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Durante uma entrevista no dia 18 de outubro, Michael Hayden, ex-diretor da NSA (Agência de Segurança Nacional), entre 1999 e 2005, e também ex-diretor da CIA (Agência de Inteligência Central), de 2006 à 2009, referindo-se à recente invasão da rede de computadores do Partido Democrata norte-americano por hackers com ligação ao Governo russo, declarou: “Tenho que admitir que a minha definição do que os russos fizeram é, infelizmente, espionagem estatal legítima. Um serviço de inteligência estrangeiro conseguindo os e-mails internos de um grande partido político de um grande adversário estrangeiro? Está valendo, é o que nós fazemos”. E depois completou: “não gostaria de estar diante de uma corte americana e ser forçado a negar que já fiz algo assim como diretor da NSA, porque eu não poderia”.

No entanto, ao diferenciar a espionagem russa da norte-americana, Hayden enfatizou que diferente dos norte-americanos, que, segundo ele, somente coletam informações de Estados estrangeiros, a Rússia tenta usar essas informações contra seus adversários para influenciar o processo político.  Em uma declaração da comunidade de inteligência norte-americana, oficiais de alto escalão do Kremlin são apontados por terem autorizado as invasões dos sistemas do Partido Democrata estadunidense. 

Segundo a declaração: “Estes roubos e divulgações são destinados a interferir com o processo eleitoral nos EUA. Essa atividade não é nova para Moscou – os russos têm usado táticas e técnicas semelhantes em toda a Europa e Eurásia, por exemplo, para influenciar a opinião pública lá”. O Kremlin negou qualquer invasão nos sistemas de computadores dos Estados Unidos.

Vale ressaltar que informações vazadas pelo ex-analista da NSA, Edward Snowden apontam que os EUA se beneficiaram de informações extraídas de outros países, dentre eles conversas grampeadas da chanceler alemã Angela Merkel e da então Presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

As declarações de Michael Hayden, são significativas por darem um grau de confirmação a informações outrora vazadas e que, apesar de todas as provas e evidências, só haviam sido negadas por diferentes oficiais e diretores da comunidade de inteligência. O discurso de Hayden legitima o ciberespaço como um novo espaço das relações Internacionais e palco de novos conflitos interestatais no século XXI.

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ImagemMichael Hayden, ExDiretor da NSA e ExDiretor da CIA” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AMichael_Hayden,_CIA_official_portrait.jpg

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Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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