LOADING

Type to search

Forças Sírias retomam maior campo petrolífero do Estado Islâmico

Share

A retomada da cidade iraquiana de Mosul, há algumas semanas, foi uma importante conquista para a coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio. Desde então, essa união de forças militares, encabeçada pelos Estados Unidos, tem mantido sua estratégia conjunta para continuar a derrotar o grupo terrorista em diversas cidades em que ainda exerce pleno controle.

No caso da Síria, têm-se verificado esforços no mesmo sentido. Neste domingo, a mencionada coalizão logrou retomar não uma cidade, mas o campo petrolífero Al-Omar, o mais importante daquele país. Este complexo, cuja produção é estimada em cerca de 9 mil barris diários, fica próximo à fronteira iraquiana e encontrava-se sob domínio de terroristas desde 2013, sendo considerada uma das principais fontes de recursos dos EI. As tropas sírias responsáveis pela reconquista de Al-Omar, que contaram com apoio aéreo norte-americano, não se tratam do Exército Sírio regular, ou seja, não são forças do presidente Bashar Al-Assad, mas sim das Forças Democráticas Sírias, posicionadas contra o atual Presidente.

Veículo das Forças Democráticas Sírias em operação em 2017

Outra importante característica desta força militar é o fato de ser liderada por curdos, o que denota a exploração das diferenças étnicas existentes dentro da própria Síria, estratégia comum por parte do atual governo dos EUA em países do Oriente Médio, a exemplo do que já foi aplicado no Iraque após a intervenção iniciada em 2003.

Concorrentemente, o Exército regular sírio também tem avançado contra o Estado Islâmico, contando com apoio de outra coalizão que atua no Oriente Médio. Esse exército, que tem se engajado em combates nos arredores do campo petrolífero em questão, conta com o apoio aéreo da Força Aérea Russa e de bem treinadas e equipadas milícias iranianas. A Rússia, neste caso, apoia o Exército regular da Síria em razão do alinhamento político entre estes dois países, sendo que existe inclusive uma grande base aeronaval russa em território sírio, o que explica o empenho de Vladimir Putin em apoiar o presidente Bashar Al-Assad.

Neste caso, é interessante constatar que a campanha russo-iraniana também explora a questão das diferenças étnicas no campo político-militar, uma vez que o apoio do Irã só foi concedido pelo fato de as Forças Democráticas Sírias serem multiétnicas e plurirreligiosas – envolvendo árabes, curdos e assírios, dentre outros –, numa clara tentativa de diminuir a influência árabe sunita naquele país.

Numa visão mais ampla, é possível perceber que o conflito na Síria não é apenas contra os terroristas do EI, mas também pela influência e controle do país após a prevista derrocada do EI. Ademais, esse conflito já se demonstrou bipolarizado (um lado russo e outro norte-americano), por ter coalizões com o mesmo objetivo declarado, mas que na realidade são concorrentes e contam com a colaboração de seus aliados que, por sua parte, esperam apoio externo para se consolidarem como potências regionais no Oriente Médio. 

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hussam Awak, comandante das Forças Democráticas Sírias” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hussam_Awak#/media/File:Hussam_Awak.png

Imagem 2 Veículo das Forças Democráticas Sírias em operação em 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Syrian_Democratic_Forces#/media/File:SDF_Guardian_Armored_Personnel_Carrier_1.png

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!