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EUA e ciberataques ao Estado Islâmico

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Em função da forte presença do Estado Islâmico (EI) no ciberespaço, usando telecomunicações modernas, transferências de dinheiro, venda de mercadorias no mercado negro e o uso de comunicações criptografadas, os Estados Unidos lançaram uma nova campanha de ciberataques contra o EI.

Em um comunicado reportado pelo jornal The New York Times, em 24 de abril de 2016, o Secretário Adjunto de Defesa dos Estados Unidos*, Robert Work, enalteceu a nova iniciativa de ataques cibernéticos ao Estado Islâmico, declarando: “estamos soltando ciber-bombas, nunca fizemos isso”. O comentário foi recebido com certa hesitação da Conselheira de Segurança Nacional**, Susan E. Rice, ao tratar do assunto, devido ao caráter cirúrgico e altamente preciso dos ataques.

Esse novo viés de combate ao Estado Islâmico representa mais uma medida da administração do presidente Barack Obama na tentativa de conter o avanço do Estado Islâmico. A nova campanha esta sendo coordenada pelo Comando Ciber (US Cyber Command), um ramo militar da Agência de Segurança Nacional (NSA). Seu objetivo é desestruturar e prejudicar as comunicações, recrutamento e financiamento do EI.

Para tanto, as comunicações do grupo terrorista foram monitoradas e estudadas, agora o Comando Ciber norte-americano planeja se passar por membros de alto escalão do EI, mandando soldados do grupo para áreas vulneráveis a ataques das tropas no solo ou drones, desviando recursos financeiros, prevendo ataques e revigorando defesas em função do conhecimento de ataques futuros, decorrentes do monitoramento das comunicações.

A transparência desse comunicado possui um valor estratégico para os EUA, pois, em um primeiro momento, rebate as críticas de operações obscuras e falta de transparência, bem como comunicação com o público, por parte da NSA, principalmente após as revelações de E. Snowden, em 2013, a respeito do monitoramento em massa de diversos cidadãos.  Em um segundo momento, tenta desestabilizar o EI, criando dúvidas a respeito de suas próprias comunicações e desencorajando potenciais novos recrutas que tentariam contatar o grupo.

De fato, essa nova frente de ataque ao Estado Islâmico representa uma mudança drástica na política do ciberespaço norte-americano. Antes, os esforços do Comando Ciber, pelo menos oficialmente, objetivavam a defesa e retaliação contra ataques de países como Rússia, China e Irã. Em parte, a demora para um pronunciamento oficial a respeito de esforços de espionagem e/ou combate no ciberespaço se deve em função de controvérsias e desafios à soberania de outros Estados Nacionais que um ataque virtual carrega. No entanto, os EUA e a maior parte da comunidade internacional não reconhecem o Estado Islâmico como um Estado Nacional, de fato. A nova iniciativa representa, assim, uma nova face de interação que está evoluindo rapidamente nos cenários de guerra atuais.

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* No Brasil, o cargo correspondente é o de Vice-Ministro da Defesa.

** Não há cargo correspondente no Brasil.

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Imagem (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:USAF_Cyberwarriors.jpg

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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