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Desde o início da Crise Financeira Internacional, uma série de fatores foram desestabilizando o projeto europeu e desafiando sua continuidade e reputação. Sob o pulso firme da Alemanha e a articulação política da França a região aos poucos foi se recuperando. Com isso, países que tiveram anos de recessão, como a Espanha, voltaram a crescer.  Outros desafios, tais como a Crise Grega e a Crise dos Refugiados, aos poucos parecem ir se normalizando e saindo do centro da atenção da comunidade internacional.  O discurso para uma maior integração da região volta a ganhar repercussão e força na política europeia[1].

Embora o pior pareça haver passado, e aos poucos o Bloco volte a se recuperar, o certo é que novos desafios pairam no horizonte europeu e, como ocorre com os furacões, a Europa pode estar apenas desfrutando da calmaria do olho do furacão, antes do avanço do mesmo e de uma nova onda de impactos.

As tensões entre a Europa e a Rússia em relação a Criméia continuam, assim como as sanções econômicas aplicadas ao país euroasiático. A situação se agrava com a intervenção militar da Rússia na Síria[2] e a proximidade do inverno no hemisfério norte que colocará à prova o comprometimento desses players com o incremento da demanda de gás na Europa e a venda desse recurso pela Rússia, cruzando o território ucraniano.

O inverno ainda pode agravar a situação dos refugiados que entram na Europa atravessando o Mar Egeu e os países balcânicos, devido às condições meteorológicas e aos resultados dos conflitos na região.

A imigração latina também deve aumentar nos próximos anos graças à crescente instabilidade econômica e política em países da região, tais como o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o México, cujo fluxo migratório havia sido revertido, mas começa a se restabelecer.

Por outro lado, a aprovação do TTP (Parceria Transpacífico) pode resultar no enfraquecimento das relações comerciais do Continente Europeu com os Estados Unidos e com a Ásia, fazendo com que a Europa acelere o ritmo das negociações do TTIP (Acordo de parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos), aumentando, dessa forma, o número de manifestações e de partidos contrários ao Acordo[3].

A vitória dos separatistas na região da Catalunha também indica um novo desafio no cenário jurídico da Espanha e da União Europeia, por se tratar de um processo no qual a soberania de um país membro se vê questionada por cidadãos que hoje pertencem à União Europeia e, portanto, possuem o direito de autodeterminação e legitimidade democrática, conforme reconhecido pelo próprio Tratado da União Europeia[4]. Não sendo apenas um paradoxo aplicado a esta região, mas que pode gerar jurisprudência para outras regiões separatistas da Europa, tais como o Vêneto, a Bretanha e o País Basco.

Perante essa tempestade, a Comissão Europeia reforça o chamado para a integração e maior compromisso dos países com o Projeto Europeu. Embora muitos dos governos estejam desgastados e com baixa popularidade, as eleições em alguns países até o final de ano (2015) e no próximo 2016 podem modificar o cenário político atual e dificultar ainda mais a união do grupo.

Outro fator importante para a coesão da União Europeia é o possível Referendum que o Reino Unido[5] deseja realizar até 2017, para consultar a população sobre sua permanência no grupo, pois, mesmo não sendo um país da Zona do Euro, representa, sem dúvida, um importante player a nível regional e internacional e pode gerar um precedente para a saída de países do Bloco europeu, algo que representará um risco para o discurso de integração regional.

Entre os desafios apresentados, alguns passam inadvertidos, tais como a situação da OTAN em relação a Rússia e a Síria e o papel que a União Europeia deve atuar nesse cenário. Há ainda a instabilidade no Norte da África e a situação de Israel com o reconhecimento da Palestina e os conflitos locais, que podem gerar um efeito dominó, caso este atrito se transforme em um esforço armado.

A Europa precisa enfrentar os desafios interno e externos e, dessa forma, se consolidar como player no cenário internacional, caso contrário, ela continuará sendo um mosaico formado por países assimétricos e com sérios problemas de integração que, pouco a pouco, perdem espaço no equilíbrio de poder e no cenário internacional. 

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Imagem (Fonte):

http://portal.andina.com.pe/EDPfotografia/Thumbnail/2015/10/15/000319683W.jpg                       

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://es.euronews.com/2015/10/15/los-veintiocho-se-reunen-en-bruselas-para-afrontar-la-crisis-de-los-refugiados/

[2] Ver:

http://es.euronews.com/2015/10/12/los-ministros-de-exteriores-de-la-ue-piden-a-rusia-que-pare-los-ataques-en-siria/

[3] Ver:

http://economia.elpais.com/economia/2015/10/10/actualidad/1444503583_710400.html

[4] Ver:

http://europa.eu/eu-law/decision-making/treaties/index_es.htm

[5] Ver:

http://services.parliament.uk/bills/2015-16/europeanunionreferendum.html

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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1 Comments

  1. Jéssica 19 de outubro de 2015

    muito bom.

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