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Exército dos EUA permite ingresso de mulheres nos Rangers

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No último dia 2 de setembro, o Exército dos Estados Unidos da América (EUA) comunicou que abriria a possibilidade para que mulheres pudessem ingressar na formação de elite do Ranger School, que, até recentemente, era exclusivamente reservada aos homens. O objetivo, segundo autoridades estadunidenses, é que qualquer soldado, independentemente do sexo, possa se formar em todas as linhas de combate[1].

A United States Army Rangers foi fundada nos anos de 1950 e seus soldados são membros de elite do Exército dos EUA. Sua formação é altamente respeitada dentro da organização, e, em muitos casos, uma necessidade para se avançar dentro de algumas carreiras na Força. O treinamento dura 62 dias e é composto de três fases, cada uma delas realizada em uma parte do país: zonas florestais em Fort Benning, as montanhas apalache do norte da Georgia e pântanos na Flórida. A primeira fase dura cerca de 20 dias e testa as habilidades militares e a perseverança dos recrutas. A segunda fase, realizada na Georgia, envolve operações com pequenas unidades e técnicas de sobrevivência. Por fim, na terceira fase, realizada nos pântanos da Flórida, são feitos ataques pelo ar e operações anfíbias, além das pressões físicas e mentais[2].

De acordo com o Pentágono, 204 mil mulheres, sendo que 37 mil eram oficiais, faziam parte das Forças Armadas em 2013. Conforme ressaltou em seu relatório, 99% das vagas ofertadas para mulheres na Força Aérea continuam em aberto, no Exército e na Marinha são aproximadamente 70%. Naquele ano, o Governo dos Estados Unidos definiu que qualquer mulher poderia disputar posições em todas as linhas de combate, seja no Exército, na Marinha ou na Força Aérea, e, a partir de 2016, nos Fuzileiros Navais.  Caso algum dos serviços não queira adotar a medida, esse deverá esclarecer sua posição ao Governo até o próximo ano (2016), justificando porque deve permanecer vetada a presença de mulheres nas unidades de combate[2]. Elas têm servido em várias linhas de combate apenas como unidades de apoio e estavam impedidas de ocupar posições de combate terrestre, tais como infantaria e artilharia.

Em abril de 2015, duas mulheres passaram nos testes para participar da formação do Rangers, entre as 19 que se apresentaram. Elas passaram semanas cumprindo um rigoroso treinamento sem muita comida e descanso, provando à comunidade dentro e fora do Exércitoque as mulheres também podem desenvolver tal atividade[3]. Participaram da seleção 380 homens, dos quais 95 se formaram, incluindo 37 que completaram cada uma das três fases na primeira tentativa. A possibilidade de várias tentativas ocorre porque, dependendo do desempenho, o recruta pode ser reciclado, ou seja, enviado para o início de uma das fases várias vezes, para que possam tentar novamente. A cada ano, aproximadamente 4 mil jovens tentam ingressar no Rangers, mas apenas 40% passam nos testes[4].

A formatura das duas jovens e dos demais participantes ocorreu no último dia 21 de agosto, em Fort Benning, na Geórgia. Naquela ocasião, John McHugh, Secretário do Exército, afirmou que o treinamento tem demonstrado que cada recruta, independentemente do sexo, pode alcançar a oportunidade de servir em qualquer posição e que o Exército buscará maneiras de selecionar, treinar e reter os melhores recrutas para atender às necessidades da nação estadunidense[5]. Para a excapitã Sue Fulton, que foi uma das primeiras mulheres graduadas pela Academia Militar dos EUA, em West Point, a formação dessas mulheres mostra a força, disposição e coragem física para se tornarem líderes de combate[6].

Organizações civis também ressaltam a importância de tal medida. Nesse sentido, Cindy McNally, do Service Womens Action, argumentou: “eliminem a política de exclusão de combate. Assim, teremos Forças Armadas completamente integradas. A capacidade em realizar o trabalho deveria ser o padrão, independentemente de ser homem ou mulher[7]

Por fim, cabe destacar que a conscrição tem um debate bastante controverso na sociedade entre aqueles mais conservadores que refutam a medida e aqueles que a apoiam. Os primeiros ressaltam que algumas atividades são perigosas para as mulheres, mas o segundo grupo tem destacado o direito e chance das mulheres disputarem uma carreira em pé de igualdade com os homens.

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Imagem (Fonte):

https://www.washingtonpost.com/news/checkpoint/wp/2015/08/11/will-the-army-open-its-elite-ranger-regiment-to-women-a-controversial-decision-awaits/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.army.mil/article/154286/First_women_graduate_Ranger_School/

[2] Ver:

http://www.dw.com/pt/ex%C3%A9rcito-dos-eua-vai-permitir-mulheres-em-frentes-de-combate/a-16547195

[3] Ver:

http://www.defesanet.com.br/sof/noticia/20227/Exercito-dos-EUA-permite-ingresso-de-mulheres-nos-Rangers/

[4] Ver:

https://www.washingtonpost.com/news/checkpoint/wp/2015/08/11/will-the-army-open-its-elite-ranger-regiment-to-women-a-controversial-decision-awaits/

[5] Ver:

Idem.

[6] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/mulheres-sao-aprovadas-pela-1-vez-em-corpo-militar-de-elite-dos-eua.html

[7] Ver:

http://www.dw.com/pt/ex%C3%A9rcito-dos-eua-vai-permitir-mulheres-em-frentes-de-combate/a-16547195

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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