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Forças leais a Assad assumem o controle de localidades nas imediações da fronteira com o Líbano

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Na última segunda-feira, 14 de abril, as Forças leais ao Governo sírio assumiram o controle das aldeias de Sarkha eMaaloula, na fronteira com o Líbano, região estratégica para as forças rebeldes. A retomada das aldeias faz parte da ofensiva síria que teve início em novembro de 2013 na região de Qualamoun, na fronteira libanesa, para recuperar os territórios perdidos para os seus opositores. Estas duas últimas aldeias voltaram ao domínio das Forças pró-Bashar al-Assad um dia depois de o Hezbollah, aliado estratégico do regime sírio, ter conquistado a cidade de Rankous[1].

O controle da região, pelos aliados de Assad, representa o domínio do regime sírio sobre a montanha oriental[2], espaço que foi perdido para grupos irregulares quando o Governo concentrou a atenção e defesa nas cidades ao longo da rodovia Damasco-Homs[3]. Neste momento, há uma certa preocupação quanto ao aumento do sectarismo, pois a histórica aldeia de Maaloula, predominantemente cristã, na qual alguns de seus moradores ainda falam o aramaico, voltou a estar submetida ao regime que tem revelado uma certa rejeição quanto a essa maioria local. Segundo a imprensa da região, “os apoiadores do Governo muitas vezes afirmam que Assad é o único líder capaz de proteger a Síria da miscelânea de muçulmanos e de seitas de minoria cristã[4].

A retomada das aldeias não se deu sem resistência. De acordo com relato de um jornalista da AFP que estava em Maaloula, alguns prédios ficaram danificados. O “Hotel al-Safir”, que foi usado como base pelos rebeldes, ficou praticamente destruído. O mesmo aconteceu com o mosteiro de “Mar Sarkis”, da “Igreja Católica Grega”, que teve as suas paredes perfuradas por balas e os santos e os ícones espalhados pelo chão[5].

A reconquista dessas áreas estratégicas aos rebeldes representa, para Assad, um ponto de mudança a seu favor. No domingo, 13 de abril, o Presidente sírio falou à TV estatal e, segundo ele, “este é um ponto de viragem na crise, tanto militarmente como em termos de conquistas militares na guerra contra o terror,  e socialmente em termos do processo de reconciliação nacional e de uma crescente conscientização da verdade por trás dos [ataques] visando o país[6].

A recuperação debastiões” rebeldes pelasForças do Governonão representa o fim da guerra, mas uma reorganização estratégica do Regime sírio. Neste momento, a vitória das Forças leais ao Estado sírio parece apontar um rumo para o desfecho da guerra, mas ainda é difícil determinar um vencedor.

Atualmente, o grande desafio para Bashar al-Assad é a consolidação das regiões, aldeias e cidades reconquistadas. As forças rebeldes não têm se mostrado derrotadas e isto implica a continuidade dos embates que poderão se tornar mais violentos. É importante ressaltar que há duas forças beligerantes diferentes em confronto. Isto é, enquanto que uma delas é estatal, a outra é paramilitar, o que leva da guerra tradicional para a guerra de guerrilha, fato que vai provocar maior dificuldade de vitória das Forças Armadas convencionais, tornando o conflito mais violento e com maior número de vítimas civis.

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Imagem Maaloula” (Fonte):

https://static.panoramio.com/photos/large/8815484.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.585600

[2] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=145869&cid=23&fromval=1&frid=23&seccatid=20&s1=1

[3] Ver:

http://english.al-akhbar.com/node/19414

[4] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.585600

[5] Ver:

http://english.al-akhbar.com/node/19414

[6] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/nowsyrialatestnews/543156-syrias-assad-says-war-turning-in-regimes-favor

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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