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A formação do complexo industrial militar da China

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A China vem fazendo esforços para desenvolver o seu complexo industrial militar*, com o setor privado despontando neste processo. A cooperação com a Rússia, que despontou nos anos 1990, foi o impulso necessário para que os chineses pudessem desenvolver maior autonomia na área da indústria de defesa. Atualmente, o tecido industrial do país se tornou mais complexo, incluindo o surgimento de empresas privadas que reduziram a dependência da China em relação aos russos, no que tange à tecnologia militar.

Emblema do Exército de Libertação popular, as Forças Armadas da China

Neste ano (2017) foi criada uma Comissão no nível de Estado para integração entre o setor civil e o setor militar. Presidida pelo mandatário Xi Jinping, tal Comissão visa estimular o investimento em tecnologia e inovação. A integração entre civis e militares é um dos objetivos do 13º Plano Econômico Quinquenal, vigente para o período de 2016-2020, o qual enfatiza a importância da indústria de Defesa para a manutenção do crescimento da economia do país. A China está progressivamente inovando e internalizando elos das cadeias produtivas do setor bélico, no sentido de reduzir a dependência do país em relação a componentes advindos do exterior.

Mapa demonstrando o alcance global dos mísseis balísticos intercontinentais da China

Sob a perspectiva da economia política, este fenômeno indica o exercício de influência de um grupo de interesse, nomeadamente os altos industriais, encontrando consonância com os interesses do setor militar e, a partir deste fato, se consolida a articulação de uma coalizão nacional. Adicionalmente, menciona-se o importante fato de o país investir cerca de 2% do seu PIB na área militar. As principais empresas deste setor na China incluem a Companhia Nacional de Construção de Navios (CSSC), a Companhia de Aviação Industrial da China (AVIC) e a Companhia Industrial de Ciência Aeroespacial, todas estatais. Não obstante, avançam as reformas no sentido de produzir empresas de capital misto e empresas privadas na área de Defesa.

A ação das Forças Armadas chinesas permanece focalizada no âmbito nacional e regional. Paralelamente a isto, emerge a tendência da contratação de empresas privadas de segurança para proteger os ativos e investimentos chineses no plano global. Portanto, as corporações privadas de segurança se internacionalizam à medida que avançam os esforços para o aumento dos fluxos de investimento externo da China nos mais variados mercados. A escolha do uso de empresas privadas para este tipo de serviço visa evitar desgastes diplomáticos que poderiam ocorrer se resolvesse utilizar o Exército para realizar este tipo de atividade. Atualmente, possui em torno de 3.200 funcionários privados de segurança localizados no exterior e 2.600 militares alocados em zonas de conflito, no arcabouço da ONU.

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Notas:

* A expressão indica uma aliança entre a indústria bélica e o setor militar de um país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem de militares carregando a bandeira da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3d/%D0%9F%D0%B0%D1%80%D0%B0%D0%B4_%D0%B2_%D1%87%D0%B5%D1%81%D1%82%D1%8C_70-%D0%BB%D0%B5%D1%82%D0%B8%D1%8F_%D0%92%D0%B5%D0%BB%D0%B8%D0%BA%D0%BE%D0%B9_%D0%9F%D0%BE%D0%B1%D0%B5%D0%B4%D1%8B_-_40.jpg

Imagem 2 Emblema do Exército de Libertação popular, as Forças Armadas da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/China_Emblem_PLA.svg/1078px-China_Emblem_PLA.svg.png

Imagem 3 Mapa demonstrando o alcance global dos mísseis balísticos intercontinentais da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/21/Medium_and_Intercontinental_Range_Ballistic_Missiles.png

 

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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