LOADING

Type to search

Ex-Ministro Nigeriano é escolhido como o novo Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento

Share

Na semana passada, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) escolheu o seu novo presidente, Akinwumi Adesina, exministro da agricultura e planejamento rural da Nigéria, que irá assumir o lugar de Donal Kaberuka, de Ruanda[1][2]. Em eleições contra o Ministro das Finanças do Chade, Kordjé Bedomura, e a Ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, Adesina recebeu ampla maioria dos votos: cerca de 60% contra 37% para Bedomura e 3% para Duarte[3].

Esta será a primeira vez que o Presidente do BAD será de um dos países mais ricos da África. Tradicionalmente o posto sempre foi ocupado por membros de economias menores, em uma tentativa de equilibrar os poderes. Alguns analistas e autoridades das nações menos populosas temem que a eleição do nigeriano seja o início de um período onde estes países percam a sua participação no total de crédito recebido[3].

Entretanto, este cenário provavelmente não se concretizará. Adesina foi eleito justamente devido ao seu trabalho dentro do Ministério da Agricultura da Nigéria: ele é prestigiado por ter reavivado a agricultura nigeriana após anos de baixa produtividade e casos de corrupção no setor de fertilizantes[2][3].

O nigeriano deixará o cargo com a marca de haver aumentado a produtividade de alimentos em 21 milhões toneladas: “ele é um exemplo de um líder que levou à cabo um excelente trabalho no espaço político nigeriano”, afirmou Ebenezer Essoka, vicepresidente da Standard Chartered Plc para a África[2].

Adesina também reiterou o seu compromisso com o crescimento econômico em todo o continente. Horas após a sua eleição, declarou: “estou muito orgulhoso por este marcante voto de confiança que foi dado a mim”; “nós podemos fazer da África o orgulho nacional em termos de crescimento econômico inclusivo[2][3].

Porém, ele enfrentará sérios desafios para a sua proposta de crescimento inclusivo. A queda nos preços internacionais das commodities vem afetando consideravelmente o orçamento público de muitas nações, como são os casos de Angola e Moçambique, por exemplo[4]. Esta queda nas receitas prejudica projetos essenciais para o crescimento inclusivo e de longo prazo, como a educação e infraestrutura, justamente por serem os primeiros setores a sofrerem cortes orçamentários. Da mesma forma, a quase inexistência de regimes amplamente democráticos e a manutenção de diversos regimes autoritários ao redor do continente servem como sustento para a prática da corrupção e nepotismo[4].

Dessa maneira, o BDA, e seu recém Presidente, deverão trabalhar em conjunto com lideranças locais e ativistas pró-democracia, a fim de estruturarem um espaço institucional e político que permita a adoção de políticas inclusivas. Somente assim a África poderá tornar-se, de fato, um modelo internacional.

—————————————————————————————–

Imagem (FonteAgro Nigeria):

http://agronigeria.com.ng/2015/05/22/adesina-bags-honorary-doctorate-degree-for-exemplary-performance-as-minister-of-agriculture/

—————————————————————————————–

Fontes Consultadas:

[1] VerMail & Guardian”:

http://mg.co.za/article/2015-05-29-nigerias-adesina-wins-battle-for-afdb-presidency

[2] VerBloomberg”:

http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-05-28/nigerian-minister-survives-to-final-rounds-of-afdb-election-race

[3] VerQuartz”:

http://qz.com/414573/african-development-bank-picks-nigerias-adesina-as-its-new-president/

[4] VerCEIRI Newspaper”:

http://jornal.ceiri.com.br/a-economia-politica-do-sacrificio-angolanos-deverao-apertar-os-cintos-em-2015/

Tags:
Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!