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EUA promete maior cooperação com países da Ásia Central

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Na semana passada, John Kerry, Secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), prometeu que o Governo estadunidense promoveria uma maior cooperação com alguns países da Ásia Central, no que tange a questões econômicas e de segurança.  O Secretário, que esteve em visita a cinco países da região (Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão), procurou mitigar a preocupação dos líderes desses países acerca da ameaça do Taliban e de outros grupos terroristas presentes no país vizinho, o Afeganistão[1].

Esses países tentam manter, desde o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), da qual faziam parte, um equilíbrio entre suas relações com Rússia, Estados Unidos e, mais recentemente, com a China. Segundo analistas, nesse sentido, a viagem do Secretário estadunidense para as ex-repúblicas soviéticas tem como propósito mostrar que os Estados Unidos visam aprofundar suas conexões econômicas e de segurança com a região[2].

De acordo com alguns pesquisadores, as ex-repúblicas soviéticas são o mais recentes locais de rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e Rússia, ao lado da Síria e da Ucrânia, e tem, como pano de fundo, a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da oferta do Governo da Rússia em combater a insurgência do Estado Islâmico (EI) na região[3]. Posto isso, cabe destacar que a região da Ásia Central é geograficamente estratégica, em virtude da presença de grandes reservas de recursos naturais como gás, petróleo, ouro, entre outros. Esses combustíveis fósseis, distribuídos por oleodutos e gasodutos, provenientes, sobretudo, da região do Mar Cáspio, podem se constituir em uma alternativa para diminuir a dependência da Europa dos hidrocarbonetos oriundos da Federação Russa.

Além disso, é preciso ressalvar a presença russa na região. Mesmo após o colapso da União Soviética, a Rússia manteve presença militar na região e desempenhou importante papel nos conflitos regionais. Atualmente, ainda conserva bases militares no Quirguistão e no Tajiquistão. Ademais, compete pontuar que Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão são membros da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), fundada em 1992 (que tem ainda como membros a Rússia, a Armênia e a Bielorrússia), e caracteriza-se por ser uma aliança militar intergovernamental.

Embora o Uzbequistão e o Turquemenistão não sejam membros da OTSC, esses países possuem importantes acordos com a Rússia, como ocorre para a compra de armamentos[4]. Já os Estados Unidos também aumentaram sua presença na região, especialmente no que tange a assuntos relativos à segurança. Tal quadro se deve às operações ocorridas durante a Guerra no Afeganistão, na qual o Governo estadunidense e as tropas da OTAN utilizavam de bases no Quirguistão e também no Uzbequistão[5]. Os Estados Unidos também mantêm com o Quirguistão e o Tajiquistão operações de combate ao narcotráfico, além disso, demonstraram interesse em fornecer equipamentos militares e tecnológicos ao Uzbequistão e ao Turquemenistão, esse último, segundo os norte-americanos, para proteger suas fronteiras com o país afegão[6].

Na sua primeira visita a Ásia Central, na semana passada, Kerry destacou assuntos ligados às questões econômicas, de segurança e ainda sobre direitos humanos. No Cazaquistão, por exemplo, o Secretário assinalou que a preocupação com o extremismo de grupos terroristas não dá o consentimento para que os governos violem os direitos humanos. Após a reunião com Erlan Idrissov, Ministro do Exterior desse país, foram destacadas as oportunidades de cooperação bilateral e multilateral entre ambos os Estados[7]. Já no Tajiquistão e Turquemenistão, Kerry procurou ressaltar o apoio para assegurar suas fronteiras com o Afeganistão, apesar da diminuição da presença militar estadunidense naquele país, ao longo dos últimos anos[8].

Em reunião com Imomali Rakhmon, Presidente do Tajiquistão, ocorrida no Palácio Presidencial de Dushanbe, John Kerry afirmou que os EUA irão continuar trabalhando com o Tajiquistão e outros países da região para reforçar a segurança e enfrentar a instabilidade ao longo de suas fronteiras. E, ainda, que a luta contra o terrorismo deve ser conduzida de uma maneira que equilibre os direitos humanos, a liberdade religiosa e a participação política[9]. Já na reunião com o Turcomenistão, Kerry agradeceu Gurbanguly Berdymukhamedov,Presidente do país, por promover um programa de cooperação econômica que inclui questões de direitos humanos e segurança[10].

Por fim, enquanto alguns analistas ressaltam a expansão da presença russa, outros destacam a articulação do Governo estadunidense na área. No entanto, as dinâmicas da região envolvem uma série de elementos que se inter-relacionam com a presença e os interesses da Rússia e dos Estados Unidos, como são os casos da presença da China, a disputa por recursos energéticos e a presença de atores transnacionais.

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Imagem (Fonte):

https://www.stratfor.com/image/map-central-asia-locator

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.com/en/john-kerry-ends-visit-to-central-asia-with-promises-of-further-security-cooperation/a-18823136

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/11/03/us-centralasia-usa-kerry-idUSKCN0SS0SD20151103

[3] Ver:

http://www.dw.com/en/john-kerry-lobbying-central-asian-republics/a-18818468

[4] Ver:

https://www.stratfor.com/analysis/why-russia-will-send-more-troops-central-asia

[5] Ver:

http://www.dw.com/en/john-kerry-lobbying-central-asian-republics/a-18818468

[6] Ver:

https://www.stratfor.com/analysis/why-russia-will-send-more-troops-central-asia

[7] Ver:

http://sputniknews.com/politics/20151102/1029491291/kerry-kazakhstan-cooperation.html

[8] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/11/03/us-centralasia-usa-kerry-idUSKCN0SS0SD20151103

[9] Ver:

http://www.dw.com/en/john-kerry-ends-visit-to-central-asia-with-promises-of-further-security-cooperation/a-18823136  

[10] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/11/03/us-centralasia-usa-kerry-idUSKCN0SS0SD20151103

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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