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EUA e Coreia do Norte: a escalada das tensões em meio a busca por estabilidade

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Em seu primeiro discurso como presidente dos EUA na Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua 72a Sessão, o presidente Donald Trump manteve o enfoque beligerante contra o regime norte-coreano de Kim Jong-un.

Pintura de Kim Il-sung e Kim Jong-il no topo da Montanha Baekdu

O tom e as ações empregadas até o momento por Washington e Pyongyang têm rendido apreensão à comunidade internacional, que se esforça para que questões diplomáticas voltem a ser prioritárias na tensa disputa na península coreana. Nesse sentido, de acordo com órgãos de imprensa, e confirmado por suas respectivas chancelarias, EUA e China têm mantido diálogo contínuo no curso das últimas duas semanas.

Através de uma declaração emitida pela Casa Branca, no dia 18 de setembro, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiram a crise norte-coreana por telefone e apontaram “o contínuo desafio da Coreia do Norte à comunidade internacional e seus esforços para desestabilizar o Nordeste da Ásia”.

A declaração entregue à imprensa ainda aponta que “os dois líderes se comprometeram a maximizar a pressão sobre a Coreia do Norte por meio da aplicação vigorosa das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

Na versão chinesa da aproximação bilateral, a discussão sobre a Coreia do Norte foi significativamente minimizada e relegada a uma única frase: “Os dois líderes também trocaram pontos de vista sobre a situação atual na península coreana”.

Embora o Ministério das Relações Exteriores da China tenha se apressado em produzir uma declaração mais sucinta, alguns especialistas apontam que a ansiedade mútua em relação à crise é evidente. Beijing tende a demonstrar menos disposição em comparação aos Estados Unidos em condenar publicamente Pyongyang, em parte por razões culturais e geoestratégicas.

Pintura Leonid Li que ilustra soldados supostamente estadunidenses torturando uma jovem norte-coreana

Entretanto, a versão chinesa do diálogo entre os dois líderes demonstra também o firme compromisso de Xi Jinping de “realizar a desnuclearização da península coreana”, o que pode indicar uma crescente frustração com o regime de Kim Jong-un.

Segundo Michael D. Swaine, do Programa Ásia do Carnegie Endowment for International Peace, há, contudo, a necessidade de formuladores de políticas nos Estados Unidos, China, Coreia do Sul e Japão adotarem uma abordagem mais realista, centrada na dissuasão, contenção e uma série de medidas de gerenciamento de crises.

Mediante tal conjuntura, o uso da força, ou outra opção de alto risco contra a República Popular Democrática da Coreia (DPRK, na sigla em inglês), não oferece chance de sucesso sem o apoio total e voluntário da República da Coreia (ROK, na sigla em inglês). Sem esse amparo, um ataque dos EUA à Coreia do Norte provavelmente enfraqueceria a aliança com Seul, minando, a curto prazo, os esforços para controlar e concluir com êxito o conflito.

Com base nesse resultado hipotético, a histórica aliança EUA-ROK perderia em credibilidade, o que poderia acarretar em que Seul e Tóquio busquem a aquisição futura de armamento nuclear como um processo de dissuasão, criando um ambiente de segurança regional mais instável do que o atual.

Ainda em complemento ao exposto por Michael Swaine, em seu artigo intitulado, “Time to Accept Reality and manage a Nuclear-Armed North Korea”, a condicionante para a liderança norte-coreana é de utilizar seu arsenal nuclear principalmente como impedimento a um eventual ataque, mas também como símbolo da potência e do status do regime.  Ou seja, é uma ferramenta de propaganda doméstica e fonte de extorsão de benefícios de outros países e potencial meio de influência política e crescimento econômico através da exportação de materiais e tecnologia nuclear.

Com um quadro de grande instabilidade, na qualidade de líderes globais com responsabilidades pela manutenção do status quo vigente, é provável que Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Japão e Rússia se concentrem na contenção através de mecanismos de gerenciamento de crises e canais de comunicação, enquanto implementam novas medidas para excluir a escalada militar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Pintura de Leonid Li que dialoga sobre o esforço nortecoreano na Guerra da Coreia” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/33588110483/in/photolist-Tb4R4a-UpCyyM-Tb4jqB-T8fBh9-UpCPbn-UkX4Vm-NZ3nW3-NZ3mHw-NZ3ndE-EzjvUR-EzjvGX-AGDoXW-P7a8wj-btbf6z-T8fEU9-UazZQ5-UpCfLx-UazYXy-Pbkeft-PbkdXK-EAj5zB-P3wGh6-PbkdcX-EAj6TZ-AHBr97-EAj5rF-Pbkd14-AHBr6w-EAj5JV-P3wF56-P3wG5c-EAj6PF-EAj5pg-P3wETz-P13vGN-PbkcvB-TPDS67-TPE5Y1-UaAce7-TPE6e1-Ud6RAg-Tb4xzc-UpCLf2-UpD8Dp-Ud6YeM-Tb4MXk-UaAgum-Tb4NKn-Tb4iVD-Tb4yqv

Imagem 2Pintura de Kim Ilsung e Kim Jongil no topo da Montanha Baekdu” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Coreia_do_Norte#/media/File:Sinpyong_Lake,_North_Korea_(2921982738).jpg

Imagem 3Pintura Leonid Li que ilustra soldados supostamente estadunidenses torturando uma jovem nortecoreana” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/33556265874/in/photolist-T8fCLb-Tb4Qmi-T8fBPm-UpCMa8-UaAbz1-Tb4xc8-TPDSq5-UazZsw-TPE5RC-UpCNjH-Tb4Nve-Tb4qUi-HTXt1U-hpcwjK-Nn2nXz-XUvR4G-T6bLkD-M3kwMS-WzFQQo-W41mG1-WzFQzy-WDhx4c-Vn6139-VHE4eb-LGmZGq-tohJkk-DNvpHJ-DQFCfV-D2xaLH-DYVWp8-DqrNET-DqrMRP-D2cYiw-DNvnNb-DWB9ij-DwPxPw-x57PGz-owf1Py-wxjLfA-ovZKm6-x4JE4b-wZNjbk-wLwYH5-wBs4CJ-wShY6q-ouFWJi-wgV1TG-ouf68E-wShT7h-x5Ka4o

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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