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[:pt]EUA: Trump critica altos custos do setor de Defesa[:]

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Desde a campanha eleitoral para a Presidência nos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, Presidente eleito, vem promovendo críticas contra empresas do setor de Defesa que possuem contratos com o Governo estadunidense. Em outubro de 2015, por exemplo, antes mesmo de ser considerado como potencial candidato à Presidência norte-americana, ele declarou-se cético quanto às capacidades efetivas dos caças F-35 Joint Strike Fighter, chegando a afirmar durante entrevista à HugHewitt que existem aviões melhores. No início desta semana, Trump teceu novas críticas ao programa de caças F-35 da Lockheed Martin, assinalando que tais aeronaves possuem custos absurdos.

O Programa Joint Strike Fighter (JSF) surgiu em 1996 e tinha como objetivo inicial a criação de um modelo capaz de substituir várias aeronaves, tais como o F-16, o F-18, o caça bombardeiro A-10 Thunderbolt, entre outros. Somente em 2015, entretanto, após anos de pesquisas e de mais de 400 bilhões de dólares gastos para o seu desenvolvimento, é que a aeronave foi declarada operacional, tornando-se o programa mais caro na história militar estadunidense. 

Os F-35 são aeronaves de quinta geração, com característica Stealth (aviões furtivos, que dificultam sua detecção), multifunção, podendo voar a velocidades supersônicas. Esses caças possuem três versões e foram projetados para missões de ataque a solo, inteligência, vigilância e reconhecimento. De acordo com estimativas, cada aeronave deve custar em média 100 milhões de dólares, e estão sendo produzidas para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos, além de países como Austrália, Coreia do Sul, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, Israel, Itália, Japão, Noruega e Turquia.

No final do mês de novembro, a Lockheed Martin ganhou um Acordo para o desenvolvimento de 90 caças F-35 para as Forças Armadas estadunidenses e de aliados, no valor aproximado de 7,2 bilhões de dólares, para serem entregues em 2020. Segundo comunicado do Pentágono, o contrato altera algumas questões acordadas anteriormente e, agora, o desenvolvimento e produção deverão atender às necessidades específicas de cada cliente.

No último dia 12 de dezembro, mesmo dia em que Trump teceu críticas ao desenvolvimento desses caças, Ash Carter, Secretário de Defesa dos Estados Unidos reuniu-se com Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel, para a entrega de duas aeronaves F-35. Em nota, Carter destacou a importância dessas aeronaves e pontuou que essas foram as primeiras unidades dos 50 aviões que serão entregues à Força Aérea israelense e ressaltou ainda o memorando acordado, no qual os Estados Unidos se comprometem a destinar 38 bilhões de dólares ao seu tradicional aliado no Oriente Médio, pelos próximos 10 anos. Ainda de acordo com nota, Carter ressaltou que “estamos comemorando o notável progresso da relação de defesa entre EUA-Israel, e também de uma força aérea (israelense) que começou a voar sob aviões da Segunda Guerra Mundial e que agora esta voará com a aeronave mais avançada da história”.  

Segundo declarações de assessores de Donald Trump, o novo Presidente deve continuar pressionando por corte nos custos de equipamentos militares, tal como ele próprio afirmou, via sua conta no twitter. Nesta, declarou que, após o dia 20 de janeiro, bilhões de dólares poderão e serão economizados com o corte na aquisição desses equipamentos militares. Em resposta, Jeff Babione, líder do Programa F-35 da Lockheed Martin, assinalou que o programa possui uma tecnologia incrível, mas ressalvou também que a companhia compreende as preocupações sobre os custos e que a Lockheed Martin tem investido para a redução dos custos das aeronaves.

