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Fornecimento de gás para Europa pelo exterior da Rússia começa a ser projetado

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O antigo receio da Rússia sobre a construção de um gasoduto que leve gás iraniano à Europa por vias externas ao seu território começou a tornar-se real neste mês, em especial nesta semana (25 de julho), com as negociações entre o Irã, o Iraque e a Síria.

 

O fornecimento deste combustível para o continente europeu tem até o momento grande participação do Estado russo, que é responsável por aproximadamente 80% do montante que chega aos europeus, segundo divulgado na mídia internacional, ao longo dos últimos três anos.

Em vários momentos, os analistas apontaram que os russos se posicionavam contra as medidas e interferências das grandes potências nesta região, em especial neste três países, devido a possibilidade de que fosse construído um canal de escoamento do produto, sob controle delas, gerando perdas significativas para a sua economia.

Da mesma forma, observadores afirmam que ficam mais claros para a comunidade internacional alguns dos pontos que levaram Moscou a se contrapor de forma incisiva contra as investidas das potências internacionais na Síria e no Irã.

O gasoduto que poderá ser construído a partir destas negociações deverá custar aproximadamente 10 bilhões de dólares, segundo informações de funcionário do governo do Irã. De acordo com o divulgado, o gás virá do campo de “South Pars” e o canal deverá ser terminado  em 3 ou 5 anos.

O gasoduto atravessará ainda o Líbano até chegar ao “Mar Mediterrâneo” e daí o gás será finalizado na Europa. Segundo dados de pesquisa especializada, este Campo é gigantesco e responde por parte expressiva das reservas iranianas, que é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Rússia.

Depois dos encontros, Javad Oji, o diretor gestor da “National Iranian Gas Company”, afirmou: “Imediatamente após a assinatura do acordo entre Irã, Iraque e Síria, um consultor internacional começará a trabalhar para escolher o traçado do duto e também o financiador da obra”*.

Analistas apontam que, embora o fornecimento de gás à Europa ganhe autonomia em relação ao que é realizado pela Rússia, os russos saem na frente para ter importante participação no empreendimento, graças, especialmente, a forma como se posicionaram em relação à crises nos países árabes e na questão do “Programa Nuclear Iraniano”, no qual, deve-se destacar, também tiveram participação acentuada e, no momento da confrontação internacional, buscaram forma diversa de agir daquela que foi escolhida pelas demais potências mundiais.

Observadores apontam também que notícias sobre o entendimento para a construção do gasoduto foi disseminada já no dia 7 de julho pelos jornais chineses, quando ocorreu outra reunião entre representantes de Iraque, Irã e Síria.

A China foi uma das poucas potências que se posicionou de forma diversa da dos ocidentais em relação aos problemas nesta região. Segundo destacam os especialistas, é alta a probabilidade de que chineses e russos sejam escolhidos como investidores para dar corpo ao empreendimento.

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Fonte:

* http://www.dgabc.com.br/News/5901859/ira-iraque-e-siria-poderao-fazer-gasoduto-de-us-10-bi.aspx

** http://spanish.peopledaily.com.cn/31618/7430904.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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