LOADING

Type to search

Fundo antiterrorista: governo norte-americano propõe fundo para auxiliar países no combate ao terrorismo

Share

No dia 28 de maio de 2014, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América (EUA), anunciou durante seu discurso para os cadetes da Academia Militar de West Point, em Nova York, a proposta para a criação de um Fundo de 5 bilhões de dólares para combater o terrorismo.Segundo argumentou, a criação do Fundo Antiterrorismo auxiliará outros países nesta luta, uma vez que permitirá cumprir distintas missões, desde o “treinamento de forças de segurança no Iêmen, ofensivas contra Al-Qaeda, apoio para manter as forças de paz na Somália, trabalhar com aliados europeus para treinar forças de segurança na Líbia e facilitar as operações francesas no Mali[1].Durante o discurso, Barack Obama destacou que a maior ameaça aos EUA não são outros países, mas, sim, grupos terroristas, e combatê-los não exige movimentações de Exércitos, mas operações com outros países, ou ainda ações com aviões não tripulados[2].

O Presidente norte-americano assinalou ainda que apenas em casos de ameaça direta aos interesses e à segurança do seu país o Governo dos Estados Unidos adotará uma intervenção unilateral, como a ocorrida no Iraque, em 2003.Em todos os outros casos de ameaça, os EUA nunca agirão sozinhos. O Presidente destacou ainda que com a morte de Osama bin Laden, e com a Al-Qaeda descentralizada, as possibilidades de um ataque nas proporções do “11 de Setembro”são pequenas, entretanto, apontou que a ameaça no presente afeta mais o pessoal norte-americano em outros países, como foi o caso do ataque à Embaixada norte-Americana em Bengazi, na Líbia, em 2012[3].

Há 12 anos, no dia 2 de junho de 2002, durante a solenidade de formatura de cadetes da Academia Militar de West Point, o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, apresentava ao mundo novas regras de ação, a Doutrina Bush, que iriam estabelecer os parâmetros de uma ambiciosa ofensiva contra o terror[4]. Os Estados Unidos iniciaram no Afeganistão e no Iraque duas longas guerras; estabeleceram uma prisão de segurança máxima em Guantánamo para deter terroristas e, sob pretexto do combate ao terrorismo, justificaram interferências em alguns países.

Quando o então presidente Barack Obama assumiu o poder em 2009, dentre suas grandes promessas estava fechar a base de Guantánamo e acabar com as duas guerras em curso. Em 2011, Obama anunciou a retirada das tropas do Iraque e, mais recentemente, no dia 27 do mês passado, anunciou que até 2016 não haverá mais tropas norte-americanas no Afeganistão.No entanto, essas forças estão sendo redirecionadas ao longo dos últimos anos para o combate ao terrorismo no continente africano. O Pentágono havia anunciado ainda em 2013 uma nova estratégia para a região com a finalidade de treinar e aconselhar as forças africanas com o objetivo de melhor enfrentar as novas ameaças terroristas e outros riscos de segurança[5].

Apesar desse discurso, os EUA também são acusados por observadores internacionais e alguns Governos adversários de promover grupos insurgentes que também podem ser considerados terroristas, normalmente chamados de paramilitares.  Segundo apontam, em termos históricos o Governo norte-americano financiou vários desses grupos em países como a “Eritréia (1991), localizada em uma região estratégica do ‘chifre da África’, banhada pelo Mar Vermelho e financiaram guerrilheiros para lutarem contra o governo etíope, quando este se aproximou mais da URSS[6]. Ou, conforme também afirmam, na “África, os Estados Unidos deram apoio a regimes ditatoriais extremamente violentos como o Apartheid na África do Sul (1948-1994), e ainda financiaram diversos grupos terroristas, chamados sempre de ‘paramilitares’ para combater grupos e movimentos socialistas[7].

Mais recentemente, também vem sendo apontado por estes observadores que, na Guerra Civil na Síria, os EUA financiam alguns grupos rebeldes e também têm distribuído e redistribuído armas aos grupos opositores ao Governo Assad por intermédio de outros países, como Qatar, Arábia Saudita e Turquia[8].

Conforme documentos do Wikileaks,o Governo norte-americano financiou na última década diversos grupos para derrubar Bashar al-Assad[9], ressaltando-se, no entanto, que se deve sempre levar em consideração a questão das fontes usadas pelo Wikileaks, bem como o seu caráter parcial o que leva se observar com critério rigoroso  a forma de interpretar os documentos e informações disseminados pelo site.

Posto isso, observa-se que o comportamento dos Estados Unidos quanto a definição de terrorismo e as ações para combater essas forças normalmente vão ao encontro dos seus interesses geopolíticos e econômicos, o que é esperado dentro da lógica adotada pelos norte-americanos, ainda de política de poder, em muitos comportamentos de sua política externa. 

———————————————–

Imagem (Fonte):

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/35469/obama+marca+nova+frente+na+politica+externa+dos+eua+com+fundo+antiterrorismo.shtml

———————————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/531846-obama-reafirma-o-uso-belico-de-drones-armados

[2] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/05/28/internacional/1401286861_552594.html

[3] Ver:

[4] Ver:

FUSER, Igor. Geopolítica: o mundo em conflito. São Paulo: Editora Salesiana, 2006. Pg  6-15

[5] Ver:

http://www.nytimes.com/2013/10/19/world/africa/us-prepares-to-train-african-forces-to-fight-terror.html?_r=1&

[6] Ver:

www.cacos.ufpr.br/obras/Lucas_Kerr_Oliveira_democracia_terrorista.doc

[7] Ver:

[8] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22563/eua+ajudam+paises+vizinhos+da+siria+a+armarem+rebeldes+contra+assad+diz+nyt.shtml

[9] Ver:

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.