Segundo análise publicada por David A. Graham, no periódico online The Atlantic, três questionamentos são essenciais para entender o comportamento de Trump: Porque o presidente eleito está levantando essa pauta agora? Quão perto da verdade ele está? E, por fim, se Trump estiver certo, quem se beneficiará? Resumidamente, para Graham, Donald Trump faz suas críticas ao programa num momento oportuno, justamente quando ocorre a entrega dos F-35 a Israel. Quanto ao segundo questionamento, Graham assinala alguns pesquisadores e analistas, tais como James Fallows, que criticam o desenvolvimento do programa, o qual era para ser um dos mais baratos e tornou-se o mais caro da história. Finalmente, Graham aponta que as discordâncias sobre o desenvolvimento do F-35 abrangem tanto democratas como republicanos, mas parar o desenvolvimento do programa é praticamente impossível, uma vez que muitos daqueles que se beneficiam com ele encontram-se também entre os membros do Congresso.

A Lockheed Martin não foi a única empresa alvo das críticas do novo Presidente estadunidense. Na semana passada, Trump criticou o Programa Air Force One da Boing, alegando que os custos para o desenvolvimento das aeronaves presidenciais eram exorbitantes e estão completamente fora de controle, pois custariam cerca de 4 bilhões de dólares cada. Trump chegou a declarar, via twitter, que cancelaria a encomenda desses aviões. O contrato com a Boeing foi acordado em janeiro de 2015 e o programa deve ser concluído em 2024. Em resposta, a Boeing se comprometeu a trabalhar com o futuro Governo para que os custos do novo Air Force One se mantenham no melhor preço possível.

Esse foi um dos pontos destacados também por Jason Miller, porta-voz da equipe de transição de Trump, que argumentou que o novo Governo pretende alcançar acordos melhores. No que tange a compra dos caças F-35, John McCain, presidente do Comitê do Senado sobre Serviços Armados, ressaltou que uma vez que os recursos já foram empregados, eles não podem ser cancelados, mas o Governo, assim como o Comitê, poderá reavaliar o Programa. Já Richard Blumenthal, Senador democrata, afirmou que o Programa dos caças F-35 geraram cerca de 2 mil empregos na Pratt & Whitney, empresa responsável pela fabricação dos motores, e um total de 146 mil empregos em outras empresas e fornecedores. Para Blumenthal e outros congressistas os cortes arbitrários no programa afetarão a oferta de empregos do setor.

Conforme mencionado anteriormente, desde a campanha para Presidência, Trump vem promovendo críticas a companhias ligadas a Defesa do país. Além disso, criticou também funcionários que fecham contratos para o Governo e um ou dois anos depois estão trabalhando para essas corporações. Nessa última semana, tais críticas repercutiram negativamente sobre as ações do setor.  Assim, as atuações da Lockheed Martin, bem como da General Dynamics, Northrop Grumman, BAE e Raytheon sofreram queda na bolsa de valores. Entretanto, as ações da United Technologies e da Boeing apresentaram uma pequena alta nesta semana. Apesar da variações que tais declarações ocasionaram, Byron Callan, analista financeiro da Capital Alpha Partners, ressalvou que não se pode acreditar que os investidores irão desistir de suas perspectivas sobre o programa JSF, tendo como base um único tweet de Trump.

Roman Schweizer, analista da Cowen and Company, declarou que um Presidente possui grande poder para conquistar seus objetivos e, apesar das críticas, Trump acabou chamando os holofotes e atenção do público geral sobre bilhões gastos em defesa pelo país. E, nesse aspecto, Schweizer argumenta que embora o Congresso tenha um papel relevante em programas de Defesa, qual legislador irá criticar Trump por tentar diminuir os superfaturamentos dos programas da área?

Apesar de analistas destacarem que Trump dificilmente conseguirá travar o desenvolvimento dos caças JSF, como Presidente ele poderá vir a alterar contratos, não apenas ligados à Força Aérea, mas também ligados à Marinha e ao Exército. Por fim, cabe pontuar que Barack Obama, atual Presidente dos EUA, também fez pressões para diminuir custos do F-35, uma delas ocorreu no último acordo, quando Obama pressionou para que o acordo com a Lockheed Martin fechasse em 6,1 bilhões de dólares.

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ImagemPrimeira mulher piloto de F-35 começa a treinar” (Fonte):

http://fotospublicas.com/primeira-mulher-piloto-de-f-35-comeca-a-treinar/ 

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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