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EUA inaugura sistema antimíssil na Romênia

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No último dia 12 de maio, os Estados Unidos da América (EUA) inauguraram na cidade de Deveselu, na Romênia, o sistema antimíssil Aegis Ashore, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), visando a proteção da Europa contra possíveis ameaças de mísseis balísticos. O Projeto do Escudo Antimíssil da OTAN foi lançado em meados de 2010, durante uma reunião da cúpula em Lisboa. O Projeto baseia-se essencialmente em tecnologia estadunidense e visa de forma gradual estabelecer radares e interceptores de mísseis no leste europeu.

O sistema implementado na Romênia faz parte da segunda fase do projeto. A primeira diz respeito à implementação de um radar na Turquia e de capacidades de defesa antimísseis na Rota, próximo ao Estreito de Gibraltar, na Espanha. A implementação do sistema na Romênia iniciou em 2013 e teve custo estimado em US$ 800 milhões, sendo constituído por mísseis interceptores tipo SM-2. As operações devem iniciar em uma base estabelecida na época da União das Repúblicas Socialista Soviéticas (URSS), a cerca de 177 km (110 milhas) da capital romena, Bucareste. De acordo com Jens Stoltenberg, Secretário-Geral da OTAN, o sistema Aegis Ashore representa um avanço nas capacidades europeias e irá melhorar a defesa antimíssil da OTAN contra os possíveis ataques de mísseis de curto e médio alcance.

Desde 2010, os Estados Unidos tem apresentado o sistema de defesa como proteção frente à República Islâmica do Irã. No entanto, a Rússia vem apontando para o sistêmico avanço da OTAN sobre a região fronteiriça do país. Segundo declarações de Dmitry Peskov, Porta-Voz do Kremlin, a implementação do atual sistema de defesa de mísseis representa uma ameaça à segurança russa. Nessa mesma perspectiva, Vladimir Komoyedov, Presidente do Comitê de Defesa da Duma de Estado, ressaltou que os sistemas de defesa que vem sendo implementados não dizem respeito ao Irã, mas sim à Rússia, chamando a atenção para os locais de implementação do projeto. Já Alexandre Grouchko, representante da Rússia na OTAN, também mostrou-se receoso em suas declarações, afirmando que não está convencido que o sistema não visa a Rússia.

Em contrapartida, Stoltenberg argumentou que o sistema implementado na Romênia, assim como a terceira fase do projeto que será construído na Polônia e concluída até 2018, não oferecem riscos para a Rússia. Ainda, segundo o Secretário-Geral da OTAN, os interceptadores estão localizados na região ao sul do país ou em regiões muito próximas da Rússia, o que, conforme Stoltenberg, dificulta a ações de interceptação de mísseis balísticos intercontinentais provenientes da Rússia.

Para Klaus Iohannis, Presidente da Romênia, para que haja maior segurança dos membros da OTAN, particularmente os que se encontram no leste europeu, é necessária a implementação de uma Força Naval permanente no Mar Negro, protegendo-os de possíveis ameaças oriundas das fronteiras com o Oriente Médio, ou ainda da Rússia. Segundo Iohannis, essa força deverá respeitar as convenções que regem o Mar Negro, mas, tendo em vista que essa é a única via marítima russa para os chamados mares quentes, tal declaração acentua ainda mais as tensões na região.

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Imagem (Fonte):

http://www.defense-aerospace.com/articles-view/release/3/173811/aegis-ashore-missile-defense-site-in-romania-declared-operational.html

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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