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EUA e UE intensificam sanções impostas à Rússia

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Na sexta-feira, dia 12 de setembro, os Estados Unidos divulgaram uma nova leva de sanções contra a Rússia que visam intensificar as retaliações às ações desse país na Ucrânia, as quais o Governo estadunidense considera como sendo uma invasão militar no país.

As medidas impostas estão direcionadas aos principais Bancos e empresas de defesa e energia russas, como Sberbank, Rosneft, Transneft, Gazprom Neft, Oboronprom, United Aircraft Corporation e Uralvagonzavod. A decisão resultou de um esforço conjunto entre os Estados Unidos e a União Europeia que sustentaram a possibilidade de amenização das sanções caso haja avanço em direção a acordos de paz na região. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew, declarou que “these steps underscore the continued resolve of the international community against Russia’s aggression” (“estes passos ressaltam a determinação contínua da comunidade internacional contras a agressão da Rússia”, em tradução livre)[1], apesar do recente, embora considerado frágil, cessar-fogo no leste da Ucrânia entre rebeldes pró-Rússia e tropas do governo ucraniano[1].

Um oficial sênior da Casa Branca esclareceu que o objetivo das sanções é levar a Rússia a retirar completamente suas forças militares, equipamentos militares e apoio a mercenários em território ucraniano, além da libertação de reféns ucranianos[2]. A Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN) afirmou que ainda permanecem no leste da Ucrânia aproximadamente mil militares russos e na fronteira com a Rússia aproximadamente vinte mil soldados, embora o Governo russo tenha negado, defendendo que seus soldados em território ucraniano são voluntários.

Na Reunião de Cúpula realizada no País de Gales, no dia 4 de setembro, a OTAN reiterou seu apoio à Ucrânia, “we highly value Ukraine’s contributions to our operations and the NATO Response Force. Ukraine has stood by NATO. Now in these difficult times, NATO stands by Ukraine[3] (“nós valorizamos altamente as contribuições da Ucrânia para nossas operações e para a Força de Resposta da OTAN. A Ucrânia ficou com a OTAN, a OTAN mantém a Ucrânia”, tradução livre) disse o secretário Geral da Organização, Anders Fogh Rasmussen, defendendo igualmente que uma Ucrânia independente, soberana, estável e comprometida com a democracia e o rule of law (Estado de Direito) é essencial para “a segurança Euro-Atlântica[3].

As sanções afetarão diretamente os esforços da Rússia na perfuração de petróleo no Ártico para o desenvolvimento de recursos futuros ao país. O projeto envolve uma joint-venture entre a empresa russa de petróleo e energia Rosneft e a gigante de petróleo estadunidense Exxon Mobil, que teve início no mês de agosto quando o presidente russo Vladimir Putin realizou uma teleconferência com o CEO da Rosneft, Igor Sechin e o CEO da Exxon, Glenn Waller, quando ambos se encontravam no Mar de Kara (Oceano Ártico). De acordo com Sechin, essa parceria de 500 bilhões de dólares representa o evento mais importante do ano para a indústria global de gás e petróleo e defendeu que o desenvolvimento de exploração no Ártico trará “efeitos multiplicadores enormes para toda a economia russa[4].

A previsão é que em curto prazo as sanções não afetem a exploração de poços terrestres de petróleo convencionais e ao longo das bordas rasas de mares interiores e sim a perfuração em longo prazo, de cinco a dez anos. Essas medidas poderão romper com um dos vínculos mais importantes ainda remanescentes entre o Ocidente e a Rússia, visto que a área de cooperação mais forte entre os dois é na indústria de energia, onde empresas estadunidenses como a Exxon e a Chevron possuem joint-ventures com empresas estatais de petróleo russas como a Rosneft e a Gazprom. Porta-vozes da Royal Dutch Shell e British Petroleum (BP) também manifestaram suas preocupações quanto às sanções e anunciaram estar “mantendo controle sobre os avanços da situação[5]. De acordo com Jacob Lew, as ações tomadas poderão também prejudicar economias ocidentais, mas foram elaboradas de modo que salvaguardassem os mercados financeiros globais e a economia global[6].

Ao mesmo tempo, as medidas anunciadas têm por objetivo “excluir” o principal Banco russo, o Sberbank, que possui seus serviços utilizados por 70% da população russa[7]. Isso significa uma imposição de limites ao acesso de mercados de capitais estadunidenses e europeus dificultando a obtenção, por parte de Bancos russos, de crédito em capitais estrangeiros para além de empréstimos em curto prazo.

Limitar os principais Bancos russos e empresas a empréstimos de trinta dias poderá levar a uma crise de crédito no país ainda ao final de 2014, período previsto para a consolidação de 25 bilhões de dólares em dívida corporativa externa da Rússia. Outrossim, Sergei V. Chemezov, o diretor-geral do conglomerado estatal russo voltado à indústria de defesa, Rostec, foi inserido na lista dos indivíduos proibidos de viajar e que possuem seus bens congelados em território europeu. A partir de sexta-feira, dia 12 de setembro, a Rostec teve suspendido o seu acesso à dívida de médio a longo prazo nos Estados Unidos[8].

O Ministério das Relações Exteriores Russo declarou que irá responder prontamente à essamedida hostile o Kremlin tomou imediatamente a decisão de banir a maior parte de suas importações de alimentos vindas do Ocidente, assim como anunciou que tomará medidas mais vigorosas caso necessário, como a de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em pronunciamento, o presidente Putin disse que não compreendia qual era o motivo para essas sanções acrescentando que “maybe someone is unhappy that the process is taking a peaceful path” (“talvez alguém esteja infeliz que o processo esteja tomando um caminho pacífico”, tradução livre)[9]. Por sua vez, o ministro das relações exteriores russo Sergei Lavrov afirmou que Moscou reagiria de maneira calma e adequada, defendendo, primordialmente, os interesses da Rússia.

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Imagem (Fonte):

http://uk.reuters.com/article/2014/09/11/uk-ukraine-crisis-usa-sanctions-idUKKBN0H623X20140911

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-29178475

[2] Ver:

http://www.theglobeandmail.com/news/world/eu-imposes-new-economic-sanctions-on-russia-over-ukraine/article20572889/

[3] Ver:

http://www.nato.int/cps/en/natohq/news_112459.htm

[4] Ver:

http://www.businessweek.com/articles/2014-09-12/new-russia-sanctions-could-halt-exxons-artic-drilling-with-rosneft

[5] Ver:

http://rt.com/news/186816-oil-exploration-russia-sanctions/

[6] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/09/13/world/europe/european-union-details-tightened-sanctions-against-russia.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&version=HpSumSmallMediaHigh&module=first-column-region&region=top-news&WT.nav=top-news&_r=0

[7] Ver:

http://www.sberbank.ru/en/about/about_sberbank/

[8] Ver:

Idem 6

[9] Ver:

Idem 1

Sophia Zaia - Colaboradora Voluntária Júnior 2

Graduanda em Relações Internacionais pelo Centro Universitário Curitiba-UNICURITIBA. Realizou, no ano de 2011, intercâmbio institucional na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, no curso de Relações Internacionais. Foi bolsista pelo Canadian Bureau for International Education (CBIE), no programa Emerging Leaders in the Americas Program (ELAP), no período de janeiro a maio de 2012, na Universidade de Winnipeg, nos cursos de International Development Studies e Conflict Resolution Studies. É atualmente bolsista da FUNADESP na área de estudos em Hegemonia Econômica dos Estados Unidos.

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