos Estados Unidos (U.S. EIA, na sigla em inglês), apontam que Angola detém uma reserva de cerca de 8,4 bilhões de barris de petróleo bruto. A descoberta do petróleo angolano ocorreu em 1955, no entanto, segundo informações do EIA, o país experimentou um boom no setor entre 2002 e 2008, quando a produção média anual cresceu cerca de 15%. O crescimento na produção deveu-se aos investimentos na exploração das reservas em águas profundas no Atlântico Sul, descobertas ainda nos anos de 1990. A região costeira angolana detém inestimáveis recursos naturais e minerais, assim como ocorre no Golfo da Guiné e na costa do Brasil.

Ressalte-se que o setor petrolífero desempenha um grande papel na economia de Angola. Para ser ter uma ideia, no período entre 2011-2013, o setor foi responsável por, aproximadamente, 95% das exportações do país, representando 45% do seu Produto Interno Bruto (PIB). No presente, Angola é o segundo maior fornecedor de petróleo da África subsaariana para o mercado estadunidense, ficando atrás apenas da Nigéria, de onde os Estados Unidos importam, em média, 238 mil barris por dia (Bpd). Entre os meses de janeiro e maio, os EUA importaram a média de 173 mil Bpd de Angola, o que representa, aproximadamente, 10% das exportações desse país. Esse foi o melhor registro de intercâmbio no setor desde 2013, sendo que o mês de abril teve maior intercâmbio, quando foram comercializados aproximados 242 mil Bpd. Contudo, no mês seguinte, foram entregues apenas 161 mil Bpd.

Em 2015, o país produziu aproximados 1,8 milhão de barris por dia de petróleo bruto. Já nos cinco primeiros meses deste ano (2016), Angola teve uma produção média de 1,7 milhão de barris dia de petróleo bruto. Vale destacar que cerca de 50% da produção teve como destino o mercado da China.

O intercâmbio entre EUA e Angola diminuiu após o aumento da produção de petróleo estadunidense, que passou de 10 para 14 milhões, entre o período de 2012 e 2015, o que mudou o papel norte-americano no mercado mundial. Essa mudança se deve ao fraturamento hidráulico, o chamado “fracking”, que ocorre através da injeção de água e líquidos químicos nas rochas subterrâneas. Assim, no presente, os Estados Unidos são os maiores produtores de petróleo e derivados, com aproximadamente 15 milhões Bpd; em seguida vem Arábia Saudita, com cerca de 12 milhões; e, em terceiro, a Rússia, com 11 milhões de barris por dia.

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Imagem (Fonte):

http://www.us-angola.org/home

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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