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[:pt]Evolução da complexidade econômica na China e o panorama das expectativas para o ano de 2017[:]

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A abordagem da complexidade econômica apresenta uma explicação holística sobre o desenvolvimento das nações através de sua estrutura produtiva, apresentando um recorte acerca do conhecimento acumulado em uma sociedade, que acaba por produzir efeitos na sofisticação dos seus produtos e no perfil comercial do país. Esta perspectiva vê a economia como um sistema dinâmico, dando menor importância à ideia de pontos de equilíbrio. A complexidade econômica advém de uma estrutura que se forma e se reforma através de contínuas adaptações dos agentes econômicos, resultando em novos comportamentos, novas instituições, novas tecnologias e, por fim, novos padrões de interação. Estas constantes adaptações não apenas criam padrões, como acabam por produzir redes complexas de influências recíprocas entre os agentes econômicos e suas atividades produtivas.

A complexidade econômica de uma nação depende dos seus produtos de exportação. Um país pode ser considerado como uma economia complexa caso seja capaz de exportar produtos que possuam certo grau de tecnologia e valor agregado, mas esta não é a única variável considerada. São levados em conta fatores como a diversidade de sua pauta exportadora e quantos países no mundo são capazes de produzir as categorias de produtos que determinado país exporta (ubiquidade). À medida que evolui a complexidade econômica de uma nação, se altera a sua forma de inserção na economia internacional, ao passo que o país passa a integrar cadeias de produção de maior valor agregado, afetando a capacidade de captura de excedentes em suas trocas externas.

Um exemplo que materializa esta dinâmica é o processo de inovação, ao passo que experiências, estratégias e procedimentos resultam em novos produtos, técnicas e novos processos industriais que possibilitam ganhos de eficiência e de produtividade, resultando em crescimento econômico e geração de riqueza. Estendendo este processo ao longo de anos e mesmo de décadas, é possível ter um vislumbre acerca das razões e determinantes do nível de desenvolvimento que se observa em um determinado país e a sua decorrente trajetória de inserção econômica externa.

O caso chinês é interessante de ser observado devido à grande mudança na sua estrutura produtiva no período recente.  Partindo do ano de 1978, simbólico por representar a ascensão de Deng Xiaoping ao poder, sendo ele o governante que introduziu as reformas econômicas de maior abertura no país. Nesse ano é possível observar uma economia cujos produtos mais representativos nas suas exportações (com valor total, à época, de US$ 7,17 bilhões) consistiam em: petróleo bruto (13% da pauta exportadora), algodão cru (3,6%), seda crua (3,0%), artigos de cama, mesa e banho (2,9%), suínos (2,7%), produtos de vestuário (2,2%), além de outros produtos de origem agrícola e que apresentam menor valor agregado.

Um panorama acerca das exportações chinesas para o ano de 2014, conforme os dados disponibilizados pelo Atlas da Complexidade Econômica, apresenta uma imagem bem diferente, sendo que seus principais produtos de exportação (cujo valor total representava US$ 2,37 trilhões) consistem em computadores (8,8%), equipamentos de transmissão e radiodifusão (6,6%), telefones (4,5%), circuitos integrados (2,6%), partes de máquinas para escritório (2,0%), entre outros produtos que apresentam algum grau de processamento industrial. Descontadas as diferenças acerca do valor absoluto das transações com o exterior, o recorte da composição da pauta exportadora apresenta um perfil muito diferente. Atualmente, o petróleo e outros minerais energéticos, além de microcircuitos eletrônicos são os principais produtos que compõem a pauta de importação do país. Após tratar acerca da complexidade e das transformações da economia chinesa, chegamos à questão do que se espera para o ano de 2017.

Embora a economia chinesa tenha apresentado relativo grau de estabilização em 2016, ainda existem pressões para a queda do seu ritmo de crescimento, ao passo que o país se encontra no rumo de execução de sua reforma econômica. O foco no mercado interno, estimulando o comércio digital e o aumento do consumo em cidades de médio porte, é a alternativa já em andamento, visando o fortalecimento da economia chinesa. 

É possível esperar tensões e fricções comerciais com os Estados Unidos em certos setores (tais como aço, produtos agrícolas e manufaturados de baixa tecnologia). Dada a representatividade do mercado norte-americano para as exportações da China, esperam-se dificuldades no setor de exportações.

O crescimento baseado nos investimentos será o mais forte motor da economia chinesa no ano de 2017 ao passo que crescem os investimentos privados em setores de alta tecnologia, tais como robótica, serviços baseados na nuvem e tecnologia de internet 5G. O Governo chinês continua a realizar grandes investimentos em construção de infraestrutura em seu território, buscando acentuar a exportação desses investimentos para o exterior, tendência que provavelmente continuará neste ano (2017). Não obstante, o estímulo aos investimentos poderá aumentar demasiadamente o endividamento do Estado chinês, que já se encontra em um patamar de 282% em relação ao seu PIB. Este é um sinal de alerta para a possibilidade de crises no futuro, sinalizando a necessidade de prudência na política monetária do Governo.

Permanece a necessidade de realização de reformas orientadas para o mercado, tais como a continuidade da reforma das empresas estatais, o estímulo a novas empresas de tecnologia e redução de impostos. Desconsiderando a possibilidade de eventos extraordinários no campo da geopolítica e da política internacional, espera-se que este seja um ano no qual a China se concentre na sua estrutura econômica interna.

Concluindo, o ano de 2017 será provavelmente um ano de grandes esforços para manter o ritmo de crescimento do PIB à taxa de 6,5%. Se quantitativamente a China enfrentará grandes desafios para o seu crescimento, a chave para a manutenção do desenvolvimento do país no longo prazo residirá em fatores qualitativos. Pensando na abordagem da complexidade econômica, será mais importante direcionar esforços para a continuidade do rumo em direção à sofisticação do seu tecido produtivo, visando aumentar a produtividade, a eficiência e inovação em setores como tecnologia da informação, mecânica fina e robótica, além de tecnologias ligadas à energia sustentável.

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Imagem 1 Bandeira da China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:Flag_of_the_People%27s_Republic_of_China.svg

Imagem 2 Crescimento do PIB nominal chinês entre 1952 e 2012” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:GDP_of_China_in_RMB.svg

Imagem 3 Deng Xiaoping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Deng_Xiaoping#/media/File:DengXiaoping.jpg

Imagem 4Exportações chinesas” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/2012_China_Products_Export_Treemap.png

Imagem 5 Gráfico mostrando a proporção de usuários de Internet a cada 100 pessoas, entre 1996 e 2014, feita pela União Internacional de Telecomunicações” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet#/media/File:Internet_users_per_100_inhabitants_ITU.svg

Imagem 6 O distrito financeiro de Pudong, em Xangai, se tornou símbolo de rápida expansão econômica da China desde os anos 1990, após as reformas promovidas por Deng Xiaoping” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China#/media/File:PudongSkyline-pjt_(cropped).jpg

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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